Moda

Moda, inclusão e comunicação

Por
Samanta Bullock

3/12/2026

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Palestra sobre moda inclusiva na UDESC (Foto: Arquivo pessoal)

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Projeto desenvolvido pela UDESC em parceria com RAMP e UFSC propõe a criação de looks adaptáveis para pessoas amputadas e leva estudantes ao calendário oficial da Londres Fashion Week

Como colunista da Revista Aurora, acredito profundamente no poder das narrativas que nascem da vivência e da experiência real. É por isso que, para falar sobre o projeto desenvolvido pela UDESC em parceria com o RAMP e a UFSC, onde estudantes criaram looks adaptáveis para pessoas amputadas, faço questão de abrir espaço para uma voz que entende essa pauta de dentro para fora.

Convido Caroline Amarante, jornalista sensível, competente e uma importante voz da pessoa com deficiência, para compartilhar seu olhar sobre a iniciativa. Caroline não apenas relata o projeto, mas analisa sua relevância com profundidade, destacando o papel transformador das universidades na construção de uma moda mais inclusiva e consciente.

Sua contribuição reforça a importância de iniciativas que conectam educação, inovação e impacto social e amplia o debate sobre como formar profissionais preparados para desenhar um futuro mais acessível para todos.


A Universidade do Estado de Santa Catarina e a Samanta Bullock se unem com o curso de Moda para o projeto de moda inclusiva, com estudantes da 4ª fase, para a criação de roupas para pessoas amputadas do Hamp, do curso de Fisioterapia. Os melhores looks foram escolhidos para participar do Future of Fashion Snow, um desfile oficial no calendário da Londres Fashion Week, focado em moda inclusiva, diversidade e inovação.

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Professores e alunos no dia da palestra de apresentação do projeto (Foto: Arquivo pessoal)

Eu, como jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, Caroline Amarante, escrevi o meu trabalho de conclusão de curso com o tema moda inclusiva, em primeira pessoa, pois eu tenho deficiência física, uso muletas para a minha locomoção, tenho 27 anos e nasci prematura. Sou pequena e as roupas, por muitas vezes, acabam sendo da seção infantil. Tenho que procurar bastante para achar do meu tamanho e estilo. Já aconteceram episódios de ir para casa sem nada, ou comprar e ir à costureira fazer ajustes. Assisti à palestra sobre moda inclusiva com a Samanta Bullock, onde foi apresentado o projeto com os alunos do curso de Moda da UDESC.

Com o desfile de apresentação das peças finais na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, fiquei muito feliz em ver que a moda para as pessoas com deficiência está sendo vista por quem cria as roupas, os estudantes de design de moda, para que, no futuro, esses corpos com deficiência não sejam vistos como um público que não precisa ser colocado como consumidor na indústria da moda.

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Aplicação de botões de pressão na lateral do short, para a passagem da prótese e facilidade de abertura (Foto: Arquivo pessoal)

Alexandra da Silva, uma das alunas escolhidas, ressalta a importância da criação de uma peça de roupa: “Ter uma base teórica é fundamental”. A teoria é importante para estar preparado para a criação na prática. O processo de criação do projeto para uma pessoa amputada despertou em Alexandra os detalhes para criar uma peça inclusiva que nunca tinha pensado antes. A exclusão da indústria da moda desses corpos, que também precisam de vestes, ainda é atual, principalmente no Brasil.

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Testes de desenvolvimento dos mecanismos desenvolvidos para facilitar o uso com a prótese (Foto: Arquivo pessoal)

A moda é inclusiva, mas também sustentável, afirma Gabriela Oliveira sobre a criação da peça com roupas que já existiam, encontradas em brechó. “Desmanchamos todas as costuras e criamos um vestido verde estilo envelope”, diz Gabriela.

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Primeira prova de roupa para ajuste do vestido (Foto: Arquivo pessoal)

Gabriela ressalta que, para ela, o essencial para a criação de uma peça é abraçar as necessidades de quem irá vestir, e o propósito da moda inclusiva é exatamente esse: atender às necessidades do corpo com deficiência, para propor autonomia e conforto. A estética também deve ser vista como ponto para criação. Pessoas com deficiência também querem estar na “moda”. Existem marcas exclusivamente de moda inclusiva que colocam na ponta do lápis a usabilidade e o conforto, deixando a estética de lado. A roupa que vestimos tem que proporcionar autoestima e confiança.