Se eu não quero, eu não faço. E se eu não faço, eu não quero. Quanto menos eu quero, menos eu faço. E quanto menos eu faço, menos eu quero.
E não é preguiça. É como se a gente fosse entrando, devagarinho, em um ciclo de paralisia.
Quanto pior a gente se sente, menos energia tem. E quanto menos faz, pior se sente.
Na psicologia, isso tem nome: ciclo da inatividade e da desmotivação. Ele normalmente começa quando a gente está cansada, sobrecarregada, ansiosa, triste ou desanimada. Aí surgem pensamentos como “depois eu faço”, “hoje não”, “não vou dar conta”… e então a gente evita, adia, cancela, se afasta, para.
O problema é que a inatividade até traz um alívio imediato, mas depois costuma vir acompanhada de culpa, sensação de incapacidade e ainda mais desânimo. E o cérebro entende: “Está vendo? Você não consegue”. E o ciclo recomeça.
Quando eu não quero acordar cedo para treinar, quando eu não quero comer de forma saudável, tento lembrar desse ciclo. Tento lembrar que a motivação não vem antes da ação. Ela aparece depois que a gente começa.

Às vezes, a motivação não vem antes da ação. Ela aparece depois de um gesto simples: abrir a janela, levantar da cama, começar (Foto: Adobe Stock)
E, quando a gente consegue, a sensação muda. A gente se sente mais viva, mais disposta, com mais vontade de repetir aquilo outras vezes.
Mesmo quando não dá certo sempre, essa compreensão permanece na nossa cabeça. E a gente continua querendo tentar outra vez.
Talvez você esteja esperando a vontade, quando o que precisa é apenas de um pequeno começo.
Não de uma revolução. Não de perfeição. Só de um movimento pequeno. Possível. Humano.
Abrir a janela. Tomar banho. Dar uma volta. Mandar uma mensagem. Levantar da cama.
Nem sempre a motivação vem antes da ação. Geralmente, é a ação que se transforma no motor da motivação.
Em que área da sua vida você percebe que entrou nesse ciclo de inatividade e desmotivação? E qual seria um pequeno passo possível – não perfeito, apenas possível – que você poderia tentar dar ainda hoje?
Porque, no fim, talvez também seja assim:
Se eu quero, eu faço. E se eu faço, eu quero. Quanto mais eu quero, mais eu faço. E quanto mais eu faço, mais eu quero.



