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Operação Narco Fluxo: Investigação bilionária expõe rede que liga tráfico, influenciadores e lavagem de dinheiro

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4/28/2026

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Imagem: Divulgação/Google

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Ação da Polícia Federal prende artistas, empresários e influenciadores e revela esquema que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão no Brasil e no exterior

A Operação Narco Fluxo começou a ganhar forma bem antes das prisões que chamaram atenção neste mês de abril. Tudo começou lá em fevereiro de 2023, quando um veleiro brasileiro chamado Lobo IV foi interceptado em alto-mar, entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias, carregando três toneladas de cocaína. A partir dali, as autoridades passaram a investigar uma rede internacional que usava embarcações menores para enviar droga à Europa. Essas apurações deram origem a outras frentes, como a Operação Narco Vela e a Operação Narco Bet, e, com o cruzamento de dados — principalmente depois da análise de um backup no celular de um contador apontado como peça-chave — a Polícia Federal conseguiu chegar no que hoje é a Operação Narco Fluxo.

Na última quarta-feira (15/04), a operação foi para as ruas. Mais de 200 policiais federais atuaram em nove estados e no Distrito Federal, cumprindo dezenas de mandados de prisão e busca. Entre os presos estavam nomes conhecidos, como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei. Durante as ações, foram apreendidos carros de luxo, dinheiro em espécie, armas e até objetos simbólicos ligados ao universo do narcotráfico. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados, com base no volume estimado de dinheiro movimentado.

No centro da investigação aparece MC Ryan SP. Segundo a PF, ele usava a própria imagem e empresas ligadas à música para misturar dinheiro legal com valores vindos de atividades ilegais, como apostas e rifas digitais. A suspeita é de ligação com o PCC, inclusive com um operador financeiro da facção apontado como elo direto dentro do esquema. A estratégia incluía colocar bens em nome de terceiros e depois reinserir esse dinheiro na economia com compra de imóveis, carros e joias. Ryan foi preso durante uma festa no litoral paulista.

• A informação mais recente é que ele segue preso, mas o local exato não foi divulgado publicamente até agora (por estar em fase inicial da investigação).

Em muitos casos assim, o preso fica inicialmente:

• em unidade provisória

• ou sob custódia ligada à Polícia Federal/Justiça Federal (enquanto definem transferência).

MC Poze do Rodo também entrou no radar por aparecer ligado a empresas e estruturas usadas para movimentar esses recursos. Ele foi preso em casa, no Rio de Janeiro, e já tinha histórico anterior com a Justiça, incluindo investigações por suposta ligação com o Comando Vermelho.

• Está preso no Presídio José Frederico Marques (Benfica), na zona norte do Rio de Janeiro.

• Já passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida pela Justiça.

Já no caso de Raphael Sousa, dono da página de fofoca, CHOQUEI, a situação mudou rápido. Ele foi preso no dia 15 em Goiânia e ficou inicialmente na sede da Polícia Federal. Depois do interrogatório, a Justiça negou o habeas corpus e transformou a prisão em preventiva.

• Na sexta-feira, dia 17, ele foi transferido para o Núcleo Especial de Custódia dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. A defesa entrou com um novo pedido no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, dizendo que a prisão não se sustenta, já que as buscas e o depoimento já aconteceram. Até este sábado, 18 de abril, ele continua preso aguardando decisão.

Outros nomes também apareceram. O casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão foi preso suspeito de ajudar a movimentar dinheiro vindo de rifas digitais para empresas do esquema. Débora conseguiu prisão domiciliar por ter filho pequeno. Pablo Marçal foi citado por causa de uma transferência milionária para MC Ryan, mas não foi preso e disse que o valor é de uma negociação imobiliária regular. Deolane Bezerra também apareceu por movimentações financeiras consideradas atípicas, mas não foi presa.

No meio disso tudo, a própria PF indica que o uso de redes sociais e páginas de grande alcance fazia parte da engrenagem, o que mantém atenção sobre outros perfis e influenciadores que possam ter atuado como divulgação ou apoio indireto dessas estruturas. Até agora, além da Choquei, não houve confirmação oficial de outros nomes da mídia com o mesmo nível de envolvimento direto, mas esse ponto ainda segue em investigação.

Segundo a Polícia Federal, o esquema funcionava com o chamado “aluguel de CPFs”, usando familiares, empresas e até figuras públicas para dar aparência legal a movimentações bilionárias. O dinheiro vinha principalmente do tráfico, apostas ilegais e rifas digitais, passando por contas de terceiros, criptomoedas e dinheiro em espécie para dificultar o rastreio.

Os números impressionam: a movimentação pode ter chegado a R$ 1,63 bilhão, com dezenas de mandados cumpridos, bens bloqueados e alguns investigados ainda fora do país ou foragidos. O Ministério Público já apresentou denúncias em parte do caso, e a investigação continua avançando.

No fim, o que começou com um veleiro no meio do oceano acabou puxando um esquema muito maior, que mistura crime organizado, dinheiro alto e influência digital. E como ainda tem muita coisa sendo analisada, a tendência é que novas fases e novos nomes ainda apareçam nos próximos passos dessa investigação.