Cultura

Torre Eiffel fará reparação histórica e incluirá nomes de mulheres cientistas

Por
Redação

4/17/2026

Article banner

A Torre Eiffel, em Paris, monumento inaugurado em 1889 e que passará a incluir nomes de mulheres cientistas em sua estrutura (Foto: WikiCommons)

X logo

Monumento que homenageava 72 homens desde 1889 passará a reconhecer também pesquisadoras que marcaram a história da ciência

Desde sua inauguração, em 1889, a Torre Eiffel carrega gravados em sua estrutura os nomes de 72 cientistas franceses. A lista, escolhida por Gustave Eiffel, celebra matemáticos, físicos, químicos e engenheiros que contribuíram para o avanço científico do país entre os séculos XVII e XIX.

Há, no entanto, uma ausência evidente: nenhum desses nomes é de mulher.

Mais de um século depois, a Prefeitura de Paris anunciou uma mudança histórica. O monumento passará a incluir uma nova frisa com 72 mulheres cientistas, em um gesto que vem sendo tratado como reparação simbólica. A iniciativa envolve a administração da torre e especialistas da associação Femmes & Sciences, responsáveis pela seleção dos nomes.

Post image

Detalhe do primeiro andar da Torre Eiffel, onde estão gravados os 72 nomes de cientistas escolhidos por Gustave Eiffel no século XIX (Foto: WikiCommons)

Entre as pesquisadoras que devem integrar a nova homenagem está Marie Curie, pioneira nos estudos sobre radioatividade e única cientista a receber dois Prêmios Nobel em áreas distintas. Também são citadas figuras como Sophie Germain, cuja produção matemática influenciou estudos fundamentais da engenharia, e Émilie du Châtelet, referência na física newtoniana no século XVIII.

A previsão é que os novos nomes sejam incorporados até 2027.

A decisão vai alterar a estrutura metálica e também a narrativa de um dos monumentos mais visitados do mundo. A ausência feminina na lista original refletia um contexto histórico em que mulheres tinham acesso restrito à educação formal e às academias científicas, mesmo quando produziam conhecimento de relevância incontestável.

A inclusão não reescreve o passado, mas amplia o reconhecimento público sobre quem ajudou a construir a ciência moderna. Em um momento em que a presença feminina nas áreas de tecnologia, engenharia e pesquisa ainda enfrenta desigualdades, o gesto carrega peso simbólico.

A Torre Eiffel continuará sendo um marco da engenharia do século XIX. A diferença é que, agora, sua estrutura também contará uma história mais completa.