A cada ano, a Páscoa retorna ao calendário cercada por imagens familiares. Ovos de chocolate, encontros em família, mesas compartilhadas. Mas por trás dos rituais mais conhecidos existe uma história longa, que começa muito antes do chocolate e atravessa diferentes culturas e crenças.
A origem da Páscoa está na tradição judaica, na celebração do Pessach. A data marca a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, narrada no livro do Êxodo. O próprio nome carrega esse sentido: “Páscoa” vem de “Pesach”, que significa passagem. É a passagem da opressão para a liberdade. Até hoje, a celebração é feita com um jantar ritual que reúne alimentos simbólicos, como o pão sem fermento e as ervas amargas, que lembram a pressa da fuga e o sofrimento vivido.

Rituais e celebrações mantêm viva a dimensão espiritual da Páscoa, associada à passagem, à memória e à continuidade de tradições (Foto: Adobe Stock)
Séculos depois, a mesma data ganhou outro significado dentro do cristianismo. A Páscoa passou a marcar a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, eventos centrais desta tradição e considerados o fundamento da fé cristã. A narrativa associa a data à ideia de renovação, de vida que recomeça, e de esperança diante da finitude.
O ovo como símbolo
Ao longo do tempo, outros elementos foram sendo incorporados à celebração. O ovo, por exemplo, é um símbolo muito anterior ao cristianismo e aparece em diferentes culturas como representação de nascimento e fertilidade. Na Europa, era comum presentear ovos decorados durante a chegada da primavera, estação associada ao renascimento da natureza. O coelho, também ligado à fertilidade, acabou se tornando outro símbolo dessa mesma lógica.

Além do significado religioso, a Páscoa também se consolidou como um momento de encontro, marcado pela convivência e pelas refeições compartilhadas (Foto: Adobe Stock)
Com o passar dos anos, essas tradições se misturaram e deram origem à Páscoa como ela é conhecida hoje. Uma data que reúne dimensões religiosas, culturais e afetivas. Para muitos cristãos, é o momento central do ano, ligado à ideia de ressurreição e renovação da vida. Para outros, uma pausa no ritmo do cotidiano. Para muitos, um encontro em torno da mesa.
O que permanece em comum, apesar das diferenças, é a ideia de passagem. Seja na fé, na reflexão ou nos gestos mais simples, a Páscoa continua sendo um convite a atravessar ciclos e a reconhecer, mesmo nos recomeços mais discretos, a possibilidade de renovação.


