Comportamento

Compensação Ambiental: mais que obrigação, um chamado à regeneração

Por
Alexandre Chut

11/30/2025

Article banner

A arborização urbana é essencial para reduzir ilhas de calor, melhorar o microclima e aumentar a qualidade de vida nas cidades (Foto: Envato)

X logo

A retirada de uma árvore adulta é uma perda irreversível no presente e a compensação ambiental precisa ser encarada como oportunidade de regeneração, educação e cuidado contínuo

Quando uma árvore adulta e consolidada é retirada, algo precioso se perde: sombra, vida, história, equilíbrio. Por isso existe a compensação ambiental — um instrumento legal que obriga empreendimentos a plantarem novas mudas ou restaurarem áreas verdes para repor o impacto causado na natureza.

Mas precisamos ir além da obrigação.

É urgente transformar cada supressão em uma oportunidade real de regenerar. E isso, na prática, é muito mais complexo do que parece no papel.

Cada muda plantada é uma promessa para o futuro: de ar mais puro, de solo mais vivo, de cidades mais frescas e de florestas mais fortes.

Hoje, mais do que nunca, é essencial ampliarmos nossas áreas florestais:
• no campo, recuperando nascentes, encostas, reservas e, especialmente, as matas ciliares;
• na cidade, criando avenidas arborizadas, calçadas ecológicas, parques, praças, corredores verdes e jardins que acolham a avifauna.

Restaurar florestas não significa apenas compensar o que foi perdido.

Árvores adultas desempenham funções ecológicas e climáticas que o ser humano não consegue substituir. E cada compensação envolve um lapso de tempo de duas a três décadas até que novas árvores consigam exercer plenamente essas funções.

Post image

Mudas plantadas hoje levarão décadas para desempenhar plenamente as funções ecológicas de uma árvore adulta (Foto: Envato)

Plantar árvores é investir na vida, na saúde do planeta e na qualidade dos lugares onde vivemos. E posso afirmar com propriedade: plantei muitas árvores — e muitas delas vieram justamente de processos de compensação ambiental. Criei áreas verdes em locais inóspitos há décadas, e por isso conheço bem as duas faces da equação: suprimir árvores versus replantar.

Que cada poda, cada corte e cada obra inspirem mais cuidado, mais consciência — e mais árvores.

Porque o futuro é verde. Ele começa tanto com o que plantamos hoje quanto com o que foi plantado por gerações antes de nós. E isso é insubstituível.

Pessoalmente, faço de tudo para não cortar uma única árvore. Sei que, mesmo plantando outra no lugar, sua função só será integralmente reposta muitos anos depois — e isso depende da espécie, do plantio e dos cuidados.

Desde os anos 1980, tenho investido em plantios de árvores em mutirões com comunidades, empresas, governos, veículos de comunicação e campanhas educativas — sempre com o objetivo de incutir, em todos os setores da população, a importância de preservar e plantar mais. Foram mais de 22 países, centenas de plantios e mobilizações. E espero ultrapassar a marca de 3 milhões de árvores ainda nesta década.

Post image

Cada muda plantada exige anos de cuidado, educação ambiental e acompanhamento constante (Foto: Envato)

Minha estratégia como plantador sempre foi multiplicar: se retiram 10 árvores e replantam 25 mudas, eu quadruplico — e planto mais de 100 mudas de qualidade. Exagero mesmo nos plantios, independentemente do contexto. Sempre mais árvores.

E, além do plantio, minha estratégia inclui Educação Ambiental como ferramenta central para conscientizar e preparar novas gerações — que, nas futuras lideranças, precisarão preservar e ampliar ao máximo nosso Meio Ambiente.

O cuidado nunca é demais. São anos de acompanhamento dessas mudas, que muitas vezes podem morrer pelo caminho. Ou seja: plantar, educar e cuidar.

Peço que estudem mais sobre o tema. Entendam a função de uma árvore adulta, de um bosque, de uma floresta.

Tudo de bom