Cultura

There's No Place Like Home

27/05/2024

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Roy Bolger, Jack Haley, Judy Garland e Bert Lahr em cena do filme "O Mágico de Oz" em 1939. A frase "Não há lugar como a nossa casa" dita por Dorothy no filme,  mostrar a importância de voltarmos para casa. Foto: Divulgação

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Esta frase célebre dita por Dorothy no filme "O Mágico de Oz". Em português seria ‘Não há lugar como a nossa casa’. A personagem principal vivida pela atriz Judy Garland, derrota a Bruxa Má do Oeste e revela a verdadeira natureza de Oz, estando enfim pronta para retornar para o Kansas. Podemos explorar o poder transformador de voltar para casa, seja física ou metaforicamente, à medida que os personagens enfrentam desafios e experimentam crescimento.

Para iniciarmos esta coluna sobre arte e design na plataforma, trazemos o símbolo da casa, que é como este lugar pretende se tornar para muitos de vocês, onde sempre poderemos voltar e encontrar refúgio frente ao barulho do lado de fora.

No atualíssimo texto ‘A casa’ da arquiteta Lina Bo Bardi, publicado originalmente na Enciclopédia da Mulher em 1958 no Brasil, a casa é o habitat do homem e da mulher, o ambiente no qual, em grande, senão na maior parte, ele se desenvolve, adquire seus hábitos de vida e forma a própria personalidade. Pegando por este recorte histórico, na segunda metade do século XIX, como lembra Bryson Wilson no interessante livro ‘Em Casa’, a vida privada foi completamente transformada e na segunda metade do século seguinte, momento do pós-guerra na Europa, onde muito se discutiu a reconstrução das moradias e seus possíveis novos usos e significados.

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Livro A História das Coisas Banais’ Autoria Daniel Roche - Editora Rocco

Para Daniel Roche, no livro ‘A História das Coisas Banais’, a casa está no centro da vida humana, ela é a marca da nossa ocupação desde os tempos mais remotos. Lugar de proteção e acolhimento, local da vida familiar. Onde repousamos e podemos sonhar, onde se condensam os mistérios da felicidade. A história da casa ligada ao nascimento do íntimo, produtora do tempo e de temporalidades diversas, condensando passado e futuro e modos de arrumação. A casa como o ser interior, seus andares e ambientes, os diversos estados da alma segundo o filósofo francês Gaston Bachelard, conceito feminino, a casa como templo. Na sala de estar, o ambiente onde, por excelência, se vive, e que mais contribui para dar o caráter à casa e mais influi sobre os indivíduos que a habitam. Assim, excluídos os caprichos e as frivolidades, espera-se da sala de estar uma atmosfera clara, contemporânea, que sugira uma idéia otimista da vida e assim também almeja-se sem pretensão esta coluna.

Adentrando os espaços mais sociais, vamos encontrar a cozinha, o local das transmutações alquímicas, ou das transformações psíquicas, momento de evolução interior, de doação e rituais amorosos. Do lado de fora e cada vez mais integrado, o jardim, ou também chamado sala verde. O elemento orgânico indispensável à casa porque é tido como o vínculo mais evidente entre o homem e a natureza. Pisar na grama, observar o céu, as árvores, a temperatura, a vida acontecendo de outra forma. E finalmente podemos pensar o planeta como nossa casa, se adotarmos uma perspectiva cósmica sobre a criação do lugar que chamamos de lar, manifestação da evolução, do movimento, das estações, reflexo do céu sobre a terra, entre tantas narrativas que transcendem as noções mais tradicionais. A casa é onde as histórias começam.