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EUA avançam para classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e elevam pressão sobre o Brasil

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4/28/2026

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Imagem: Divulgação/Folhapress

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Recado foi dado de forma reservada ao Banco Central e pode ampliar bloqueios financeiros globais, enquanto governo brasileiro resiste à medida por risco à soberania e impactos econômicos

O governo dos Estados Unidos enviou um recado direto ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre uma ofensiva que pretende avançar contra duas das principais facções criminosas brasileiras: o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

O contato aconteceu recentemente durante uma reunião institucional realizada de forma reservada, sem divulgação pública prévia, entre autoridades financeiras e representantes do governo americano e do Banco Central brasileiro. Não se tratou de anúncio em coletiva nem de comunicação oficial aberta, mas de um diálogo direto dentro de canais diplomáticos e técnicos.

Nesse encontro, autoridades americanas informaram que Washington caminha para classificar esses grupos como organizações terroristas estrangeiras, mesmo diante da resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O argumento do Departamento de Estado dos Estados Unidos é que essas facções movimentam grandes volumes de dinheiro por meio de esquemas de lavagem, e que uma classificação mais dura permitiria bloquear essas operações com mais eficiência.

Na prática, o que está em discussão é a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas estrangeiras, conhecidas como FTOs. A informação foi divulgada inicialmente pelo The New York Times e rapidamente ganhou repercussão por envolver diretamente o sistema financeiro internacional.

O aviso feito com antecedência ao Banco Central brasileiro foi tratado como um gesto incomum. Autoridades americanas consideraram isso uma espécie de deferência ao Brasil, já que esse tipo de decisão costuma ser tomada sem comunicação prévia. Um exemplo citado é o México, que não foi avisado antes de ter cartéis classificados como organizações terroristas pela Casa Branca.

Caso essa classificação avance, o impacto tende a ser imediato. O enquadramento como organização terrorista ativa mecanismos mais rígidos do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, permitindo o congelamento de ativos em território americano e proibindo qualquer tipo de apoio financeiro ou material por parte de pessoas e empresas sob jurisdição dos EUA. Na prática, isso cria barreiras significativas para o uso do sistema bancário global por essas facções.

Nos bastidores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro atuaram para reforçar essa visão junto ao governo americano. O senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, onde se reuniu presencialmente com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado ao longo das últimas semanas, também no início de abril de 2026. Nessas reuniões, foi apresentado um relatório com informações sobre a atuação das facções, incluindo pontos ligados a tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

De acordo com a leitura do próprio The New York Times, esse movimento também tem impacto no cenário político brasileiro, já que pode fortalecer a posição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência em uma disputa contra Lula.

Do lado brasileiro, o governo vê a situação com cautela. A preocupação central é que essa classificação abra espaço para medidas externas que possam afetar a soberania nacional, além de possíveis reflexos na economia e até no setor de turismo. A avaliação do Palácio do Planalto é de que PCC e CV são organizações criminosas com foco econômico, sem motivação política ou ideológica, um ponto considerado essencial para caracterizar terrorismo dentro da legislação brasileira.

Esse tema também entrou na agenda diplomática no dia 12 de abril de 2026, quando o chanceler Mauro Vieira discutiu o assunto com o secretário de Estado Marco Rubio durante um encontro na França, à margem de uma reunião do G7. Diante da pressão, o governo brasileiro sinalizou disposição para cooperar no combate internacional ao crime, mas sem apoiar, até o momento, a classificação das facções como terroristas.

Essa possível decisão faz parte de uma estratégia mais ampla do governo de Donald Trump de endurecer o combate ao tráfico internacional na América Latina, ampliando o uso de mecanismos financeiros e jurídicos para atingir organizações consideradas de alto impacto.