Comportamento

Estamos conhecendo pessoas ou interpretando perfis?

7/21/2026

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Antes mesmo do primeiro encontro, muitas pessoas recorrem às redes sociais para descobrir mais sobre quem acabaram de conhecer (Foto: Adobe Stock)

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Antes mesmo da primeira conversa, já sabemos onde alguém viajou, o que escuta e quais opiniões compartilha. Mas será que informação é a mesma coisa que conhecer uma pessoa?

Você conhece alguém, troca algumas mensagens e, antes mesmo de marcar um café, já sabe onde essa pessoa passou as férias, que música escuta, onde trabalha, quais restaurantes frequenta e até algumas das suas opiniões. Quando o encontro finalmente acontece, existe uma sensação curiosa: parece que vocês já se conhecem. Mas será que conhecem mesmo?

As redes sociais mudaram a forma como nos aproximamos das pessoas. Elas encurtaram distâncias, ampliaram possibilidades e também trouxeram mais segurança. Hoje é natural querer saber um pouco mais sobre alguém antes de encontrá-lo pela primeira vez. O problema talvez não seja pesquisar. O problema é acreditar que já sabemos quem aquela pessoa é.

A ciência ajuda a entender esse comportamento. Um estudo publicado em 2025 na revista Frontiers in Communication, realizado por pesquisadores da Kennesaw State University e da University of Maryland, mostrou que fatores como a qualidade das fotos, a quantidade de imagens e até o uso de filtros influenciam a impressão que formamos antes da primeira conversa.

Outra pesquisa, publicada no mesmo ano no Journal of Media Psychology, pela pesquisadora Megan A. Vendemia, da West Virginia University, mostrou que as pessoas procuram sinais de autenticidade nos perfis e tendem a confiar mais quando conseguem confirmar informações em outras redes sociais.

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Características como escuta, empatia e senso de humor só aparecem na convivência, muito além do que um perfil consegue mostrar (Foto: Adobe Stock)

Faz sentido. Todos tentamos entender quem está do outro lado da tela. Mas um perfil nunca conta a história inteira. Ele mostra o que alguém escolheu compartilhar. As melhores fotos. Algumas conquistas. Certos momentos. Até quando somos espontâneos, fazemos escolhas sobre o que queremos mostrar e o que preferimos guardar.

Conhecer alguém continua sendo outra coisa. Nenhuma rede social revela o jeito de ouvir, o senso de humor, a forma como alguém trata as pessoas ou reage quando algo não sai como esperava. Essas descobertas ainda dependem de convivência.

Outro estudo publicado em 2025, na revista Personality and Social Psychology Bulletin, mostrou que usuários de aplicativos de relacionamento procuram transmitir uma imagem positiva de si mesmos, mas também desejam parecer autênticos. A maioria não cria um personagem. Apenas apresenta primeiro aquilo que considera mais interessante.

Talvez por isso tantas pessoas sintam que conhecem alguém e, ao vivo, descubram uma pessoa completamente diferente. Às vezes a surpresa decepciona. Outras vezes, encanta.

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Aplicativos de relacionamento mudaram a forma como muitas pessoas iniciam conexões, mas um perfil revela apenas parte da história (Foto: Adobe Stock)

Pesquisadores também passaram a falar em dating fatigue, ou fadiga dos aplicativos de relacionamento. Em artigo publicado em 2025 na revista SN Social Sciences, eles descrevem o desgaste provocado pelo excesso de opções e pela necessidade constante de avaliar pessoas. Quando tudo vira comparação, fica mais difícil construir conexões.

Talvez estejamos confundindo informação com conhecimento. Saber onde alguém viajou, o que escuta ou o que publica não significa conhecer sua história. Nem seu jeito de olhar, de rir, de discordar ou de acolher. Essas coisas continuam aparecendo do mesmo jeito de sempre: aos poucos. E talvez seja aí que mora o encanto de conhecer alguém. Não em descobrir tudo antes da hora, mas em deixar espaço para ser surpreendido.