CONTEXTO: o que é a Seção 301 e quando ela começou
A Seção 301 é um mecanismo da Lei de Comércio dos EUA de 1974 — ou seja, tem mais de 50 anos. Ela permite ao presidente americano aplicar tarifas e sanções contra países que adotem práticas comerciais consideradas injustas, irracionais ou que prejudiquem o comércio dos Estados Unidos.
Em 15 de julho de 2025, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) anunciou formalmente o início de uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil com base nessa lei. A investigação abrange temas como comércio digital, etanol, propriedade intelectual, pagamentos eletrônicos e desmatamento ilegal.
Isso é fundamental: a investigação foi aberta em julho de 2025 — meses antes de qualquer viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA.
JULHO DE 2025 — A Seção 301 é aberta contra o Brasil
A investigação foi iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, dentro de sua estratégia de endurecimento da política comercial dos Estados Unidos. O representante comercial americano Jamieson Greer declarou que ele e Trump realizaram diversas reuniões com o presidente Lula e seu gabinete ao longo do último ano, mas que as partes não chegaram a nenhum consenso.
Neste ponto, Flávio Bolsonaro não tinha nada a ver com isso. A investigação foi conduzida por dentro da máquina do governo Trump, com base em reclamações estruturais sobre o Brasil — incluindo censura judicial a plataformas americanas, barreiras ao etanol e ao Pix.
O que o relatório aponta — censura, corrupção e trabalho escravo
O relatório aponta que tribunais brasileiros emitiram ordens secretas obrigando empresas americanas de redes sociais — como X, Meta e Google — a remover conteúdo político e suspender perfis de residentes nos EUA e no Brasil, muitas vezes com alcance global. As plataformas foram também proibidas de informar aos donos dos perfis sobre as ordens.
Além da censura, o relatório traz uma frente grave: o governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil entre os países que podem ser alvo de novas sanções comerciais por falhas no combate à entrada e à circulação de produtos ligados ao trabalho forçado. A principal crítica não é a existência de trabalho forçado dentro do território nacional, mas a ausência de uma proibição legal específica que impeça a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outros países.
O Brasil foi incluído junto a outros 53 países nessa mesma categoria. O relatório dedica um capítulo específico à pecuária brasileira, associando o setor ao trabalho escravo com base em dados de pesquisas independentes e relatórios do próprio governo americano.
Ou seja: o relatório é uma crítica ao governo Lula, não à oposição.

26 DE MAIO DE 2026 — Flávio Bolsonaro vai a Washington
O encontro entre Trump e Flávio ocorreu em 26 de maio. No dia seguinte, o senador também se reuniu com o secretário de Estado Marco Rubio e com o vice-presidente J.D. Vance. Após a reunião na Casa Branca, Flávio afirmou ter pedido ao mandatário norte-americano que classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. Trump respondeu que analisaria a proposta.
A viagem foi legítima, com agenda oficial na Casa Branca. E os resultados foram concretos.

28 DE MAIO DE 2026 — EUA anunciam que PCC e CV serão classificados como terroristas
O governo dos Estados Unidos anunciou, em comunicado do Departamento de Estado, que vai designar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho e PCC como Organizações Terroristas Estrangeiras, com validade a partir do dia 5 de junho. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que as duas organizações comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Isso aconteceu dois dias depois da reunião de Flávio com Trump — mostrando que o senador entregou um resultado concreto para a segurança pública brasileira.

Donald Trump e Daniel Perez.
1 DE JUNHO DE 2026 — Trump indica novo embaixador para o Brasil
Donald Trump indicou Daniel Perez, atual presidente da Câmara dos Representantes da Flórida e membro do Partido Republicano, para assumir a embaixada norte-americana no Brasil. A indicação foi anunciada pela Casa Branca em seu site oficial.
Nascido em Nova Iorque, Perez se descreve como um cubano-americano de primeira geração e se mudou para a Flórida em 1993. Formado em Direito, iniciou sua trajetória política em 2017. Desde 2024, ocupa a presidência da Câmara da Flórida. Daniel Perez é conhecido como o "pequeno Rubio" — cubano-americano, conservador, alinhado com a política externa de Trump para a América Latina.
Sua indicação representa o retorno de uma presença diplomática americana no Brasil, que estava sem embaixador titular desde janeiro de 2025. A indicação provocou desconforto nos bastidores da diplomacia brasileira, já que o nome foi encaminhado ao Senado norte-americano sem consulta prévia a Brasília.

