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Dor de cabeça constante pode ser enxaqueca não diagnosticada

Por
Redação

5/14/2026

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Dores recorrentes muitas vezes passam despercebidas na rotina de trabalho (Foto: Adobe Stock)

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Levantamento indica que milhões de brasileiros convivem com sintomas sem acompanhamento médico e tratam a dor como algo pontual

Dor de cabeça faz parte da rotina de muita gente. Aparece no meio do dia, melhora com um remédio e, em geral, não vira assunto. O problema é quando isso se repete com frequência e começa a interferir na rotina. Nesses casos, pode não ser apenas um episódio isolado.

Um levantamento do estudo “Radar da Enxaqueca no Brasil”, conduzido pela Teva em parceria com a Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca, aponta que o país tem cerca de 23 milhões de pessoas com diagnóstico de enxaqueca e outras 27 milhões que podem conviver com a doença sem saber.

A enxaqueca é uma condição neurológica que exige acompanhamento, mas isso ainda está longe de ser a realidade. Cerca de 64% dos pacientes afirmam usar medicamentos sem prescrição , e aproximadamente 70% dizem não fazer acompanhamento médico regular.

Isso ajuda a explicar por que a doença segue subdiagnosticada. A dor é tratada no momento em que aparece, mas não investigada como parte de um padrão.

Entre os pacientes diagnosticados, a intensidade média da dor é de 5,9 em uma escala de zero a dez, e as crises podem durar cerca de 15 horas . O impacto vai além do desconforto: mais de 60% relatam queda frequente de produtividade no trabalho ou nos estudos.

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Excesso de estímulos e rotina intensa podem agravar episódios de dor de cabeça (Foto: Adobe Stock)

Há também diferenças importantes de perfil. As mulheres são maioria entre os diagnosticados, representando cerca de 75% dos casos, e seguem predominantes entre aqueles com sintomas sem diagnóstico . Ao mesmo tempo, mais de 80% das pessoas sem diagnóstico pertencem às classes C, D e E, o que aponta para barreiras de acesso à saúde.

Regionalmente, o Nordeste concentra maior proporção de pessoas sem diagnóstico, enquanto o Sudeste reúne mais casos identificados, o que reforça a relação entre acesso a serviços e confirmação da doença.

Outro ponto recorrente é o impacto no ambiente de trabalho. Muitos pacientes relatam medo de represálias e continuam trabalhando mesmo durante as crises, o que contribui para o desgaste ao longo do tempo.

A enxaqueca não é rara nem eventual. É uma condição comum, com potencial incapacitante, que ainda costuma ser tratada como algo passageiro.

Quando a dor se torna frequente, dura horas e começa a afetar a rotina, vale investigar. Sem diagnóstico, o tratamento tende a ser limitado ao alívio imediato e não ao controle da doença.