Pizza e vinho formam um daqueles encontros que parecem existir desde sempre. A pizza como conhecemos hoje ganhou forma em Nápoles entre os séculos XVIII e XIX, primeiro como comida popular, preparada com ingredientes simples. O vinho, presença natural à mesa italiana, encontrou nela um companheiro quase inevitável.
Hoje, porém, a diversidade de recheios torna a harmonização muito mais interessante. O segredo está em observar o sabor dominante. Ingredientes ácidos pedem vinhos de bom frescor, a gordura também se beneficia da acidez, a picância combina melhor com fruta e álcool moderado, enquanto sabores delicados pedem vinhos igualmente delicados.
Margherita ou muçarela
O tomate pede acidez. Chianti, vinho da Toscana elaborado principalmente com a uva Sangiovese, é o clássico. Sauvignon Blanc acompanha o frescor e o manjericão, enquanto um Merlot jovem é outra alternativa.
Pepperoni
Gordura e picância encontram equilíbrio em vinhos frutados, frescos e sem álcool excessivo, como Barbera, Tempranillo jovem ou um tinto português de perfil frutado.
Calabresa
O Carménère frutado conversa com os temperos, enquanto Barbera ou Sangiovese trazem a acidez necessária diante da gordura.
Quatro queijos
Cremosidade pede frescor. Chardonnay com boa acidez é a principal escolha. Espumante brut e Chenin Blanc seco são ótimas alternativas.
Frango com Catupiry
Aqui, quem manda é a cremosidade do Catupiry. Espumante brut e Prosecco unem acidez e borbulhas para limpar o paladar. Chardonnay também funciona muito bem.
Portuguesa
Com tantos ingredientes na mesma fatia, versatilidade é fundamental. Rosé seco, Tempranillo ou Merlot jovem transitam bem entre tomate, queijo, presunto, ovo e azeitona.
Cogumelos
O umami pede acidez e taninos delicados. Pinot Noir cria ainda uma bela ponte com os aromas terrosos. Gamay e Chardonnay são outras possibilidades.
Rúcula e tomate seco
O caráter herbal encontra no Sauvignon Blanc um parceiro natural. Rosé seco e Vermentino também oferecem frescor.
Caprese
Tomate, muçarela de búfala e manjericão combinam com Sauvignon Blanc, Vermentino ou Chianti.
Chocolate
Aqui, doce pede doce. Vinho do Porto ruby ou Banyuls têm concentração suficiente para acompanhar o chocolate. Se houver morangos frescos, um Moscatel também entra em cena.
E quando vários sabores dividem a mesa? Espumante brut e rosé seco são grandes coringas. Entre os tintos, Pinot Noir ou Merlot jovem.

Quando diferentes sabores dividem a mesa, vinhos versáteis são os melhores aliados da harmonização (Foto: Canva)
Talvez o segredo de uma boa harmonização seja mais simples do que parece: equilíbrio suficiente para que nem o vinho nem a comida desapareçam e liberdade suficiente para descobrir novas combinações.



