Gastronomia

A história do Champagne no automobilismo

16/10/2026

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James Calado celebra no pódio das 24 Horas de Le Mans, em 2023 (Foto: WikiCommons)

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De um estouro inesperado em Le Mans a um dos rituais mais conhecidos da Fórmula 1: como o Champagne passou a fazer parte das grandes celebrações do automobilismo

Troféu erguido, aplausos e uma garrafa de Champagne prestes a ser aberta. A imagem é tão familiar nas grandes corridas que parece ter feito parte do automobilismo desde sempre. Mas a famosa chuva de Champagne nasceu entre 1966 e 1967, nas 24 Horas de Le Mans, na França, a partir de dois episódios envolvendo os pilotos Jo Siffert e Dan Gurney. Primeiro, por acaso. Depois, de propósito.

A relação entre Champagne e automobilismo, no entanto, já existia. Em 1950, na primeira temporada da Fórmula 1, Juan Manuel Fangio venceu o Grande Prêmio da França, disputado em Reims, no coração da região de Champagne, onde havia a tradição de presentear os vencedores com a bebida.

Naquela época, Champagne ainda era para brindar.

Tudo começou por acaso

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Le Mans, 1955, anos antes de o banho de Champagne se transformar em um dos rituais mais conhecidos do automobilismo (Foto: WikiCommons)

Em 1966, Jo Siffert e Colin Davis venceram a categoria de protótipos de 2 litros das 24 Horas de Le Mans com um Porsche 906. Durante a cerimônia de premiação, a rolha da garrafa de Champagne saltou inesperadamente e a bebida acabou atingindo as pessoas ao redor.

O episódio poderia ter sido apenas uma curiosidade daquele dia.

Um ano depois, porém, Dan Gurney venceu a mesma corrida ao lado de A.J. Foyt. No pódio, decidiu repetir a brincadeira — dessa vez, intencionalmente. Agitou a garrafa e lançou Champagne sobre fotógrafos, integrantes das equipes e convidados.

O acaso havia acabado de ganhar uma segunda versão.

Do brinde ao ritual

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O banho de Champagne atravessou gerações e segue associado às comemorações no automobilismo (Foto: Adobe Stock)

O gesto chamou atenção e começou a aparecer em outras comemorações. Aos poucos, abrir a garrafa deixou de ser apenas parte do brinde. O banho de Champagne tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da vitória no automobilismo.

A escolha da bebida também não poderia ser mais simbólica. Muito antes dos pódios, Champagne já acompanhava celebrações e ocasiões especiais. Casamentos, conquistas, grandes encontros e momentos que pedem uma garrafa aberta para marcar a ocasião ajudaram a construir essa associação ao longo do tempo.

Nas pistas, esse símbolo ganhou movimento.

Décadas se passaram, pilotos e marcas mudaram, e nem todos os pódios utilizam Champagne. A tradição, porém, atravessou gerações.

Hoje, quando uma garrafa é aberta no alto do pódio, aquele gesto repete uma história iniciada há quase 60 anos, quase por acaso. Um episódio inesperado em Le Mans acabou transformando uma bebida já associada às celebrações em parte da própria imagem da vitória no automobilismo.