Cultura

O Diabo Veste Prada 2 e o que permanece com o tempo

6/4/2026

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A sequência de O Diabo Veste Prada reacende discussões sobre moda, carreira, amadurecimento e liderança feminina (Foto: Adobe Stock)

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A continuação do clássico reacende reflexões sobre coragem, amadurecimento, liderança feminina e os vínculos que atravessam o tempo

Muito se fala sobre os figurinos, as tendências e as comparações inevitáveis entre o primeiro filme e a aguardada sequência de The Devil Wears Prada. Mas talvez a força de O Diabo Veste Prada nunca tenha estado apenas na moda.

Ela está nas personagens que atravessam o tempo junto com o público. Nas relações que resistem aos contratempos, nos sonhos que amadurecem, nas escolhas que moldam carreiras e nos vínculos que transformam quem somos.

Talvez o filme volte a fazer tanto sentido agora porque chega em um momento marcado pela inteligência artificial, pela velocidade extrema, pela solidão digital e pelo excesso de informação. A tecnologia responde quase tudo. Mas continua incapaz de substituir aquilo que ainda nos torna humanos: amizade, lealdade, empatia, coragem, presença e capacidade de recomeçar.

Ao assistir ao novo filme, percebi que não foram apenas as personagens que mudaram ao longo dessas duas décadas. Eu também mudei.

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A moda também é feita de decisões, liderança e trajetórias que transformam mulheres ao longo do tempo (Foto: Adobe Stock)

Em 2006, ano em que o primeiro longa chegou aos cinemas, eu vivia uma transformação importante na minha própria trajetória profissional dentro da moda nacional. Fui escolhida por Traudi Guida e Rahyja Afrange para assumir uma posição de enorme responsabilidade na Le Lis Blanc, tornando-me a primeira diretora de estilo da marca após sua venda para um fundo de investimentos.

Eu era jovem. Sentia medo. Tinha dúvidas. Ainda assim, aceitei o desafio porque havia sido escolhida por elas. E não queria decepcioná-las.

Hoje, olhando para trás, percebo que algumas decisões não transformam apenas uma carreira. Elas transformam a maneira como passamos a enxergar a nós mesmas.

Aquela experiência me ensinou sobre liderança, cultura empresarial, responsabilidade e coragem. A coragem de ocupar um lugar para o qual talvez ainda não nos sintamos completamente prontas. E é justamente isso que Miranda enxerga em Andy — algo que volta à tona de forma sensível nesta sequência.

Mentes e almas

Vinte anos depois, empreendendo e liderando a WAV Woman World, compreendo ainda mais profundamente o valor dessas experiências. Entendo que sucesso não é apenas resultado. É construção. É legado. É a capacidade de abrir caminhos para que outras mulheres também possam crescer, prosperar e ocupar seus próprios espaços.

É isso que mais me move hoje: incentivar mulheres a expandirem não apenas suas carreiras, mas também suas visões de mundo, suas possibilidades e suas próprias histórias.

Por isso, ao sair da sessão de O Diabo Veste Prada 2, minha reflexão não foi sobre qual figurino era melhor ou qual coleção foi mais impactante. Foi sobre o valor do tempo — um dos bens mais raros e preciosos da atualidade.

Pensei em quem éramos. Em quem nos tornamos. Nas pessoas que acreditaram em nós antes mesmo de enxergarmos nosso potencial. E na coragem necessária para aceitar os convites que a vida faz, mesmo quando ainda não temos certeza de que conseguiremos corresponder.

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Entre carreira, amadurecimento e novos ciclos, o filme reacende discussões sobre ambição, sororidade e os espaços ocupados pelas mulheres (Foto: Adobe Stock)

Refleti também sobre todos os anos dedicados ao universo da moda, sobre os relacionamentos construídos ao longo do caminho e sobre os vínculos que permanecem apesar do tempo.

Porque, no fim, a verdadeira elegância não está apenas nas roupas. Ela está nas escolhas. Na leveza que adquirimos depois de cada desafio atravessado. No retorno silencioso de decisões bem tomadas e, principalmente, nos erros que ensinam mais do que muitos acertos.

Talvez seja exatamente por isso que, vinte anos depois, O Diabo Veste Prada continue sendo muito mais do que um filme sobre moda. Ao abordar temas tão atuais quanto liderança feminina, ambição, amadurecimento e sororidade, ele permanece sendo, acima de tudo, um filme sobre a vida.