“Não vai dar certo!”, “Ah, mas tem muita gente querendo a mesma coisa”, “Ah, mas o governo”, “Ah, mas a economia tá ruim”, “Ah, mas eu não consigo”, “Ah, mas eu não tenho dinheiro”, “Ah, mas meu computador é muito velho”, “Ah, mas você já passou da idade pra fazer isso”…
As desculpas se multiplicam, sempre para o lado pessimista. Ao invés de escolher um olhar mais positivo para qualquer que seja a situação.
Se eu estiver perto de pessoas negativas, meu primeiro impulso vai ser tentar me colocar no lugar delas, escutá-las com o coração aberto e tentar enxergar além da superfície, pra ver de onde vem o drama todo. E, se eu tiver alguma intimidade com elas, logo a seguir vou tentar animá-las.
Como nem sempre a gente consegue animar, ou menos ainda mudar o modo de pensar de uma mente negativa em uma única conversa, o mais provável vai ser eu absorver a energia negativa delas e me deprimir também. Por isso, não consigo conviver muito com pessoas negativas. Elas me puxam pra baixo.

Saber escutar, colocar limites e preservar a própria energia também é uma forma de resistência (Foto: Adobe Stock)
Não recomendo a ninguém insistir nesse tipo de convívio. É perda de tempo. E nosso tempo é o que de mais precioso temos nessa vida. A menos que você seja psiquiatra, psicóloga ou terapeuta profissional. Ou pastor, ou rabino, ou padre…
Precisei aprender a escutar o outro com compaixão sem me perder em sua dor. E a respeitar os meus limites. Quando acontece com amigos ou colegas de trabalho, é um pouco mais fácil. Com familiares ou pessoas com quem temos um nível maior de intimidade, pode ser um pouquinho mais complicado.
Honro o caminho que me formou. Venho de pessoas que carregaram tristeza antes de carregarem esperança. Vejo o esforço delas. Abençoo o que me deram e libero aquilo que não puderam oferecer. São pessoas tão marcadas pela vida desde cedo que, a partir de certo ponto, se tornaram muito pessimistas. Cada qual com seu jeito bem particular de externar sua falta de alegria e espontaneidade. Por mais que eu soubesse que faziam o melhor que conseguiam, foi uma luta diária acreditar na vida e na minha própria capacidade de conquistar minhas metas, sem ter um apoio positivo me encorajando nos momentos difíceis.
Primeiro, precisei aceitar que a cura acontece no tempo de cada um, não no tempo que o meu entendimento da situação gostaria que fosse. E que alguns caminhos não me competem percorrer por muito tempo ao lado. Precisei entender que dar um passo atrás não é falta de amor, e sim um ato de confiança — na vida, no outro e na sua capacidade de enxergar sozinho, sem a minha preciosa ajuda. Sim, às vezes nos colocamos no lugar de salvar o outro, acreditando que essa responsabilidade é nossa, quando, na verdade, não é. A menos que sejam nossos filhos e menores de idade.
Percebi que precisava escolher conviver com pessoas positivas. Que dessa escolha dependia minha sanidade mental. Pessoas positivas nos puxam pra cima. Nos elevam a alma, nos animam, nos fortalecem. Nos estimulam a enxergar nossas próprias convicções por novos ângulos, o que nos leva a desenvolver uma melhor versão de nós mesmos. E ainda nos ajudam a caminhar por essa jornada com humildade, bom humor e leveza, o que me parece sempre ser o melhor caminho.
Não é pra isso que estamos nessa vida? Para nos melhorarmos como o bicho-gente, pecadores e imperfeitos que somos? Aprendendo lenta e sinceramente a amar, perdoar e ter paciência?

A convivência com pessoas que nos puxam para cima sustenta a leveza e amplia o olhar sobre nós mesmas (Foto: Adobe Stock)
Pessoas positivas nos trazem clareza e uma alegria serena. Serenidade é tão forte.
Na presença delas e de sua perspectiva sempre mais otimista, minha alma se lembra de como me enxergar com mais gentileza e crescer sem tanto esforço.
Pessoas positivas têm o dom de nos ajudar a soltar, com delicadeza, os ambientes que pesam sobre nosso espírito. Nos ensinam a confiar que nossa energia é sagrada e que preservá-la nos permite continuar abertas, sabendo que a leveza não é a ausência de profundidade, mas uma de suas expressões mais puras.
O otimismo desse tipo de gente, meu tipo preferido, nos oferece encorajamento com liberdade de escolha, sem a necessidade de oferecer resgate imediato, mas transformação e aprendizados constantes.
Muitas vezes, é necessário nos afastar de certas pessoas e nos voltar para aquelas que sustentam e estimulam a nossa luz.


