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A batalha pela Colômbia

6/12/2026

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Abelardo de La Espriella.

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O primeiro turno terminou. O segundo começa agora

Impedido pela Constituição de se reeleger, Petro passa os últimos meses assistindo a disputa pelo seu legado de fora. E o legado não é bonito.

Em quatro anos de governo, a produção de cocaína na Colômbia bateu recordes históricos. O secretário do Tesouro americano Scott Bessent foi direto: "Desde que Petro chegou ao poder, a produção de cocaína disparou para o nível mais alto em décadas, inundando os Estados Unidos e envenenando os norte-americanos." A economia colombiana patinou. A inflação corroeu o poder de compra da população. E o filho do presidente, Nicolás Fernando Petro Burgos, virou réu por corrupção — escândalo que manchou o governo desde cedo.

Foi nesse contexto que a Colômbia foi às urnas no dia 31 de maio de 2026. As pesquisas apontavam para uma disputa apertada. O que ninguém esperava era que Abelardo de La Espriella saísse na frente com tanta folga. Advogado sem nenhum cargo eletivo anterior, Espriella ficou conhecido por defender membros de grupos paramilitares — e por ser apontado como um suposto laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Mesmo assim, terminou o primeiro turno com 43,74% dos votos.

Do outro lado, o senador Iván Cepeda, candidato da esquerda e principal herdeiro político de Petro, ficou com 40,90%. Cepeda carrega no currículo anos de proximidade com o chavismo venezuelano e nunca escondeu a admiração pelo modelo bolivariano — o mesmo modelo que destruiu a Venezuela.

Os dois se enfrentam de novo no dia 21 de junho de 2026.

Logo após a apuração, Petro levantou suspeitas de irregularidades. Não demorou para recuar. A autoridade eleitoral colombiana divulgou que os dados apresentaram coincidência de 99,94% entre a pré-contagem e a contagem oficial. Mais uma manobra que não foi para frente.

Trump entra no jogo

No dia seguinte ao primeiro turno, Donald Trump não perdeu tempo. Publicou na Truth Social um endosso explícito a Espriella — a quem chamou de "El Tigre":

"Parabéns ao candidato à presidência da Colômbia, 'El Tigre', Abelardo de La Espriella, um líder inteligente, forte e determinado, por sua vitória decisiva no primeiro turno! Como presidente, teria enorme sucesso em liderar a Colômbia rumo ao crescimento econômico, ao combate à imigração ilegal, à repressão ao crime e às drogas e à restauração da lei e da ordem!"

Trump ainda classificou Cepeda como "marxista de esquerda radical." Petro respondeu acusando Trump de interferir no processo eleitoral soberano da Colômbia — o mesmo Petro que durante quatro anos aproximou o país de Maduro, de Cuba e de qualquer governo disposto a validar seu projeto.

Quem é Espriella

O estilo de Espriella lembra Nayib Bukele: comícios espalhafatosos, discurso linha-dura contra o crime e promessa de alinhamento com Washington. Durante a campanha, viajou a Miami e se reuniu com o subsecretário de Estado Christopher Landau, declarando que "restabelecer plenamente as relações com os EUA é fundamental para o futuro da Colômbia." Usou o apoio de Trump como selo de autoridade junto ao eleitorado conservador — e funcionou.

O que está em jogo?

O segundo turno de 21 de junho não é só mais uma eleição. É um teste sobre o que os colombianos querem para os próximos anos: continuar no caminho dos últimos quatro — recordes de cocaína, escândalos de corrupção e isolamento diplomático — ou virar a página.

A América Latina está sendo redesenhada. E a Colômbia é o próximo capítulo.