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O rombo bilionário dos Correios: quatro anos de prejuízo e as escolhas do governo Lula

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4/28/2026

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Imagem/Reprodução: Sede dos Correios em Brasília

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De R$ 596 milhões em 2023 a R$ 8,5 bilhões em 2025, a deterioração financeira da estatal levanta questões sobre gestão, prioridades políticas e o futuro de uma empresa com 360 anos de história

Os Correios encerraram 2025 sangrado. O prejuízo chegou a R$ 8,5 bilhões — o maior da história recente da empresa e o quarto ano consecutivo no vermelho desde que Lula voltou ao poder. Em dois anos, o rombo cresceu mais de 14 vezes. Não é má sorte. Não é herança maldita. É o resultado direto de um governo que optou por não decidir. A deterioração tem data e endereço. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato, o déficit foi de R$ 596 milhões — grave, mas ainda controlável. Em 2024, triplicou para R$ 2,6 bilhões. Em 2025, triplicou de novo: R$ 8,5 bilhões. Em 2026, os primeiros números mostram que a sangria continua, com os Correios figurando como a principal chaga nas contas das estatais federais.

O passivo que ninguém quis resolver

O vilão mais evidente de 2025 foram os passivos judiciais: cerca de R$ 6,4 bilhões em ações trabalhistas e outros litígios. É dinheiro que saiu do caixa da empresa — e, por tabela, do bolso do contribuinte — para pagar décadas de contratações irregulares, terceirizações mal feitas e conflitos salariais acumulados. Um passivo que o governo Lula herdou em parte, mas que tratou com a mesma lentidão de sempre: sem urgência, sem enfrentamento, sem solução. Ao mesmo tempo, a receita despencou 11% em 2025. O mercado de cartas físicas definha há anos. O e-commerce — que poderia ser a tábua de salvação — está nas mãos de concorrentes privados que entregam mais rápido, mais barato e sem a burocracia de uma estatal enrijecida por décadas de gestão política. Os Correios perdem clientes todo dia. E o governo assiste.

A escolha política por trás da crise

O governo Lula fez uma escolha. Quando assumiu, encontrou os Correios na lista de candidatos à privatização deixada pelo governo Bolsonaro. Decidiu arquivar essa agenda — o que, por si só, não seria problema. O problema é que arquivou a privatização sem colocar nada no lugar. Nenhuma reforma estrutural. Nenhuma redefinição do modelo de negócio. Nenhuma separação clara entre o serviço postal universal — que precisa de subsídio — e as atividades comerciais — que precisam competir.

A justificativa é conhecida: os Correios empregam cerca de 100 mil trabalhadores, atendem municípios onde nenhuma empresa privada chega e têm um valor simbólico para a base do PT. Tudo isso é real. Mas usar esses argumentos para não fazer nada durante quatro anos é cinismo com verniz social. Proteger empregos e garantir serviço universal são objetivos legítimos — desde que o governo esteja disposto a financiá-los de forma transparente e assumir esse custo perante a sociedade. O que Brasília fez foi outra coisa: deixar a conta crescer na sombra, longe do debate público, até explodir.

O empréstimo de R$ 20 bilhões: solução ou adiamento?

A resposta do governo à crise foi anunciar um plano de reestruturação e negociar um empréstimo de até R$ 20 bilhões para recompor o caixa da empresa. Em outras palavras: pegar dinheiro emprestado para cobrir o prejuízo de uma empresa que continua operando no mesmo modelo que gerou o prejuízo. É uma aposta de que ajustes pontuais serão suficientes para estancar uma sangria estrutural — e os últimos quatro anos provam que essa aposta já perdeu. O empréstimo compra tempo. Mas tempo para quê, se as causas do rombo seguem intocadas? Sem reformar a estrutura de custos, sem enfrentar os passivos trabalhistas na raiz e sem definir um modelo sustentável para a estatal, a conta voltará — maior, mais cara e com juros.

O que está em jogo

No fundo, a crise dos Correios é um espelho das contradições do governo Lula com as estatais: o discurso de que empresas públicas são instrumentos de desenvolvimento nacional, desacompanhado da disposição de reformá-las para que funcionem. Uma empresa pública quebrada não serve ao povo. Serve à narrativa. O contribuinte brasileiro já pagou R$ 8,5 bilhões pela omissão de 2025. Se o governo continuar preferindo não decidir, a conta de 2026 será ainda mais salgada.

Nota: Os dados financeiros utilizados nesta análise são baseados em informações públicas sobre os resultados dos Correios referentes aos exercícios de 2023, 2024 e 2025, bem como declarações oficiais divulgadas pela empresa e pelo governo federal.