Beleza & Bem-Estar

Maquiagem vegana ganha espaço e muda a forma de consumir beleza

Por
Redação

4/8/2026

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A maquiagem acompanha um consumidor mais atento à pele, aos ingredientes e ao impacto das escolhas (Foto: Adobe Stock)

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Crescimento do mercado acompanha um consumidor mais atento a ingredientes, impacto e transparência das marcas

Durante muito tempo, a maquiagem vegana foi vista como uma escolha de nicho. Associada a um público específico, aparecia mais como alternativa do que como parte do mercado principal. Esse cenário vem mudando.

Hoje, a categoria cresce acompanhando uma transformação no comportamento de consumo. A escolha de um produto de beleza passa a envolver outras camadas, que vão além do resultado estético. Ingredientes, origem das fórmulas e posicionamento das marcas entram na decisão de compra com mais frequência.

Os dados ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo levantamento da Fortune Business Insights, o mercado global de cosméticos veganos foi avaliado em US$ 20,48 bilhões em 2025 e pode chegar a US$ 37,43 bilhões até 2034 . No Brasil, a tendência segue o mesmo caminho. Projeções da Grand View Research indicam que o setor pode atingir cerca de US$ 459 milhões em receita até 2030 .

Essa mudança também aparece no comportamento cotidiano. De acordo com a Mordor Intelligence, 37% dos consumidores priorizam produtos livres de testes em animais, enquanto 41% demonstram preferência por formulações com ingredientes naturais . Perguntas sobre composição, testes e origem dos ativos deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da conversa entre consumidores e profissionais de beleza.

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A rotina de beleza passa a refletir hábitos mais conscientes e informados (Foto: Adobe Stock)

Para o maquiador da Vizzela, Lázaro Alves, essa transformação é visível no atendimento e nos bastidores de produções. “Tenho notado um público mais interessado em entender o que está usando na pele. Muitas pessoas perguntam sobre a composição dos produtos e se eles são veganos ou cruelty-free. Isso mostra que a maquiagem também acompanha mudanças no estilo de vida”, afirma.

Outro ponto importante é a evolução das fórmulas. A ideia de que produtos veganos entregam menos performance perdeu força nos últimos anos. Bases, blushes e máscaras de cílios com boa fixação, textura e acabamento já fazem parte do portfólio de diversas marcas, ampliando o acesso e reduzindo a resistência de quem ainda tinha dúvidas sobre o desempenho.

O avanço no uso de ingredientes de origem vegetal também contribui para essa percepção. Óleos, extratos botânicos e ativos naturais passaram a ocupar um espaço maior nas formulações, muitas vezes associados a texturas mais leves e a uma sensação de conforto na pele.

Ao mesmo tempo, cresce a expectativa por transparência. Consumidores querem entender o que estão comprando, como os produtos são desenvolvidos e quais valores orientam as marcas. Essa clareza tem peso na construção de confiança e influencia diretamente a escolha.

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Ingredientes de origem vegetal ganham espaço e influenciam a formulação dos produtos (Foto: Adobe Stock)

A maquiagem vegana também se conecta a um movimento mais amplo. Alimentação, moda e consumo passam por transformações semelhantes, e a beleza acompanha esse percurso. Para uma parcela do público, não se trata de uma decisão isolada, mas de um conjunto de escolhas que dialogam entre si.

O que se observa é um deslocamento gradual. A maquiagem vegana deixa de ocupar um espaço periférico e passa a integrar o cotidiano de forma mais natural. Não como substituição obrigatória, mas como uma opção que ganha relevância à medida que o consumo se torna mais informado.