Ser mãe muda tudo. E nem sempre ficamos sabendo da real mudança até que ela chegue. Vai muito além do nascimento do filho, da nova rotina ou do maior amor que se pode sentir. Existe também um movimento mais silencioso, profundo e muitas vezes desafiador.
Ser mãe é um encontro inevitável com partes de você que estavam adormecidas e, ao mesmo tempo, um afastamento de outras que, aos poucos, vão ficando para trás.
O que quase ninguém fala é que essa mulher “pré-maternidade” não desaparece. Ela continua ali. Mais quieta, um pouco esquecida, esperando um espaço que já não existe da mesma forma.

Entre a rotina, o cuidado e a presença constante, muitas mulheres deixam de existir como centro da própria vida (Foto: Acervo pessoal)
Ao longo dos anos, convivendo com mulheres e vivendo a minha própria experiência, comecei a perceber um padrão que se repete. Vejo mães extremamente presentes, responsáveis e cuidadoras. Mas que, quando olham para si mesmas, já não sabem responder perguntas simples: “Do que eu gosto hoje?”; “O que me dá prazer?”; “O que eu gosto e me permito fazer sozinha, sem culpa?”.
O que percebo é que isso nasce do excesso de ausência de si. E é aí que a vida começa a pesar.

Ser mãe também pode ser uma travessia de volta para si (Foto: Acervo pessoal)
A maternidade exige muito de nós. Tempo, energia, presença, entrega e renúncias constantes. E em algum momento, quase sem perceber, muitas mulheres deixam de existir como centro da própria vida e passam a viver apenas ao redor de tudo e todos.
Talvez um dos maiores convites da maternidade não seja apenas criar um ser humano para o mundo, mas aprender a não se abandonar no processo.
Se colocar como prioridade também é cuidado. Também é amor. Porque os filhos não precisam de uma mulher perfeita. Precisam de uma mulher viva. Viva no próprio corpo, presente em si mesma, conectada à própria autenticidade e liberdade.

A maternidade exige tempo, energia, entrega e presença. Mas também pede espaço para continuar sendo si mesma (Foto: Acervo pessoal)
Isso também ensina pelo exemplo.
E talvez exista algo muito bonito quando a mulher entende que não precisa escolher entre ser mãe ou ser ela mesma. Ela pode ser as duas coisas. Inteira de si, consciente da própria transformação e aberta para descobrir quem se tornou depois da maternidade.