USTR Section 301 Determination on Brazil’s Unreasonable Acts, Policies, and Practices | United States Trade Representative.
1 DE JUNHO DE 2026 — USTR publica relatório com tarifa de 25%
O Escritório do Representante Comercial dos EUA publicou um relatório recomendando a aplicação de tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil, com base na Seção 301. As medidas corretivas devem entrar em vigor até 15 de julho, segundo o prazo legal dos EUA. Por enquanto, as tarifas não estão em vigor — o que foi divulgado é apenas um relatório com recomendação de taxação futura.

Donald Trump, o ex-deputado, Eduardo Bolsonaro, o senador, Flávio Bolsonaro e o Jornalista Paulo Figueiredo em reunião no Salão Oval da Casa Branca.

Screenshot - https://truthsocial.com/@realDonaldTrump
2 DE JUNHO DE 2026 — Trump posta foto e elogia Flávio publicamente
A Casa Branca divulgou imagens do encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro. As fotografias foram compartilhadas pelo republicano em sua rede social, o Truth Social. "Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu Trump.
Enquanto o governo Lula confrontava Flávio, Trump o elogiava publicamente.

https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2026/05/nota-a-imprensa
2 DE JUNHO DE 2026 — Governo Lula publica nota e entrega a contradição
Diante do relatório da Seção 301, o governo Lula jogou a culpa em Flávio Bolsonaro. Mas a nota escorregou em uma contradição fatal: ela própria confirma que a investigação começou em julho de 2025.
O governo publicou: "Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington."
O problema é óbvio: se a investigação começou em julho de 2025, ela antecede qualquer articulação de Flávio. A viagem ao Salão Oval foi em maio de 2026 — quase um ano depois. O próprio governo Lula, ao tentar culpar Flávio, confirmou que a Seção 301 nasceu sem nenhuma relação com o senador.

Lula da Silva – Imagem: Canal Oficial do Governo Federal/ Youtube.
2 DE JUNHO DE 2026 — Lula pede a morte de Flávio e Eduardo em discurso público
No mesmo dia da nota oficial, durante evento de inauguração em Catalão, Goiás, Lula foi além de qualquer limite aceitável em uma democracia. Em discurso público, o presidente da República sugeriu o enforcamento de Flávio e Eduardo Bolsonaro. As palavras foram ditas diante de apoiadores e transmitidas ao vivo.
A frase exata de Lula foi: "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior que ele. São vendilhões da pátria, traidores. Por menos que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, foi enforcado em praça pública. O que merecem os traidores da pátria?"
A declaração gerou indignação imediata. Além de insinuar o enforcamento de adversários políticos — o principal deles sendo o pré-candidato à Presidência da República —, Lula ainda errou o fato histórico que usou como base. Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado. Ele denunciou a Inconfidência
Mineira às autoridades portuguesas e morreu naturalmente em 1819. Quem foi executado, enforcado e esquartejado em praça pública, foi Tiradentes — exatamente o personagem que ele delatou.
Como Flávio recebeu as falas de Lula
Ainda no mesmo dia, em Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro reagiu durante homenagem na Câmara Municipal. "Eu fui ameaçado pelo presidente da República. Hoje ele simplesmente ameaçou de morte um concorrente, um adversário político", declarou o senador. Então foi além: "Ele disse que eu tinha que ser enforcado, e onde estou hoje? Em Minas Gerais, terra de Tiradentes. Você não vai fazer comigo o que fizeram com Tiradentes, Lula. Você não vai me enforcar”. E continuou: “o que é que o Lula fez – e eu quero de verdade acreditar que não seja verdade – é uma coisa chamada “apito de cachorro...” bastou eu atuar contra PCC e Comando Vermelho. Bastou eles serem rotulados como grupos terroristas pelo governo americano, que ele dá uma espécie de “apito de cachorro” para as facções criminosas me executarem". Eu, de verdade, peço a Deus para que essa não tenha sido a intenção dele, porque se foi, este cara tinha que estar preso”, disse o senador.
Representação No STF
A assessoria de Flávio anunciou que a denúncia seria apresentada ainda na terça-feira (2), apontando os crimes de ameaça e incitação ao crime. Os principais argumentos da representação são: incitação à violência contra o senador e alegação de ameaça indireta à integridade física.
O STF ainda não se manifestou
A notícia-crime deverá ser analisada pelo Supremo, e o caso promete alimentar o debate político nas próximas semanas. Não há confirmação pública de protocolo nem de distribuição a ministro relator até o momento. O governo federal não comentou o assunto publicamente.
O Partido Liberal reagiu
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, saiu em defesa de Flávio nas redes sociais na quarta-feira (3), ao enviar uma mensagem direta a Lula: "traidor da pátria é o descondenado". Cavalcante também acusou o petista de participar de esquemas de fraudes financeiras envolvendo fundos de previdência.

