Em um cenário global dominado por algoritmos, tendências instantâneas e disputas virais, o consumo musical no Brasil em 2025 seguiu um caminho surpreendentemente íntimo: ouvir o que é nosso e ouvir junto. Um levantamento exclusivo da Pro-Música Brasil, entidade que representa as principais gravadoras e produtoras fonográficas do país, revela que 94% das 50 músicas mais tocadas no país ao longo do ano são nacionais, um dado que não apenas confirma a força da produção local, mas também aponta para escolhas guiadas por identidade, afeto e experiência coletiva.
Depois de sete anos consecutivos com o sertanejo liderando o ranking anual, o topo voltou a ser ocupado por outro gênero profundamente ligado à sociabilidade brasileira: o pagode. A música mais ouvida de 2025 foi P Do Pecado (Ao Vivo), do Grupo Menos é Mais, com participação de Simone Mendes. O pódio se completa com Tubarões (Ao Vivo), de Diego & Victor Hugo, e Coração Partido (Corazón Partío) (Ao Vivo), novamente com o Grupo Menos é Mais, um retrato claro de como a emoção compartilhada e o coro coletivo seguem sendo motores do sucesso.
A presença do pagode no primeiro lugar não representa uma ruptura, mas uma ampliação do mapa afetivo da música popular brasileira. O restante do Top 10 reforça essa diversidade: três faixas da música urbana (entre trap e funk), três sertanejas e uma de forró, indicando um consumo cada vez menos restrito a um único gênero dominante e mais aberto à convivência entre estilos, ritmos e públicos.
Outro dado que salta aos ouvidos é a força das gravações ao vivo. Mais da metade das músicas presentes no Top 50 — 27 faixas — foram registradas em shows, com destaque especial para o sertanejo. Em um ambiente digital frequentemente associado à busca por perfeição técnica, o público brasileiro parece priorizar a vibração do palco, os erros sutis, os coros espontâneos e a sensação de presença. O sucesso dessas gravações sugere que o streaming, longe de afastar o público da experiência coletiva, tornou-se também um meio de prolongá-la.

Gravações ao vivo dominam o ranking das músicas mais tocadas em 2025, evidenciando a força da experiência coletiva e da emoção dos palcos no consumo musical (Foto: Adobe Stock)
A lógica colaborativa é outro traço marcante do ranking. Funk e música urbana se destacam pelo grande número de faixas com múltiplos artistas e participações especiais, refletindo uma dinâmica criativa baseada em trocas constantes, circulação de públicos e construção conjunta de relevância. Ao mesmo tempo, ritmos como arrocha, piseiro e outras expressões regionais seguem ampliando seu espaço no mainstream, confirmando que o consumo musical brasileiro se constrói a partir de múltiplos centros e não mais de um eixo único.
Entre os artistas com maior presença no ranking estão o Grupo Menos é Mais e a dupla Henrique & Juliano, com cinco músicas cada. Simone Mendes aparece logo atrás, com quatro faixas, reforçando seu protagonismo tanto em carreira solo quanto em colaborações que atravessam gêneros e públicos distintos.

O Grupo Menos é Mais lidera o ranking das músicas mais tocadas no Brasil em 2025, com destaque para o sucesso “P do Pecado (Ao Vivo)” (Foto: WikiCommons)
Das 50 músicas mais tocadas em 2025, apenas três são internacionais: Die With A Smile, de Lady Gaga & Bruno Mars (14º lugar), Ordinary, de Alex Warren (47º), e Lose Control, de Teddy Swims (48º). Em um mercado globalizado, o dado chama atenção não como fechamento ao mundo, mas como afirmação de uma cena local robusta, capaz de dialogar com o global sem perder centralidade em seu próprio território.
O levantamento da Pro-Música, compilado pela BMAT, é o único no país a combinar e ponderar dados de todas as principais plataformas de streaming — Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster. Mais do que um ranking, ele oferece um retrato preciso de como o Brasil escuta, sente e compartilha música hoje.
Em 2025, o play foi apertado para aquilo que reúne, emociona e reconhece. Um Brasil que canta junto e, sempre que possível, ao vivo.


