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“Não aceitamos ser tratados como moleques, como republiqueta”, diz Lula após decisão dos EUA sobre PCC e CV

6/10/2026

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Lula durante evento em Manaus — Foto: Ricardo Stuckert / PR.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou na sexta-feira (29/05) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante discurso, Lula afirmou que a medida representa uma interferência em assuntos internos do Brasil e enviou um recado direto ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. "Não brinquem com a soberania deste país", declarou o presidente ao comentar a decisão anunciada por Washington.

Lula também reagiu às articulações de políticos brasileiros nos Estados Unidos e associou a medida à atuação do senador Flávio Bolsonaro junto a autoridades americanas. Sem citar apenas a decisão em si, o presidente criticou brasileiros que buscam apoio externo para pressionar o país. "Tem gente daqui que vai lá pedir para outro país se meter nos assuntos do Brasil", afirmou.

Ao defender a autonomia das instituições nacionais, Lula ressaltou que o combate às facções criminosas continuará sendo realizado pelas forças de segurança brasileiras. "Eles são criminosos aqui dentro e nós vamos combatê-los aqui dentro", disse. O presidente também reforçou que não aceita interferências externas na condução desse enfrentamento.

Em outro momento do discurso, Lula elevou o tom ao defender a soberania nacional. "O Brasil não é uma republiqueta. O Brasil não é uma república de bananas", declarou. Segundo ele, qualquer ação relacionada ao PCC e ao Comando Vermelho deve ser conduzida pelas autoridades brasileiras, sem interferência de governos estrangeiros.

Apesar das críticas à decisão americana, o presidente reiterou que seu governo continuará atuando contra o crime organizado, mas rejeitou a classificação das facções como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos, defendendo que cabe ao Brasil definir e aplicar os instrumentos legais adequados para combater esses grupos.

Nota do Governo Federal à Imprensa

O Governo Federal divulgou na sexta-feira (29/05) uma nota oficial em resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No comunicado, o Planalto afirmou que o Brasil mantém “compromisso firme no combate ao crime organizado transnacional”, mas ressaltou que “a soberania nacional é inegociável” e que o país “não admite ingerências externas sobre suas decisões internas”.

A manifestação ocorreu poucas horas após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciar novas medidas contra integrantes e financiadores ligados às facções brasileiras. Na nota, o governo destacou que PCC e CV são alvo permanente das forças de segurança nacionais e afirmou que o enfrentamento ao crime organizado continuará sendo conduzido pelas instituições brasileiras.

O texto também trouxe críticas indiretas à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos. O governo classificou como “deplorável” a iniciativa de brasileiros que buscaram apoio estrangeiro para pressionar o país e afirmou que qualquer tentativa de intervenção externa representa afronta à soberania nacional.

A reação do Planalto ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasília e Washington após a decisão americana. O governo brasileiro teme que a classificação das facções como organizações terroristas possa abrir espaço para sanções, impactos econômicos e questionamentos sobre a autonomia do Brasil no combate ao crime organizado.

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https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2026/05/nota-a-imprensa

O temor do Brasil

No meio diplomático, existe preocupação sobre possíveis consequências internacionais da decisão americana. O governo brasileiro teme aumento da pressão internacional sobre o país e possíveis justificativas para ações extraterritoriais dos EUA ligadas ao combate ao narcotráfico.

Especialistas apontam que a classificação pode abrir caminho para:

  • operações financeiras mais agressivas;
  • ampliação do monitoramento bancário;
  • aumento da atuação de agências americanas;
  • compartilhamento internacional de inteligência;
  • e sanções contra estruturas suspeitas de ligação com as facções.

A entrada formal do PCC e do Comando Vermelho na lista americana de Organizações Terroristas Estrangeiras deve ocorrer oficialmente em 5 de junho.