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A semana que colocou Daniel Vorcaro no olho do furacão

6/12/2026

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Daniel Vorcaro.

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Delação reformulada amplia pressão sobre autoridades

Operador De Vorcaro Quebra O Silêncio

O consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues, alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, concedeu entrevista exclusiva ao Metrópoles e falou pela primeira vez sobre sua atuação junto a Daniel Vorcaro.

Rodrigues é ex-sócio de Paulo Figueiredo, fiel escudeiro de Eduardo Bolsonaro, e foi apontado pela PF como o principal articulador político e lobista na captação de recursos do então governo Cláudio Castro para o Banco Master.

Na entrevista, afirmou ter sido contratado para auxiliar na captação de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais (RPPS), negou ter atuado como lobista e disse que pretende revelar à PF quem seria o "dono" responsável por autorizar politicamente os investimentos do RioPrevidência no banco. A declaração se refere a um áudio de outubro de 2023, transcrito pela PF e incluído na representação que embasou a operação autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, no qual Rodrigues diz a Vorcaro que o RioPrevidência "tem um dono e esse dono precisa autorizar os caras internamente" para a compra de letras financeiras do Master.

Segundo Rodrigues, a consultoria a Vorcaro foi encerrada em setembro de 2024, diante da repercussão negativa no mercado envolvendo o veto dentro da Caixa Asset para uma possível compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master, e do início das negociações sobre a compra de ações pelo Banco de Brasília (BRB).

Rodrigues afirmou que o político ainda não citado nas investigações foi o responsável por autorizar o repasse dos recursos ao banco de Vorcaro, e prometeu entregar o nome à PF.

Irmão do PGJ da Bahia nas mensagens de Vorcaro

A Polícia Federal interceptou mensagens que mostram o empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, tratando diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre um pagamento de R$ 8 milhões à empresa Mídias Promotora.

Nas mensagens, Marques aparece com o codinome "Marcelo Terra Firme" — referência direta a uma empresa de Augusto Lima, ex-sócio do Master, que segundo os investigadores estava diretamente ligado aos aportes do RioPrevidência em letras financeiras do banco.

Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Marcelo: "Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?" O empresário respondeu: "Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente."

A PF aponta que a Mídias Promotora, registrada em nome de um laranja, era controlada por Ricardo Siqueira Rodrigues, lobista do Banco Master no Rio de Janeiro, responsável por captar clientes e fazer o "alinhamento político" deles com Vorcaro. A empresa recebeu R$ 126,6 milhões do Master entre 2023 e 2025, segundo dados da Receita Federal.

A participação de Marcelo Maia na órbita do Banco Master não é recente: ele foi o responsável por registrar os domínios de internet do Credcesta, serviço de cartão consignado que surgiu após a privatização da Ebal, estatal baiana que controlava a rede Cesta do Povo e operava o cartão consignado dos servidores estaduais. A operação, ao longo dos anos, acabou concentrada sob o guarda-chuva do Banco Máxima, que posteriormente foi rebatizado como Banco Master.

A FESTA DO UÍSQUE: Vorcaro bancou encontro de US$ 1 milhão com líderes do centrão em Nova York

Segundo apuração do jornal O Globo, uma degustação de uísque oferecida por Vorcaro ao então governador Cláudio Castro em Nova York, em 14 de maio de 2024, também contou com a presença de caciques do PP, Republicanos e MDB no Congresso Nacional. Ao custo de R$ 5 milhões, o encontro reuniu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o atual presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB), e os deputados federais Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ), no Carnegie Club, bar de luxo nas imediações do Central Park, em Manhattan.

Além da degustação, o encontro incluiu charutos em um ambiente descrito como "um dos lounges mais exclusivos de Nova York". Segundo a PF, o custo total da reunião foi de US$ 1 milhão. À época, Hugo Motta, Marcos Pereira, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho eram apontados como possíveis sucessores de Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados.

O dado mais explosivo da investigação: um dia após a degustação em Nova York, o RioPrevidência realizou aporte de R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master. Mensagens de Vorcaro a Castro classificavam a reunião como um "evento pequeno", com "só homens" e limitado a dez convidados. Após pedir mais detalhes sobre o encontro, o então governador respondeu: "Eu vou."

O deputado Marcos Pereira negou participação na degustação, afirmando ter sido convidado por Ciro Nogueira, mas que não compareceu ao local. "Nem gosto de uísque", declarou. Ciro Nogueira também negou presença no evento: "Eu não fui à degustação. Não tomo uísque puro", declarou o senador.

A festa das astronautas — R$ 11,9 milhões em Nova York

Vorcaro gastou pelo menos R$ 11,9 milhões, em valores de 2024, em uma sequência de eventos luxuosos em Nova York para entreter políticos e autoridades brasileiras. A programação incluiu degustação de uísques e charutos, jantar e uma confraternização em suíte presidencial com mulheres vestidas como astronautas — a chamada "noite das astronautas". Os valores aparecem em uma planilha apreendida no celular de Vorcaro e enviada ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

A delação que pode abalar os Três Poderes

Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master, está preso. E quanto mais o tempo passa, mais ele tem a contar.

A defesa do ex-banqueiro entregou à PF e à PGR, nesta semana, uma nova versão da proposta de delação premiada — depois que a primeira tentativa foi rejeitada pelas autoridades em maio, considerada rasa demais.

Desta vez, o documento foi na jugular. A nova proposta muda "muito" em relação à versão anterior e detalha melhor o envolvimento do ex-banqueiro com autoridades dos Três Poderes. O documento foi "reformulado, ampliado e aprofundado" — e agora cita nominalmente pelo menos um ministro do STF, integrantes da cúpula do Congresso, dois ministros do governo Lula e lideranças da oposição.

O contrato com a esposa de Moraes

O nome mais explosivo até agora é o do ministro Alexandre de Moraes. Vorcaro afirmou em sua proposta que fechou um contrato com o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, em busca de proximidade com o magistrado. O contrato previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos — totalizando R$ 129 milhões em serviços jurídicos. Vorcaro diz que não houve troca de favores. Mas o valor fala por si. E tem mais. Pouco antes de sua prisão, uma empresa vinculada a Vorcaro chegou a preparar um segundo contrato com o mesmo escritório, desta vez no valor de R$ 50 milhões. O documento nunca foi assinado.

Quem decide agora

O futuro da delação está nas mãos do ministro André Mendonça, do STF, responsável por decidir sobre a homologação e os benefícios do acordo. Mesmo que PF e PGR aprovem o material, a palavra final é dele.

Se Mendonça homologar, as investigações passam a mirar todos os citados. Se não homologar, Vorcaro fica preso — e os nomes ficam no limbo.

A bomba está armada. Só falta alguém apertar o botão.