O feminino real está sendo apagado
Há pouco mais de 25 anos, o Congresso Nacional criou, finalmente, banheiros femininos para deputadas. Um gesto simples, mas simbólico. Era o reconhecimento de que o espaço político também precisava acolher a presença e a intimidade da mulher.
Hoje, ironicamente, parte dessa mesma bancada feminina é usada para defender que homens que se identificam como mulheres usem o banheiro feminino.
Não é sobre o banheiro. É sobre o apagamento da mulher real.
O feminino está sendo desvalorizado, ridicularizado e usurpado. O espaço conquistado com suor, coragem e luta está sendo entregue, de bandeja, a um teatro político que confunde empatia com submissão.
Nós não precisamos de autorização para sermos mulheres. Nós já nascemos assim. E isso não nos torna inimigas de ninguém. Mas tampouco podemos ser cúmplices de quem nos rouba o direito de existir com verdade.
O falso feminismo e o roubo de voz

Congresso Nacional: palco onde decisões sobre os direitos e espaços das mulheres são disputadas diariamente (Foto: AdobeStock)
Quando uma deputada da chamada “bancada feminina” vota contra o aumento da pena para estupradores, não está apenas falhando com as mulheres: está traindo o sentido da própria palavra “feminina”.
Ser mulher é proteger outras mulheres. É entender a dor da violência, do medo, da humilhação. Usar o rótulo de “representante das mulheres” para atacar a segurança das mulheres é mais que incoerência: é perversão política.
Essas figuras, que se dizem defensoras de minorias, têm prestado um desserviço social em nome de uma ideologia que coloca a identidade acima da biologia e o delírio acima da realidade.
Empatia não é invasão

Sinalização de banheiros femininos: espaços pensados para garantir privacidade, segurança e acolhimento (Foto: Adobe Stock)
Cada ser humano merece respeito, mas respeito não significa abdicar da razão. Todos têm direito a lutar por seu espaço; mas ninguém tem direito de invadir o espaço alheio. O banheiro feminino, o esporte feminino, os abrigos femininos existem por um motivo: segurança, privacidade, acolhimento.
Quando abrimos essas portas indiscriminadamente, não estamos sendo inclusivos, estamos sendo negligentes. E quem paga o preço dessa negligência são sempre as mulheres reais, as que engravidam, as que sofrem violência doméstica, as que têm medo de sair sozinhas à noite.
A mulher precisa se levantar novamente

Mulheres reunidas: a força coletiva que sempre sustentou as conquistas femininas (Foto: Adobe Stock)
Nós conquistamos o voto, o trabalho, a palavra e o espaço. Agora precisamos conquistar novamente o direito de sermos mulheres sem precisar justificar isso.
Ser mulher não é uma fantasia, não é um figurino, não é um discurso identitário. É uma condição natural e sagrada; e, quando o Estado, a mídia ou o ativismo tentam negar isso, é a própria sociedade que se desintegra.
Chegou a hora de dizermos: basta!
Não porque odiamos alguém, mas porque amamos quem somos.
O futuro do feminino não pode ser decidido por quem nunca foi mulher. Empatia não se constrói com imposição. Liberdade não se conquista apagando a biologia. E igualdade não se alcança negando a realidade.
O ser feminino é o alicerce da humanidade e, se ele ruir, tudo desaba junto.
É hora de as mulheres de verdade se levantarem. De novo.


