Viagem

O calor está mudando a forma como viajamos?

7/24/2026

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Turistas enfrentam altas temperaturas durante visita a uma cidade europeia. Ondas de calor passaram a influenciar a escolha de destinos e a época das viagens (Foto: Adobe Stock)

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Ondas de calor e eventos climáticos extremos levam turistas a rever destinos e datas das férias

Quem pretende viajar para a Europa entre junho e setembro já precisa incluir a temperatura no planejamento. Ondas de calor, incêndios florestais e outros eventos climáticos extremos passaram a afetar os roteiros no verão do Hemisfério Norte.

O calor intenso tem levado parte dos turistas a trocar destinos do Mediterrâneo por países mais ao norte, como Islândia, Noruega, Suécia e Lituânia. Regiões de montanha também ganham espaço por oferecer temperaturas mais amenas.

A tendência ficou conhecida como coolcation, expressão criada a partir das palavras inglesas cool, que significa fresco, e vacation, férias.

O relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026, publicado em 1º de julho de 2026 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OECD, trata o fenômeno como um novo fator para o turismo internacional.

O documento informa que as condições climáticas, com temperaturas baixas e boa qualidade do ar, influenciaram a escolha de quase metade dos turistas estrangeiros que visitaram a Islândia em 2024. A Lituânia também criou uma campanha voltada a viajantes do sul da Europa interessados em fugir do calor.

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Destinos do norte da Europa, como a Noruega, registram aumento no interesse de viajantes que buscam temperaturas mais agradáveis durante o verão europeu (Foto: Adobe Stock)

A mudança aparece nas decisões dos turistas. A pesquisa Travel & Sustainability Report 2026, divulgada pela Booking.com em 20 de abril de 2026, mostra que 74% dos entrevistados consideram o risco de eventos climáticos extremos ao escolher o destino. O mesmo percentual avalia esse risco ao definir a data da viagem.

Quase um terço, 31%, já cancelou ou alterou planos por causa dessas condições. Outros 26% enfrentaram um evento climático extremo ou um desastre natural durante alguma viagem nos 12 meses anteriores à pesquisa.

O calendário também está mudando

A mudança não está apenas na escolha dos destinos. Ela também aparece na época da viagem. Cidades como Roma, Barcelona, Atenas e Lisboa continuam entre as mais visitadas da Europa. A diferença é que muitos turistas passaram a evitar os meses de temperaturas mais elevadas. Viajar na primavera ou no início do outono permite encontrar um clima mais agradável, além de ruas menos cheias e filas menores.

Segundo a Booking.com, 42% dos viajantes pretendiam fazer viagens internacionais fora dos períodos de maior movimento em 2026. A mudança ajuda a distribuir o fluxo de turistas ao longo do ano e reduz a pressão sobre destinos que enfrentam problemas de superlotação.

O setor também começou a responder a esse novo cenário. O relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026 mostra que países como Irlanda, Espanha, Portugal, Chile e Austrália já incorporaram a adaptação às mudanças climáticas em suas políticas de turismo. Entre as medidas estão planos para enfrentar ondas de calor, incêndios florestais, erosão costeira e outros eventos capazes de afetar a experiência dos visitantes.

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Escolher um destino já envolve fatores que vão além do roteiro e do orçamento. O clima passou a influenciar o planejamento de muitas viagens (Foto: Adobe Stock)

Para o turista brasileiro, essa realidade muda a forma de organizar uma viagem à Europa. Pesquisar passagens e hotéis continua sendo parte do planejamento, mas já não é suficiente. Consultar a previsão do tempo, acompanhar alertas climáticos e escolher a época da viagem passaram a ser decisões tão importantes quanto definir o destino.

O verão europeu continuará atraindo milhões de visitantes. Mas o conforto climático entrou definitivamente na lista de prioridades de quem viaja. Em muitos casos, a pergunta já não é apenas para onde ir, mas quando vale a pena ir.