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Juliano Cazarré propõe evento para formar homens e enfrenta onda de críticas de artistas

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4/28/2026

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O ator conservador e defensor da família, vem sofrendo cancelamento de colegas globais através de comentários públicos nas redes sociais

No dia (13/04), o ator Juliano Cazarré anunciou um evento chamado “O Farol e a Forja”, voltado exclusivamente para homens e com uma proposta que, à primeira vista, parecia simples: reunir participantes para conversar sobre responsabilidade, família, espiritualidade, disciplina e saúde emocional. O evento tem programação de três dias, entre 24 e 26 de julho, em São Paulo.

O primeiro dia será dedicado à vida profissional e ao legado; o segundo abordará temas como família, paternidade e cultura; enquanto o terceiro terá foco espiritual, incluindo missas, orações e o que foi descrito como "batalha espiritual". Até aí, nada tudo tranquilo. Porém, após iniciar a divulgação do projeto, Cazarré virou alvo de comentários negativos na web, alguns partindo de colegas de profissão.

O artista declaradamente conservador, criou a proposta pensando no "enfraquecimento dos homens" na sociedade atual. Ciente de que a ideia teria uma repercussão negativa, o texto da divulgação já dizia: "Ele sabia que ia apanhar. E criou esse evento mesmo assim".

A ideia, segundo Juliano, era criar um espaço onde homens pudessem refletir sobre o próprio comportamento, reconhecer falhas e buscar amadurecimento, não no sentido de impor autoridade, mas de assumir presença, compromisso e responsabilidade dentro da própria vida e das relações. O nome do evento carrega esse simbolismo: o “FAROL” como direção, como guia moral; e a “FORJA” como processo de transformação, onde o indivíduo é moldado ao longo do tempo.

Mas o que poderia ter sido apenas mais um projeto pessoal rapidamente ganhou outra dimensão. Em poucas horas, o anúncio saiu do campo individual e virou alvo de críticas públicas, principalmente por parte de artistas e figuras conhecidas. O debate se espalhou nas redes sociais e tomou proporções muito maiores do que o próprio evento.

Críticas

A atriz Marjorie Estiano afirmou que o discurso apresentado por Cazarré não é novo e que, historicamente, já esteve associado a ideias que sustentaram desigualdades e violência. Para ela, esse tipo de narrativa precisa ser observado com cuidado, especialmente em um país onde os índices de violência contra a mulher seguem altos.

Na mesma linha, Elisa Lucinda classificou a proposta como um retrocesso, argumentando que iniciativas assim podem ir na contramão de avanços sociais já conquistados. Outros nomes, como Paulo Betti, Guta Stresser e Julia Lemmertz, também se manifestaram, cada um à sua maneira, reforçando o incômodo com a abordagem do ator. Já Claudia Abreu trouxe um ponto ainda mais direto ao lembrar o contexto atual do país, marcado por números elevados de feminicídio, o que torna qualquer discussão sobre masculinidade ainda mais sensível.

Apoio

Ao mesmo tempo, nem todos reagiram negativamente. Houve quem defendesse a proposta, argumentando que incentivar homens a se tornarem mais conscientes, emocionalmente presentes e responsáveis não deveria ser visto como um problema. A atriz Juliana Knust, por exemplo, saiu em defesa do projeto e destacou a importância de existirem espaços onde homens possam discutir suas próprias questões sem que isso seja automaticamente interpretado como algo negativo.

O que ficou evidente é que a reação não se limitou apenas ao conteúdo do evento, mas também à figura de quem o propôs. Cazarré já é conhecido por se posicionar publicamente em temas ligados à religião, família e valores mais tradicionais, e isso acabou influenciando diretamente a forma como sua iniciativa foi recebida. Em um cenário cada vez mais polarizado, dificilmente uma proposta como essa seria analisada de forma neutra.

A repercussão também escancarou um ponto maior: a dificuldade que ainda existe em discutir o papel do homem na sociedade atual. O modelo tradicional de masculinidade vem sendo questionado há anos, principalmente por ter contribuído para desigualdades e comportamentos nocivos. Ao mesmo tempo, o que substitui esse modelo ainda não está totalmente claro, o que gera uma espécie de vazio para muitos homens.

É nesse espaço que propostas como a de Cazarré aparecem tentando reorganizar essa identidade em transformação. Para alguns, isso é necessário. Para outros, representa um risco de retorno a padrões antigos.

Não retroceder

Diante das críticas, o ator não recuou. Pelo contrário, reagiu com ironia, afirmando que os próprios críticos acabaram ajudando a divulgar o evento. Segundo ele, a repercussão fez com que o projeto ganhasse ainda mais visibilidade.

No fim das contas, o episódio deixou de ser apenas sobre um evento e passou a refletir um debate muito mais amplo. Entre acusações de retrocesso e argumentos de evolução, ficou nítido que o país ainda tenta encontrar equilíbrio entre mudanças sociais e novas formas de identidade masculina.