Design & Arquitetura

A nova beleza dos espaços imperfeitos

Por
Eliene Lucindo

11/30/2025

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Sala integrada com elementos artesanais e materiais brutos: pedra, palha e madeira compõem um cenário de autenticidade e conforto visual. Um espaço que valoriza o feito à mão e o design afetivo (Foto: Divulgação)

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Em um mundo saturado pelo virtual, o design de interiores celebra o toque, a textura e a autenticidade, transformando a imperfeição em sinônimo de beleza e humanidade

Após anos de ambientes ultra perfeitos, com renderizações impecáveis e cenários digitais pensados para fotos, surge uma tendência que privilegia a humanidade: a beleza dos espaços imperfeitos. Em 2026/2027, o design de interiores retorna ao toque, à textura e à autenticidade, celebrando falhas e marcas do tempo como elementos de valor.

O que chamamos de “retorno do humano” é, na verdade, uma reação à saturação digital. O excesso de imagens hiper-realistas e feeds coreografados despertou uma necessidade de experiências reais: materiais que convidam ao toque, peças que contam histórias e ambientes que parecem ter sido moldados pelas mãos de quem os habita. O resultado é um design afetivo, capaz de gerar memórias, pertencimento e conexão emocional.

A neuroarquitetura mostra que superfícies táteis, assimetrias e texturas naturais ativam áreas cerebrais ligadas à confiança e à memória. Assim, a imperfeição deixa de ser um detalhe estético para se tornar uma estratégia de engajamento — seja em residências, lojas ou restaurantes. Um piso de madeira bruta, uma parede de argamassa aparente ou móveis com bordas irregulares transformam o ambiente em algo único, acolhedor e memorável.

Peças artesanais, o mix de antigo e contemporâneo e o conceito japonês de Wabi-Sabi ganham protagonismo. Cada marca, cada arranhão e cada nuance de cor revela autenticidade. Não se trata de descuido; a imperfeição é intencional, pensada para reforçar narrativa, estética e experiência sensorial. Ambientes assim convidam ao toque, prolongam a permanência e constroem uma memória afetiva.

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Ambiente iluminado com mobiliário em madeira e fibras naturais, onde texturas e tons neutros se equilibram com o verde das plantas. Um convite ao toque e à calma — a estética da imperfeição em sua forma mais leve e acolhedora (Foto: Divulgação) 

Para aplicar essa tendência sem cair no afetação, basta algumas estratégias simples: investir em superfícies palpáveis, peças artesanais, iluminação que destaque texturas, camadas de luz que revelem profundidade e mistura de eras e estilos. A imperfeição, quando autêntica, não apenas humaniza o espaço, como também cria valor percebido e diferencia a marca ou residência no mercado.

A beleza dos espaços imperfeitos é, portanto, mais que uma tendência estética: é uma evolução. Em um mundo saturado pelo virtual, projetar para o toque é projetar para a humanidade — trazendo memória, emoção e autenticidade para cada canto. O imperfeito, enfim, se torna irresistível.

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Texturas orgânicas, madeira natural e superfícies irregulares criam um ambiente que valoriza o toque e a autenticidade. A estética imperfeita revela o encontro entre o design sensorial e a essência humana (Foto: Adobe Stock)

A beleza que nos aproxima

A beleza dos espaços imperfeitos não é uma negação da estética; é uma evolução. É admitir que o humano, com suas mãos, erros e memórias, é a ferramenta mais sofisticada do design. Em um mundo onde o virtual seduz, projetar para o toque é projetar para a humanidade. E isso, em 2026/2027, vale mais do que nunca.