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O cerco a Cuba: a ditadura que está sendo estrangulada

6/12/2026

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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba.

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A pressão americana sobre o regime de Havana em ordem cronológica

O que é a GAESA e por que ela é o alvo

Para entender o que os EUA estão fazendo em Cuba, é preciso entender um nome: GAESA. O Grupo de Administração Empresarial é um conglomerado controlado diretamente pelas Forças Armadas Revolucionárias Cubanas.

Ele domina praticamente toda a economia da ilha — turismo, finanças, logística, comércio e infraestrutura. Estima-se que o grupo responda por cerca de 40% do PIB cubano. Quem controla a GAESA controla Cuba. E é exatamente esse o alvo de Washington.

A PRESSÃO CRESCENTE DOS EUA SOBRE CUBA

Janeiro de 2025 — Trump volta ao poder e recoloca Cuba na lista do terror

No primeiro dia de seu segundo mandato, Trump reverteu uma das últimas decisões de Biden e reinstaurou Cuba na lista de patrocinadores do terrorismo, reativando ao mesmo tempo a lista de entidades cubanas com as quais americanos estão proibidos de negociar. O recado foi imediato: o regime de Havana voltava a ser tratado como inimigo declarado dos Estados Unidos.

Fevereiro de 2025 — Rubio mira as missões médicas Cubanas

Marco Rubio anunciou a expansão das restrições de visto contra funcionários cubanos e estrangeiros ligados ao programa de exportação de mão de obra da ilha, em especial as missões médicas enviadas para dezenas de países. Para os EUA, o programa é uma forma de trabalho forçado: médicos cubanos enviados ao exterior recebem pouco ou nada, têm passaportes confiscados e enfrentam represálias caso tentem abandonar as missões. Rubio foi claro: "Nenhuma nação deveria enriquecer uma ditadura explorando seu próprio povo."

Julho de 2025 — Rubio sanciona o presidente cubano Díaz-Canel

O Departamento de Estado impôs sanções diplomáticas diretamente ao presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. A medida sinalizou que Washington não separava mais o regime de seus líderes — qualquer um no topo da cadeia de poder cubana estava na mira. O cerco deixava de ser apenas econômico e passava a ser pessoal.

Segundo semestre de 2025 — Bloqueio petrolífero começa a estrangular a ilha

A partir do segundo semestre de 2025, os EUA passaram a apertar o cerco no fornecimento de petróleo à ilha, pressionando países e empresas que vendiam combustível a Cuba. O resultado foi devastador: Cuba chegou a ficar três meses consecutivos sem receber uma gota de petróleo. Apagões prolongados, escassez de água, colapso do transporte público e deterioração da cesta básica passaram a fazer parte do cotidiano da população cubana.

29 de janeiro de 2026 — EUA transformam o bloqueio energético em lei

Trump assinou a Ordem Executiva 14.380, autorizando a imposição de tarifas punitivas contra qualquer país que fornecesse petróleo a Cuba direta ou indiretamente. A medida transformou o bloqueio energético em instrumento legal — qualquer nação ou empresa que continuasse abastecendo a ilha passaria a correr o risco concreto de enfrentar sanções americanas.

1 de maio de 2026 — Trump assina ordem executiva que amplia sanções a toda a economia cubana

Esta é a virada do jogo. Trump assinou a Ordem Executiva 14.404, ampliando radicalmente o alcance das sanções contra Cuba. O texto passou a autorizar punições contra qualquer pessoa ou empresa estrangeira que operasse em qualquer setor da economia cubana — energia, defesa, metais, mineração, serviços financeiros, segurança e turismo. O alvo central era a GAESA. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro (OFAC) estabeleceu 5 de junho como prazo final para que empresas estrangeiras rompessem seus vínculos com entidades ligadas ao conglomerado militar cubano — ou enfrentassem sanções.

Rubio declarou: "Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério."

7 de maio de 2026 — GAESA é sancionada diretamente

O Departamento do Tesouro incluiu a GAESA formalmente na lista de entidades sancionadas. Com isso, qualquer empresa do mundo que mantivesse negócios com o conglomerado militar cubano passava a estar sujeita a consequências imediatas: dificuldade de acesso ao sistema financeiro internacional, proibição de transações bancárias, congelamento de ativos e veto de viagens para acionistas e funcionários.

