Comportamento

O que restará das mulheres quando até ser mulher virar uma fantasia?

Por
Barbara Kogos

11/30/2025

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A vivência cotidiana feminina: identidade, presença e autonomia que não podem ser apagadas (Foto: AdobeStock)

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Quando a bancada feminina passa a ser ocupada por quem nega a essência do feminino, é sinal de que o Brasil perdeu o rumo. E de que as mulheres precisam retomá-lo

O feminino real está sendo apagado

Há pouco mais de 25 anos, o Congresso Nacional criou, finalmente, banheiros femininos para deputadas. Um gesto simples, mas simbólico. Era o reconhecimento de que o espaço político também precisava acolher a presença e a intimidade da mulher.

Hoje, ironicamente, parte dessa mesma bancada feminina é usada para defender que homens que se identificam como mulheres usem o banheiro feminino.

Não é sobre o banheiro. É sobre o apagamento da mulher real.

O feminino está sendo desvalorizado, ridicularizado e usurpado. O espaço conquistado com suor, coragem e luta está sendo entregue, de bandeja, a um teatro político que confunde empatia com submissão. 

Nós não precisamos de autorização para sermos mulheres. Nós já nascemos assim. E isso não nos torna inimigas de ninguém. Mas tampouco podemos ser cúmplices de quem nos rouba o direito de existir com verdade.

O falso feminismo e o roubo de voz

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Congresso Nacional: palco onde decisões sobre os direitos e espaços das mulheres são disputadas diariamente (Foto: AdobeStock)

Quando uma deputada da chamada “bancada feminina” vota contra o aumento da pena para estupradores, não está apenas falhando com as mulheres: está traindo o sentido da própria palavra “feminina”. 

Ser mulher é proteger outras mulheres. É entender a dor da violência, do medo, da humilhação. Usar o rótulo de “representante das mulheres” para atacar a segurança das mulheres é mais que incoerência: é perversão política.

Essas figuras, que se dizem defensoras de minorias, têm prestado um desserviço social em nome de uma ideologia que coloca a identidade acima da biologia e o delírio acima da realidade.

Empatia não é invasão

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Sinalização de banheiros femininos: espaços pensados para garantir privacidade, segurança e acolhimento (Foto: Adobe Stock)

Cada ser humano merece respeito, mas respeito não significa abdicar da razão. Todos têm direito a lutar por seu espaço; mas ninguém tem direito de invadir o espaço alheio. O banheiro feminino, o esporte feminino, os abrigos femininos existem por um motivo: segurança, privacidade, acolhimento.

Quando abrimos essas portas indiscriminadamente, não estamos sendo inclusivos, estamos sendo negligentes. E quem paga o preço dessa negligência são sempre as mulheres reais, as que engravidam, as que sofrem violência doméstica, as que têm medo de sair sozinhas à noite.

A mulher precisa se levantar novamente

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Mulheres reunidas: a força coletiva que sempre sustentou as conquistas femininas (Foto: Adobe Stock)

Nós conquistamos o voto, o trabalho, a palavra e o espaço. Agora precisamos conquistar novamente o direito de sermos mulheres sem precisar justificar isso. 

Ser mulher não é uma fantasia, não é um figurino, não é um discurso identitário. É uma condição natural e sagrada; e, quando o Estado, a mídia ou o ativismo tentam negar isso, é a própria sociedade que se desintegra.

Chegou a hora de dizermos: basta!
Não porque odiamos alguém, mas porque amamos quem somos.

O futuro do feminino não pode ser decidido por quem nunca foi mulher. Empatia não se constrói com imposição. Liberdade não se conquista apagando a biologia. E igualdade não se alcança negando a realidade. 

O ser feminino é o alicerce da humanidade e, se ele ruir, tudo desaba junto. 

É hora de as mulheres de verdade se levantarem. De novo.