Cultura

Pedro Álvares Cabral: o navegador que descobriu o Brasil

Por
Tânia Rabêllo

11/30/2025

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Desembarque de Cabral e sua frota na costa brasileira em 22 de abril de 1500 / Pintura “Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500” de Óscar Pereira da Silva (domínio público) (Foto: WikiCommons)

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O comandante da frota portuguesa que chegou ao Brasil em 1500 e consolidou a expansão marítima de Portugal

Pedro Álvares Cabral nasceu em Belmonte, Portugal, por volta de 1467, em uma família nobre de origem beirã. Filho de Fernão Cabral, um destacado fidalgo, e Isabel de Gouveia, Cabral foi educado com rigor, em conformidade com sua posição social, o que o preparou para assumir responsabilidades militares e políticas. Sua educação formal em letras, história e ciências foi a base para sua posterior carreira de comandante e navegador, tornando-o uma figura relevante nas grandes navegações portuguesas. Seu nome seria eternamente ligado à história da expansão marítima portuguesa.

Ainda jovem, Pedro Álvares Cabral começou sua carreira no serviço militar, destacando-se nas expedições portuguesas no Norte da África. A formação obtida nas tropas e sua vivência nos campos de batalha deram-lhe habilidades essenciais para liderar expedições — uma capacidade que seria crucial quando nomeado comandante de uma grande frota portuguesa no final da década de 1490. Ele não foi um marinheiro comum, mas um líder nato, com uma visão estratégica que o tornaria um dos grandes nomes da era dos Descobrimentos.

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Retrato de Pedro Álvares Cabral, navegador português responsável pela chegada ao Brasil em 1500 (Foto: WikiCommons)

O Infante Dom Henrique, embora já falecido na época do nascimento de Cabral, havia sido uma figura-chave nas explorações portuguesas. Através de sua visão, Portugal estabeleceu rotas para a África e além, criando as condições que permitiram a descoberta de novas terras e a expansão do império. A influência de D. Henrique estava presente nos navegadores que seguiam suas diretrizes e inspirou o próprio Cabral. Sua jornada marítima foi possível graças aos avanços promovidos por essa geração de exploradores.

Em 1499, após a bem-sucedida viagem de Vasco da Gama à Índia, o rei Dom Manuel I de Portugal decidiu organizar uma expedição complementar para consolidar as rotas comerciais com o Oriente. Cabral foi escolhido para comandar essa frota de 13 navios e cerca de 1.500 homens. A expedição tinha como objetivo fortalecer a presença portuguesa na Ásia, mas, ao longo do trajeto, Cabral faria uma das descobertas mais impactantes da história: o Brasil.

Em 9 de março de 1500, a frota de Cabral partiu de Lisboa, seguindo a rota tradicional para a Índia. Contudo, ao atingir o Atlântico Sul, ele desviou-se para o oeste, possivelmente por orientação das correntes oceânicas ou até mesmo de forma estratégica, em busca de terras desconhecidas.

No dia 22 de abril, a expedição de Cabral avistou uma terra até então desconhecida para os europeus, que mais tarde seria identificada como o Brasil. Inicialmente, Cabral acreditou tratar-se de uma ilha, mas logo se descobriu que se tratava de um vasto continente.

A chegada de Cabral ao Brasil foi marcada por um contato pacífico com os povos indígenas locais. Ele celebrou uma missa e tomou posse das novas terras em nome do rei de Portugal, chamando a região de “Ilha de Vera Cruz”. Esse ato simbólico de posse foi o marco da presença portuguesa no território que, mais tarde, se tornaria uma das maiores colônias do mundo. O encontro com os nativos foi amigável, mas sem um entendimento profundo — algo que se refletiria na relação entre portugueses e indígenas ao longo dos primeiros anos.