26 de maio de 2026 — Meliá anuncia saída de Cuba

A rede hoteleira espanhola Meliá, uma das maiores operadoras de turismo da ilha, anunciou o encerramento de suas operações em 15 hotéis administrados em parceria com a GAESA. A decisão foi uma consequência direta da ordem executiva de Trump. O turismo é uma das principais fontes de divisas de Cuba — e estava começando a desmoronar.

1 de junho de 2026 — Iberostar, Blue Diamond e gigantes do transporte marítimo deixam Cuba

A espanhola Iberostar e a canadense Blue Diamond Resorts anunciaram a retirada de suas operações nos hotéis vinculados à GAESA antes do prazo estabelecido por Washington. No mesmo período, as empresas de transporte marítimo CMA CGM e Hapag-Lloyd suspenderam todas as reservas de e para Cuba, colocando em risco até 60% do tráfego marítimo cubano em volume.

A mineradora canadense Sherritt International, o maior investimento estrangeiro em Cuba, também anunciou sua saída imediata da ilha.

3 de junho de 2026 — Cuba anuncia suspensão de Visa e Mastercard

O Banco Central de Cuba anunciou que o país suspenderia todas as transações com os cartões Visa e Mastercard a partir de 6 de junho. A decisão foi comunicada por um banco estrangeiro intermediário que informou o rompimento do vínculo com a FINCIMEX — braço financeiro da GAESA — em consequência direta da Ordem Executiva 14.404 de Trump. Com o rompimento, Cuba ficou impossibilitada de receber receitas da venda de bens e serviços por meio dos dois maiores cartões de pagamento do mundo.

Os únicos meios de pagamento internacionais que restaram na ilha foram o Mir, da Rússia, e o UnionPay, da China.

4 de junho de 2026 — EUA sancionam o presidente Díaz-Canel, a família Castro e empresas estratégicas

O Departamento do Tesouro publicou uma nova rodada de sanções econômicas mirando diretamente o topo do regime cubano. Foram incluídos na lista o presidente Miguel Díaz-Canel, sua esposa Lis Cuesta Peraza, seu filho Manuel Anido Custa, um filho e um neto do ex-presidente Raúl Castro — Alejandro Castro Espín e Raúl Alejandro Castro Calis — e o próprio Ministério das Forças Armadas Revolucionárias. Também foram sancionadas a Amistur Cuba, empresa de turismo da ilha, e a Minera la Victoria, joint venture de mineração de ouro ligada ao regime.

Rubio declarou que continuava "o desmantelamento do cartel militar que se apoderou de todo o poder econômico em Cuba em benefício de um pequeno círculo de elites do regime."

No mesmo dia, Trump foi ainda mais direto ao ser questionado por jornalistas: "Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã. Talvez seja possível investir lá."

5 de junho de 2026 — Prazo final expira. Cuba completamente isolada do sistema financeiro ocidental

O prazo dado pelo OFAC para que empresas estrangeiras rompessem vínculos com a GAESA expirou nesta sexta-feira. Com isso, qualquer empresa que ainda mantivesse relações com o conglomerado militar cubano passava a estar formalmente sujeita a sanções dos Estados Unidos. Cuba acordou neste dia sem Visa, sem Mastercard, sem as principais redes hoteleiras internacionais, sem as maiores transportadoras marítimas e sem fornecimento regular de petróleo.

O que isso significa na prática?

O cerco americano a Cuba não é apenas simbólico. É cirúrgico. Washington está cortando, uma por uma, todas as artérias financeiras e econômicas que sustentam o regime. O turismo, que era a principal fonte de dólares da ilha, está em colapso. O petróleo, que move a economia e a vida cotidiana dos cubanos, está bloqueado. Os cartões internacionais, que permitiam transações com o mundo, foram cortados. As empresas estrangeiras, que geravam empregos e divisas, estão saindo.

O regime de Havana sobreviveu por décadas a pressões americanas. Mas nunca enfrentou uma ofensiva tão coordenada, tão abrangente e tão rápida quanto esta. A pergunta que o mundo está fazendo é simples: por quanto tempo a ditadura cubana conseguirá resistir a partir do momento que o dinheiro parar de entrar?