Comportamento

Quem é você fora dos stories?

Por
Jeni Sandzer

3/19/2026

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Entre filtros e stories, a pergunta permanece: quem somos quando a tela se apaga? (Foto: Canva)

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Uma reflexão sobre autenticidade, julgamento e a coragem de viver além das redes sociais

“Quem é você fora dos stories?”

Essa pergunta está bem ligada à saúde mental e a como a atual sociedade tenta maquiar o rosto “inadequado” com um filtro, um post sem inspiração real escrito pelo ChatGPT e uma sequência de stories cheia de uma “vida na correria”. Porque, se for menos que isso, parece não ter valor.

Quero transbordar essa pergunta hoje para um pouco além. Fora das redes sociais, nos permitimos ser vulneráveis ao julgamento alheio? E, se formos julgadas, isso derruba a autoconfiança e a autoestima?

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Jeni reflete sobre identidade, autenticidade e a vida para além das redes sociais (Foto: Acervo pessoal)

Para nós que trabalhamos com pessoas, seja fornecendo serviços ou organizando eventos, por exemplo, já percebemos que existe uma crescente demanda por eventos presenciais. Ok. Mas, quando você é chamada para ir a um, quais são os critérios para você não ir? Nem vou me aprofundar na questão de distância, custo, deslocamento ou disponibilidade de agenda. Aqui vou me ater ao que realmente importa: sua capacidade de suportar o julgamento alheio.

Se você for, vai ser vista por outros seres humanos, com conceitos, pré-julgamentos e ideias sobre o mundo, inclusive sobre você. E o medo de não ser perfeita, adequada ou minimamente de pertencer pode paralisar a disponibilidade em ir.

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Encontros presenciais têm se tornado espaços importantes de troca e reflexão entre mulheres (Foto: Acervo pessoal)

O julgamento impede o movimento. Já percebeu isso?

Esse medo de ser inadequada, excluída ou rejeitada nos expõe a um risco maior: o de não viver com autenticidade, o de perder tempo de vida e o de ser cronicamente autocrítica e triste. O desejo de se encaixar em um padrão é tão grande que pode acabar anulando e apagando o que cada um tem de mais único e potente.

Certa vez ouvi de outra mulher que eu era feliz demais, ria demais. Que ela estava impressionada e que algo devia estar errado comigo, porque ninguém que ela conhecia era assim. Não era possível existir alguém assim, tão feliz e leve com a vida.

Logo pensei que vida triste e pequena ela devia ter para se incomodar assim com a felicidade alheia e ainda ter a coragem de externalizar isso dessa maneira.

Pelo fato de eu ter recebido essa fala, que veio com tom de “elogio”, e não ter mudado quem eu sou, isso me confirma que minha autenticidade de fato transborda para outras mulheres. Quer elas queiram, quer não.

Isso faz com que elas olhem para si mesmas e escolham um desses caminhos. O de me criticar e, na verdade, se manter “escondida” na normose. Ou o de experimentar também ser assim, aquela mulher “diferentona” e autêntica, e bancar quem ela é.

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A vida fora das telas acontece nos encontros, nas trocas e nos espaços compartilhados (Foto: Acervo pessoal)

Meu convite hoje para você é se permitir ser vulnerável e passar pelo julgamento alheio com a percepção de que o que o outro pensa de você pertence tão e somente a ele.

Muitas vezes nem chega de fato até você. Porque quem está julgando o outro dificilmente tem coragem de expor o que pensa ao sujeito julgado, assim como aquela mulher teve coragem de falar comigo.

E mesmo que ela tenha falado, o julgamento dela não grudou em mim. Eu não comprei aquilo como meu, porque não acredito no que foi dito. Eu não julgo mais quem eu sou.

Cada dia mais me permito ser uma mulher diferentona, que ri demais, que é feliz, porque sim.

Seja você também.

É como diz no filme Up Altas Aventuras. A aventura está lá fora. Vá e viva as suas, independentemente dos julgamentos que receber.

Só fica em você o que você também já pensava de si mesma.

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Viver com autenticidade também é permitir-se estar no mundo real, para além das narrativas digitais (Foto: Acervo pessoal)

O mundo merece ver você transbordando alegria, feminilidade e autenticidade, vivendo sua vida nos seus termos.

Vá para eventos presenciais se permitindo receber surpresas e presentes do universo. Ele está pronto para te surpreender.

Você está pronta para receber?