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A frota comandada por Cabral rumo à Índia, desvios no Atlântico e chegada ao que hoje é o Brasil / Ilustração da frota de Cabral em 1500 (Livro das Armadas, domínio público) (Foto: WikiCommons)

Após a descoberta, Cabral continuou sua viagem para a Índia, onde a missão de fortalecer o comércio de especiarias estava em andamento. Em uma viagem marcada por desafios, como tempestades e danos à frota, ele conseguiu chegar a Calicute, na Índia, em setembro de 1500. Cabral estabeleceu o primeiro entreposto português na cidade, que viria a ser um ponto estratégico nas rotas comerciais com o Oriente, apesar dos conflitos com mercadores árabes que dominavam o comércio local.

As tensões em Calicute culminaram com um ataque ao entreposto português. Como retaliação, Cabral ordenou o bombardeio da cidade, o que resultou na destruição de navios árabes e aumentou as tensões com os comerciantes locais. Embora o ataque tenha sido criticado por algumas autoridades, ele demonstrou a determinação de Cabral em proteger os interesses portugueses. Após o conflito, Cabral se dirigiu a Cochim, onde encontrou maior receptividade e conseguiu estabelecer acordos comerciais mais vantajosos para Portugal.

Após alguns meses na Índia, Cabral iniciou a viagem de retorno a Portugal. A travessia foi longa e marcada por dificuldades, mas, ao chegar a Lisboa em 1501, a expedição de Cabral foi recebida como um grande sucesso. Apesar da perda de alguns navios durante a viagem e das tensões com setores da corte portuguesa, a chegada de Cabral com riquezas e a consolidação de novas rotas comerciais na Índia garantiram a importância da expedição. O Brasil, entretanto, passaria a ser mais relevante para Portugal nos anos seguintes, à medida que a colonização começava a se desenhar.

Embora tenha sido celebrado ao retornar a Portugal, a relação de Cabral com a corte portuguesa não foi isenta de críticas. Alguns historiadores sugerem que ele foi afastado de futuras expedições devido a desentendimentos com o rei Dom Manuel I. Cabral foi acusado de não ter seguido as instruções detalhadas para a Índia e de ter se desviado da rota original. O sucesso de Vasco da Gama, que se tornou um herói nacional, também pode ter ofuscado a figura de Cabral. No entanto, ele continuou a ser reconhecido por suas conquistas.

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Gravura de Pedro Álvares Cabral, publicada no século XIX, representando o navegador português (Foto: WikiCommons)

Após o retorno de sua última expedição, Cabral viveu uma vida mais retirada, estabelecendo-se em Santarém, onde passou seus últimos anos. Casado com Isabel de Castro, teve filhos e se dedicou a uma vida longe das expedições. Sua retirada da vida pública foi, em parte, resultado do afastamento da corte e da falta de novas missões. Mesmo assim, manteve uma posição de prestígio, sendo uma figura de respeito na nobreza portuguesa.

Pouco se sabe sobre os últimos anos de vida de Pedro Álvares Cabral, mas acredita-se que ele tenha falecido por volta de 1520, em Santarém. Sua morte não foi cercada de grandes cerimônias, mas seu legado perdurou, principalmente devido à descoberta do Brasil. Cabral não era apenas um explorador, mas um símbolo do espírito aventureiro e do império português nos mares desconhecidos.

O impacto de Pedro Álvares Cabral na história de Portugal e do Brasil é incalculável. Sua descoberta do Brasil não apenas alterou o curso da história mundial, mas também iniciou um processo de colonização que se estenderia por séculos. Através de sua expedição, Portugal consolidou sua presença no Novo Mundo e estabeleceu uma rota comercial com a Ásia que enriqueceria o império nos anos seguintes. Hoje, Pedro Álvares Cabral é lembrado como um dos maiores navegadores portugueses, e sua contribuição para os Descobrimentos é reconhecida tanto em Portugal quanto no Brasil. Sua coragem e visão foram essenciais para abrir novas fronteiras para o império português, que dominaria os mares e o comércio mundial por várias décadas.


Fontes:

  1. Britannica, “Pedro Álvares Cabral”. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Pedro-Alvares-Cabral
  2. Infopédia, “Pedro Álvares Cabral”. Disponível em: https://www.infopedia.pt/
  3. Wikipedia, “Pedro Álvares Cabral”. Disponível em: https://es.wikipedia.org/wiki/Pedro_%C3%81lvares_Cabral