https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/06/OFICIO-No-008-2026-GSFB-EUA.pdf
2 DE JUNHO DE 2026 — Flávio envia carta a Rubio defendendo o Brasil
No mesmo dia em que Trump publicou a foto elogiando o senador, Flávio Bolsonaro enviou uma carta formal ao secretário de Estado Marco Rubio, com o timbre oficial do Senado Federal, pedindo que os Estados Unidos não aplicassem as tarifas de 25% propostas pelo USTR sobre produtos brasileiros.
Na carta, Flávio agradeceu pela designação do PCC e do CV como organizações terroristas e escreveu: "Escrevo, em primeiro lugar, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental. Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre as empresas criminosas mais violentas do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro alcançam muito além de nossas fronteiras — chegando ao seu país também."
Em seguida, Flávio apresentou a situação econômica do Brasil para justificar o pedido: citou a grave deterioração fiscal do país, o recorde histórico de 81,7 milhões de brasileiros inadimplentes — quase metade da população adulta —, os 2.466 pedidos de recuperação judicial registrados em 2025 e os 8,7 milhões de contribuintes empresariais inadimplentes no início de 2026. E concluiu: "A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil."
Ou seja: no mesmo dia em que o governo Lula chamava Flávio de traidor, o senador estava formalmente trabalhando para proteger a economia brasileira junto ao governo americano.

2 DE JUNHO DE 2026 — Lula chama Marco Rubio de "latino-americano frustrado"
No mesmo dia, Lula também disparou contra o secretário de Estado dos EUA. O presidente afirmou que já havia dito diretamente a Trump que o republicano não tinha simpatia pelo Brasil: "Eu já tinha dito e disse ao presidente Trump: esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado."
Lula também classificou Rubio como "anti-América Latina" e "inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos."
Vale lembrar que Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos e é exatamente o secretário de Estado que assinou a designação do PCC e do CV como organizações terroristas — uma conquista que Flávio trouxe de Washington. Confrontar Rubio neste momento foi, na prática, confrontar o resultado concreto que beneficiou a segurança pública brasileira.
3 DE JUNHO DE 2026 — Lula repete as declarações em reunião ministerial
No dia seguinte, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula voltou a chamar Rubio de "latino-americano frustrado" e orientou seus ministros sobre como comunicar o tema: "Vocês não podem deixar de dizer isso: estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria."
O governo transformou uma crise de sua própria política externa em perseguição ao adversário eleitoral.
5 DE JUNHO DE 2026 — PCC e CV passam oficialmente a ser terroristas
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos passou a valer nesta sexta-feira, 5 de junho. A medida enquadra as duas maiores facções criminosas do Brasil em categorias utilizadas pelo governo dos EUA para grupos considerados ameaças à segurança nacional.
Na prática, a decisão pode ampliar sanções financeiras, restrições bancárias, ações de inteligência e mecanismos de cooperação internacional contra integrantes e redes ligadas às facções.
Isso é uma conquista direta do encontro de Flávio com Trump — que o governo e a mídia estão ignorando propositalmente.
A mentira da mídia — desmontando a narrativa
A grande mídia e a militância petista construíram uma narrativa: "Flávio Bolsonaro foi aos EUA pedir tarifa contra o Brasil." Isso é mentira documentada.
Os fatos que provam:
A Seção 301 foi aberta em 15 de julho de 2025 — por iniciativa do próprio governo Trump. Flávio visito Washington em maio de 2026 — quase um ano depois. O relatório critica o governo Lula: censura judicial, Pix, barreiras comerciais, falhas contra trabalho escravo. A própria Miriam Leitão foi obrigada a admitir ao vivo que "essa é uma investigação que é feita dentro da legislação americana há muito tempo. Essa legislação existe desde 74." O que foi divulgado pelo USTR é apenas um relatório com recomendação de taxação futura — não há cobrança ativa ainda.
O próprio Flávio foi a Washington para defender o empresariado brasileiro e pedir que o Brasil não fosse alvo de novas tarifas. E o resultado mais concreto da semana — a classificação do PCC e CV como terroristas — foi ignorado pela mídia e confrontado pelo próprio presidente da República, que preferiu sugerir o enforcamento do adversário político a reconhecer a conquista para a segurança pública do Brasil.
A conclusão é simples: a Seção 301 foi uma decisão soberana do governo Trump, baseada em práticas do governo Lula. Flávio Bolsonaro foi a Washington e trouxe resultados concretos para o Brasil. O governo e a mídia transformaram isso em perseguição política — e os fatos estão todos documentados para desmontar essa narrativa.


