Entre 9 e 12 de abril, a SPArte ocupou o Pavilhão da Bienal em uma edição que reforça que o design deixou de ser apêndice decorativo para assumir papel central no mercado de arte contemporânea.
Se, por um lado, as galerias mantêm o peso comercial, por outro, o crescimento consistente do design, mais autoral, colecionável e conceitual, foi um dos eixos mais visíveis. A criação de espaços dedicados à produção contemporânea consolida essa virada.
Além da arte, grandes nomes do design nacional passam a ocupar espaço nas exposições. É nesse contexto que a Tidelli apresentou a coleção Jasmine, um lançamento que sintetiza o cruzamento entre arte, design e indústria.
Desenvolvida em parceria com os designers italianos Valerio Sommella e Simone Bonanni, a linha parte de uma lógica clara: mobiliário como linguagem escultórica. As peças exploram formas orgânicas inspiradas no jasmim, com desenho contínuo e fluido, buscando equilíbrio entre leveza visual e presença no espaço .
O lançamento também marca uma inflexão técnica relevante, com a introdução das cordas bouclé, um material desenvolvido internamente, de textura mais densa e acabamento fosco, que amplia o repertório sensorial sem comprometer a resistência e durabilidade.
Mais do que detalhe técnico, a inovação aponta um movimento estratégico que busca aproximar o mobiliário outdoor de uma estética mais têxtil e sofisticada, capaz de transitar entre interior e exterior. “Estamos trazendo cores e texturas mais envolventes, que permitem que os móveis transitem melhor entre diferentes ambientes, tanto externos quanto internos”, diz Luciano Mandelli, presidente da Tidelli.
Árvores como inspiração
Ainda no âmbito do design, a edição da SP-Arte também propõe uma reflexão sobre matérias-primas, natureza e história. A mostra Existe uma Árvore, assinada pela curadora Livia Debbane, apresenta uma leitura do mobiliário moderno e contemporâneo brasileiro a partir das árvores do território nacional.

Cadeira baixa, de Joaquim Tenreiro, de 1950, é uma das obras da mostra “Existe uma Árvore” (Foto: Divulgação)
Essa edição deixa claro que o deslocamento não é pontual. O design brasileiro, quando ancorado em repertório, pesquisa e capacidade produtiva, passa a disputar espaço simbólico com a arte contemporânea. E, nesse cenário, quem traduz identidade em objeto deixa de expor e passa a ocupar.


