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EUA classificam PCC e CV como oraganizações terroristas após Flávio Bolsonaro pedir medida a Trump

6/10/2026

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Donald Trump - Criminosos com fuzis.

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Decisão anunciada por Marco Rubio aconteceu um dia após reunião de Flávio Bolsonaro na Casa Branca e amplia pressão internacional contra facções brasileiras

Os Estados Unidos anunciaram oficialmente a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras e “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A decisão foi comunicada na quinta-feira (28/05) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e ocorreu apenas um dia após o senador Flávio Bolsonaro pedir pessoalmente ao presidente Donald Trump e ao próprio Rubio que as facções brasileiras fossem enquadradas como grupos terroristas durante sua passagem pela Casa Branca.

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https://www.state.gov/releases/office-of-the-spokesperson/2026/05/terrorist-designation-of-comando-vermelho-and-primeiro-comando-da-capital/

Governo americano inclui o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho na lista OFAC como Grupos Terroristas Transnacionais

A inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista da OFAC (Office of Foreign Assets Control), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas internacionais, representa um dos movimentos mais severos já adotados pelos americanos contra organizações criminosas brasileiras.

Na prática, a OFAC passa a poder bloquear bens, contas bancárias, investimentos e qualquer ativo localizado nos Estados Unidos ou que transite pelo sistema financeiro americano e que esteja ligado direta ou indiretamente às facções. Além disso, cidadãos, empresas, bancos e instituições financeiras podem sofrer sanções caso realizem negócios, prestem serviços ou facilitem transações envolvendo pessoas ou estruturas associadas ao PCC e ao Comando Vermelho.

A medida também amplia a capacidade de rastreamento financeiro internacional das autoridades americanas. Como grande parte das operações globais em dólar passa pelo sistema bancário dos Estados Unidos, a inclusão na lista OFAC pode dificultar movimentações financeiras internacionais, operações de lavagem de dinheiro e a utilização de empresas de fachada em diferentes países.

Outro efeito relevante é o chamado "efeito secundário" das sanções. Mesmo empresas e bancos que não estejam nos Estados Unidos costumam evitar qualquer relação com indivíduos ou organizações listados pela OFAC para não correr o risco de sofrer restrições no mercado financeiro internacional. Por isso, a decisão pode aumentar o isolamento financeiro de pessoas e estruturas eventualmente identificadas como ligadas às facções.

A lista da OFAC é utilizada contra organizações consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos, incluindo grupos terroristas, cartéis internacionais, redes de narcotráfico, organizações criminosas transnacionais e indivíduos acusados de financiar atividades ilícitas. Com a inclusão do PCC e do Comando Vermelho, as duas facções passam a integrar um dos principais sistemas globais de sanções financeiras administrados pelo governo americano.

Especialistas avaliam que o impacto mais imediato da medida não está em ações policiais dentro do Brasil, mas na ampliação do cerco financeiro internacional, dificultando a circulação de recursos, o uso do sistema bancário global e possíveis operações de lavagem de dinheiro associadas às organizações criminosas.

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https://sanctionssearch.ofac.treas.gov/

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Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo na Coletiva de Imprensa em Washington, DC.

O pedido de Flávio Bolsonaro

Para a viagem aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro levou ao governo Trump preocupações sobre o avanço das facções criminosas brasileiras e defendido um endurecimento internacional contra o PCC e o Comando Vermelho. A conversa ocorreu dentro de uma agenda voltada à segurança pública, narcotráfico e cooperação internacional entre conservadores brasileiros e americanos.

A rapidez entre o pedido feito por Flávio e o anúncio oficial do governo americano chamou atenção no meio político brasileiro e internacional.

O que os EUA alegam

Segundo Marco Rubio, as facções brasileiras deixaram de representar apenas um problema interno do Brasil e passaram a ser consideradas ameaças transnacionais à segurança regional e americana. O governo Trump afirma que PCC e Comando Vermelho:

  • movimentam bilhões com tráfico internacional;
  • operam redes fora do Brasil;
  • utilizam armamento pesado;
  • promovem ataques violentos;
  • e mantêm estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro.

A administração americana passou a tratar o narcotráfico latino-americano como tema de segurança nacional dos Estados Unidos.

O que muda na prática

Com a classificação, os Estados Unidos passam a ter poderes muito mais amplos para agir financeiramente e internacionalmente contra pessoas, empresas e estruturas ligadas às facções brasileiras.

Na prática, o enquadramento permite:

  • bloqueio de contas e bens;
  • congelamento de ativos;
  • sanções financeiras;
  • criminalização de apoio material;
  • restrições internacionais;
  • ampliação de investigações;
  • cooperação entre agências de inteligência;
  • e pressão diplomática sobre outros países.

Empresas, bancos ou indivíduos suspeitos de ligação financeira com integrantes dessas organizações também podem passar a ser alvo de monitoramento e sanções americanas.

A reação do governo brasileiro

Pouco tempo antes do anúncio oficial, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou durante um fórum internacional de segurança em Moscou que “equiparar o crime organizado ao terrorismo não é útil”.

Amorim reconheceu que as facções representam grave ameaça à segurança pública, mas argumentou que organizações criminosas possuem natureza diferente de grupos terroristas tradicionais. Segundo ele, facções como PCC e CV possuem foco financeiro ligado ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, enquanto o terrorismo normalmente possui motivações políticas ou ideológicas.

Especialistas em direito penal e relações internacionais defendem visão semelhante e afirmam que as facções brasileiras não possuem projeto de tomada do poder estatal, característica geralmente associada a grupos terroristas clássicos.