Viagem

Sérvia: menos para ver, mais para viver

8/8/2026

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Vista da margem do rio Sava revela diferentes camadas de Belgrado, cidade que combina história, vida urbana e novos projetos de desenvolvimento (Foto: Getty Images)

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Belgrado talvez não impressione à primeira vista. Mas basta desacelerar para descobrir que sua maior riqueza está na forma como as pessoas vivem a cidade

Há cidades que nos conquistam no primeiro olhar e outras exigem tempo e convivência para nos conquistar. Existem lugares que nos fazem levantar a câmera porque impressionam pela beleza, e outros que nos fazem dispensar as fotos para aproveitar a vida que pulsa entre seus habitantes. Belgrado pertence ao segundo grupo.

Depois da elegância quase perfeita de Budapeste, Belgrado parece, à primeira vista, uma cidade sem grandes pretensões. Não exibe fachadas impecáveis nem impressiona os visitantes com arquitetura e monumentalidade. Ela parece dizer: "Sente-se, me observe e depois conversamos."

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Às margens do rio Sava, o calçadão do Belgrade Waterfront é um dos espaços mais frequentados por moradores e visitantes para caminhar, encontrar amigos e aproveitar a cidade ao ar livre (Foto: Acervo pessoal)

E foi exatamente isso que fizemos. Aos poucos, percebemos que Belgrado não é uma cidade feita para ser consumida em um roteiro de atrações, mas um lugar para ser vivido.

Os cafés permanecem cheios por horas, os restaurantes transbordam de conversas, famílias ocupam parques, casais caminham à beira dos rios, amigos transformam um simples jantar em um encontro que atravessa a noite. Há um prazer evidente em estar junto, como se o tempo ainda pudesse ser saboreado.

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O interior do Templo de São Sava impressiona pelos mosaicos monumentais e está entre os principais marcos religiosos e arquitetônicos da Sérvia (Foto: Acervo pessoal)

Mas Belgrado também não esconde sua história. Em alguns pontos da cidade, edifícios permanecem marcados pelos bombardeios de 1999 e são intencionalmente mantidos sem restauração, para que sirvam de testemunhas de que a guerra não merece ser esquecida, mas também não deve ser repetida.

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As ruínas do antigo edifício do Estado-Maior do Exército, danificado durante os bombardeios da OTAN em 1999, permanecem preservadas como memória de um dos períodos mais difíceis da história recente da Sérvia (Foto: Acervo pessoal)

Ao mesmo tempo, dezenas de guindastes desenham um novo horizonte. A cidade cresce, constrói, investe e se prepara para o amanhã. Passado e futuro convivem na mesma paisagem, sem que um apague o outro.

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O complexo Galerija Belgrade integra a renovação da área do Belgrade Waterfront e simboliza a transformação urbana vivida pela capital sérvia nos últimos anos (Foto: Acervo pessoal)

Não demorei para compreender que a maior beleza de Belgrado não está nas fortalezas, nas igrejas ou nas praças, mas na sua gente. Pessoas que vivem intensamente e aproveitam a própria cidade com uma naturalidade quase contagiante.

A Sérvia não foi o lugar mais bonito que visitei. Longe disso. Mas, como sou gente que gosta de gente, com certeza foi um dos mais legais por onde passei.