Silêncio, privacidade, contato com a natureza e tempo para conhecer outras culturas passaram a ocupar um lugar central nas viagens de alto padrão. Na Ásia, essa busca encontra mosteiros entre montanhas, cidades históricas, paisagens vulcânicas, hotéis integrados ao ambiente e algumas das regiões marinhas mais ricas do planeta.
O movimento acompanha o crescimento do turismo no continente. Segundo levantamento divulgado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) em abril de 2026, a Ásia-Pacífico registrou a maior expansão do mundo em 2025. A contribuição do setor para o PIB regional cresceu 8,1% e chegou a US$ 3,29 trilhões.
Para Gabriel Leite, sócio-fundador da agência de viagens Singular Luxury Travel, o interesse também está ligado à variedade de experiências encontradas na região. “O luxo na Ásia combina autenticidade, hospitalidade, natureza, espiritualidade e experiências impossíveis de serem reproduzidas em qualquer outro lugar. São destinos que encantam justamente por oferecerem exclusividade sem abrir mão da identidade local”, afirma.
Confira sete destinos que ajudam a entender esse novo olhar sobre as viagens pelo continente.
Butão

Arquitetura tradicional entre campos e montanhas em Thimphu, capital do Butão (Foto: Pema Gyamtsho / Unsplash)
Entre as montanhas do Himalaia, o Butão preserva tradições budistas que fazem parte da rotina do país. Os roteiros costumam reunir visitas a templos, caminhadas, práticas de bem-estar e hospedagens de pequena escala.
Seu principal símbolo é o Paro Taktsang, conhecido como Ninho do Tigre. Construído sobre um penhasco, a cerca de 3 mil metros de altitude, o complexo de templos é alcançado por uma trilha com vista para o Vale de Paro. A caminhada exige preparo, mas conduz a um dos lugares mais importantes da tradição espiritual butanesa.
Vietnã

Um pavilhão entre as águas e as formações calcárias do Complexo Paisagístico de Tràng An, em Ninh Binh, no Vietnã (Foto: Rowan Heuvel / Unsplash)
O Vietnã reúne cidades movimentadas, praias, arrozais, patrimônio histórico e uma gastronomia marcada por diferentes influências regionais. Hanói preserva templos, mercados e parte da arquitetura do período colonial francês. Ho Chi Minh concentra a face mais urbana e acelerada do país.
No centro do território, Hoi An conserva a estrutura de um antigo porto comercial ativo entre os séculos 15 e 19. Reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, a cidade também é conhecida pelas lanternas, casas de madeira e alfaiatarias sob medida.
Ao sul, o Delta do Mekong revela uma paisagem de rios, canais, pequenas ilhas e mercados flutuantes. Já a Baía de Ha Long chama atenção pelas formações calcárias que surgem sobre a água.
Laos

Trabalhadora atravessa um arrozal ao pôr do sol, no Laos (Foto: Daf Jones / Unsplash)
O Laos ainda recebe um fluxo menor de visitantes em comparação com países vizinhos do Sudeste Asiático. A viagem tem ritmo mais lento, com paisagens montanhosas, comunidades ribeirinhas e tradições budistas presentes no cotidiano.
Luang Prabang é o principal ponto de partida. A antiga capital real foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO por reunir arquitetura tradicional laociana e construções do período colonial. Templos centenários, mercados noturnos e as cachoeiras de Kuang Si estão entre os destaques da região.
Coreia do Sul

Letreiros luminosos, restaurantes e lojas ocupam uma rua de Seul no início da noite (Foto: Sava Bobov / Unsplash)
A Coreia do Sul permite combinar cidades densas e tecnológicas com palácios, templos, montanhas e áreas costeiras. Em Seul, edifícios contemporâneos dividem espaço com complexos históricos, bairros comerciais, mercados e uma intensa vida cultural.
Busan apresenta outra paisagem, marcada por praias, montanhas e templos próximos ao mar. Para quem deseja sair dos grandes centros, a Ilha de Jeju reúne crateras, cones vulcânicos e extensos túneis de lava. Parte desse território integra a lista de Patrimônio Mundial Natural da UNESCO.
Taiwan

O Mercado Noturno de Raohe, em Taipé, reúne barracas de comida, comércio e parte da intensa vida noturna da cidade (Foto: Vernon Raineil Cenzon / Unsplash)
Taiwan combina tecnologia, templos, montanhas, fontes termais e uma forte cultura de mercados noturnos. Na capital, Taipé, barracas de comida dividem espaço com centros comerciais e edifícios contemporâneos.
O Taipei 101 continua sendo um dos símbolos da cidade. O prédio, que foi o mais alto do mundo entre 2004 e 2010, tem um observatório com vista panorâmica e abriga uma esfera metálica de 660 toneladas. O mecanismo ajuda a reduzir os movimentos provocados por ventos fortes e terremotos e pode ser visto pelos visitantes.
Indonésia

Vista aérea dos terraços de arroz de Tegallalang, próximos a Ubud, em Bali, na Indonésia (Foto: Jason Cooper / Unsplash)
Com milhares de ilhas, a Indonésia oferece roteiros muito diferentes entre si. Bali reúne templos, praias, arrozais e uma ampla estrutura de hospedagem. Komodo atrai viajantes interessados em navegação, mergulho e observação da vida selvagem.
Mais distante das rotas tradicionais, Raja Ampat ocupa uma área de ilhas calcárias e águas transparentes no leste do país. Localizada no Triângulo de Corais, a região abriga 553 espécies de corais registradas, segundo a Coral Triangle Initiative. A biodiversidade e a dificuldade de acesso fizeram do arquipélago um dos destinos mais procurados por mergulhadores experientes.
Maldivas

Praia da ilha de Kamadhoo, nas Maldivas, destino conhecido pelas águas transparentes e pela vida marinha (Foto: Aly Photography / Unsplash)
As Maldivas seguem como uma referência das viagens de alto padrão na Ásia. Os bangalôs sobre o mar continuam presentes, mas os roteiros passaram a reservar mais espaço para mergulho, observação da vida marinha, tratamentos de bem-estar e atividades ligadas à conservação ambiental.
A escolha da ilha e do hotel faz diferença. Há propriedades voltadas para famílias, casais, mergulhadores ou viajantes que procuram isolamento. Como os deslocamentos dependem de barcos e hidroaviões, o planejamento precisa considerar a localização de cada atol.
Os sete destinos apresentam culturas, paisagens e estruturas muito distintas. O ponto de encontro está na procura por viagens com tempo, privacidade e conexão com o lugar visitado. Na Ásia, o luxo assume formas diferentes, da caminhada até um mosteiro no Himalaia a alguns dias de navegação entre ilhas quase desabitadas.



