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Correios quebram sob governo Lula: prejuízo de R$ 8,5 bi em 2025 expõe colapso de estatal com monopólio

6/12/2026

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CORREIOS - Imagem: Emerson Nogueira/Futura Press/Estadão Conteúdo.

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Rombo cresceu 1.300% em três anos, patrimônio virou negativo e contribuinte garante empréstimo bilionário — privatização, fora de cogitação

A maior estatal de logística do Brasil — detentora do monopólio legal de cartas e correspondências — encerrou 2025 em insolvência técnica. Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões no ano passado, o maior desde a criação do Plano Real. O rombo triplicou em relação ao de 2024, que havia sido de R$ 2,6 bilhões, e mais que multiplicou por 14 o déficit de R$ 597 milhões registrado no primeiro ano do governo Lula, em 2023. Em três anos de gestão petista, as perdas acumuladas chegam a R$ 11,7 bilhões — crescimento de 1.300% no prejuízo entre 2023 e 2025.

Com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões, a empresa entrou em estado de insolvência técnica. Na prática: se fosse uma empresa privada, já teria decretado falência.

A "tempestade perfeita" fabricada pelo próprio governo

O paradoxo central da crise dos Correios é que a principal pancada no caixa da estatal veio de dentro do próprio governo Lula. Em 2023, o Ministério da Fazenda criou o programa Remessa Conforme — a chamada "taxa das blusinhas" —, que passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, isentas até então.

A medida, apresentada como política de proteção à indústria nacional, teve um efeito colateral devastador: encerrou o monopólio dos Correios na distribuição de encomendas internacionais, abrindo espaço para transportadoras privadas operarem no segmento que sustentava boa parte do faturamento da estatal.

O resultado foi imediato. A receita com encomendas internacionais despencou de R$ 3,9 bilhões em 2024 para R$ 1,3 bilhão em 2025 — queda de R$ 2,6 bilhões em um único ano. A fatia desse segmento no faturamento total recuou de 22% em 2023 para apenas 7,8% em 2025.

Em volume, o colapso é ainda mais expressivo: foram 149 milhões de pacotes internacionais transportados nos nove primeiros meses de 2024, contra apenas 41 milhões no mesmo período de 2025 — queda de mais de 72%. Em setembro de 2025, os Correios movimentaram 3 milhões de encomendas e arrecadaram R$ 87 milhões, o menor volume em 23 meses.

O mais revelador é que a própria direção técnica da estatal registrou em documento interno o que a cúpula política preferia não admitir. A Diretoria Econômico-Financeira concluiu que a perda de mercado "evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da empresa diante das transformações do comportamento da sociedade" — uma admissão formal de que a gestão não soube adaptar o modelo de negócios às mudanças que o próprio governo impôs.

A bomba judicial que não para de crescer

Além da queda de receita, os Correios carregam um passivo judicial que explodiu. Os precatórios custaram R$ 6,4 bilhões em 2025 — alta de 55% em relação a 2024. A estatal também provisionou R$ 2,63 bilhões para cobrir contingências trabalhistas acumuladas, incluindo disputas sobre adicionais de periculosidade e remuneração de distribuição externa. Parte dessas dívidas é atribuída pela gestão atual a "passivos de governos anteriores" — argumento que, no entanto, não explica por que o rombo só se tornou insustentável a partir de 2023.

O contribuinte entra na conta

Para manter operações mínimas e pagar fornecedores, a estatal recorreu a um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia da União. Na prática, o Tesouro Nacional assume o risco — e o contribuinte paga se a empresa não honrar a dívida. Especialistas apontam que o dinheiro foi usado para cobrir liquidez imediata, sem investimento em modernização tecnológica ou reestruturação real.

O TCU entrou na história e não poupou críticas. O tribunal apontou falhas no aval do governo ao empréstimo e concluiu que o plano de recuperação apresentado pelos Correios foi elaborado com projeções frágeis e sem base financeira consistente — das 30 medidas previstas, apenas cinco tiveram impacto financeiro estimado.

PDV que não funcionou — e agência que fecha

Pressionada pelos gastos, a estatal lançou um Plano de Demissão Voluntária com meta de 10 mil desligamentos. Nas duas rodadas do programa, em 2024 e 2025, apenas 3.756 empregados aderiram — menos de 40% da meta. A economia gerada, estimada em R$ 147 milhões em 2025, é irrisória diante de um rombo de R$ 8,5 bilhões. Como consequência, agências começaram a fechar: das 10 mil unidades de atendimento, 68 foram encerradas em 2026. A convocação dos aprovados no concurso realizado em dezembro de 2024 — com 3.511 vagas homologadas — foi adiada para 2027.

Privatização: palavra proibida

Em 2021, o governo Bolsonaro chegou a encaminhar ao Congresso uma proposta de privatização dos Correios. A proposição foi retirada de pauta em 2023, no início do governo Lula. Desde então, o tema tornou-se tabu. O presidente da estatal declarou que "esse assunto não está na pauta". O ministro Haddad reforçou: não há debate dentro do governo sobre privatizar. O plano oficial é aguardar até 2027 para que a empresa volte a dar lucro — com base em projeções que o próprio TCU considerou frágeis.

Enquanto isso, o rombo de R$ 8,5 bilhões dos Correios em 2025 já representava 15,45% de todo o déficit fiscal do setor público consolidado do país no ano — União, estados, municípios e estatais juntos. Uma empresa com monopólio, subsidiada pelo Tesouro, sendo apontada como um dos maiores vetores do desequilíbrio fiscal do Brasil.