Moda

Quem decide o que será tendência?

7/10/2026

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Quando uma tendência chega às vitrines, ela costuma ser resultado de meses de pesquisa, análise de comportamento e desenvolvimento de produto (Foto: Canva)

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As tendências parecem surgir de repente, mas por trás delas existe uma indústria dedicada a interpretar sinais do presente para antecipar o que poderá influenciar a moda, a beleza, o design e o consumo nos próximos anos

De repente, uma mesma cor começa a aparecer nas vitrines. Um tecido ganha espaço nas passarelas, chega às lojas e, pouco tempo depois, invade a decoração, a publicidade e até as embalagens de produtos. A impressão é que tudo aconteceu ao mesmo tempo. Mas, não é bem assim.

Muito antes de essas mudanças chegarem às vitrines, empresas especializadas acompanham comportamento, consumo, transformações culturais e avanços tecnológicos para identificar sinais que podem indicar o que despertará o interesse do público nos meses e, muitas vezes, nos anos seguintes.

Esse trabalho, conhecido como previsão de tendências, ganhou força a partir das décadas de 1980 e 1990, acompanhando a expansão da indústria global da moda e do varejo. Hoje, embora continue profundamente ligado ao universo fashion, também orienta decisões nos setores de beleza, decoração, tecnologia, alimentação e até na indústria automotiva.

Como nasce uma tendência?

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A análise de grandes volumes de dados passou a fazer parte do processo de identificação de tendências em diferentes setores da indústria (Foto: Canva)

Prever tendências não significa adivinhar o futuro. O processo começa pela observação do presente. Pesquisadores analisam mudanças de comportamento, movimentos culturais, avanços tecnológicos e sinais do mercado para identificar padrões que ainda passam despercebidos pela maior parte das pessoas.

Na moda, esse trabalho sempre foi estratégico. Como coleções são desenvolvidas muitos meses antes de chegarem às lojas, entender para onde o mercado caminha ajuda marcas a reduzir riscos e planejar lançamentos.

A WGSN (Worth Global Style Network), empresa britânica considerada uma das pioneiras em previsão de tendências, afirma combinar análise humana e inteligência de dados para acompanhar cultura, inovação, consumo e comportamento. Seus estudos orientam empresas de moda, beleza e varejo em diferentes partes do mundo.

O papel da inteligência artificial

A inteligência artificial ampliou a capacidade de identificar esses sinais. A Heuritech, empresa francesa fundada por pesquisadores especializados em inteligência artificial, utiliza modelos de IA para analisar milhões de imagens publicadas nas redes sociais. O sistema identifica padrões relacionados a cores, tecidos, modelagens e acessórios antes de eles chegarem ao grande público.

Esses dados ajudam empresas a diferenciar uma novidade passageira de uma mudança com potencial para ganhar escala. Ainda assim, a tecnologia não substitui a interpretação humana. Ela indica onde olhar; entender o significado dessas mudanças continua sendo uma tarefa das pessoas.

Nem tudo o que viraliza vira tendência

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Tendências ganham força quando deixam de aparecer apenas nas passarelas e passam a influenciar o modo de vestir nas ruas (Foto: Canva)

As redes sociais aceleram a circulação de novidades, mas nem tudo o que faz sucesso por alguns dias se transforma em tendência. Um vídeo pode acumular milhões de visualizações e desaparecer rapidamente. Tendências costumam refletir mudanças mais profundas e duradouras no comportamento do consumidor.

Por isso, empresas acompanham ferramentas como Google Trends e relatórios como o Pinterest Predicts, elaborado a partir das buscas realizadas na plataforma. Segundo o Pinterest, cerca de 80% das tendências apontadas em edições anteriores acabaram se confirmando nos anos seguintes. Embora esse percentual seja divulgado pela própria empresa, o histórico explica por que seus relatórios são acompanhados pelo mercado.

Dados reduzem incertezas, mas não garantem acertos

Nenhuma empresa consegue prever exatamente o que os consumidores vão desejar. Relatórios de tendências trabalham com probabilidades. Mudanças econômicas, crises, conflitos ou avanços tecnológicos podem alterar rapidamente o comportamento das pessoas.

Ainda assim, a análise de dados ganhou importância nas decisões da indústria. O relatório The State of Fashion, publicado anualmente pela McKinsey em parceria com o The Business of Fashion, mostra que inteligência artificial e análise de dados passaram a ocupar um papel estratégico no desenvolvimento de produtos e na compreensão das mudanças de comportamento dos consumidores.

O futuro deixa pistas

Quando uma cor domina as vitrines ou um estilo aparece ao mesmo tempo em diferentes marcas, dificilmente isso acontece por acaso. Na maioria das vezes, esses movimentos começaram meses ou até anos antes, como sinais discretos observados por empresas dedicadas a interpretar o presente.

Nem todas as previsões se confirmam. Mas acompanhar essas mudanças ajuda a entender que as tendências não nascem de um único desfile, de um influenciador ou de um vídeo viral. Elas são resultado de transformações culturais, econômicas e comportamentais que, aos poucos, acabam encontrando seu espaço no cotidiano.