Beleza & Bem-Estar

A força silenciosa da mulher depois dos 40

8/29/2026

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Saúde depois dos 40 envolve construir disposição, autonomia e qualidade de vida para os anos que ainda estão por vir (Foto: Adobe Stock)

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Entender as mudanças da perimenopausa e da menopausa ajuda a cuidar do sono, da composição corporal, da sexualidade e da autonomia sem transformar sintomas em culpa

Existe uma força na mulher madura que quase ninguém vê.

Ela não faz barulho. Está naquela manhã em que você acorda cansada, talvez depois de uma noite mal dormida, e levanta mesmo assim. Nos filhos que precisam de você. No trabalho que continua. Nas contas, nas decisões e nos pequenos problemas que ninguém sabe que você resolveu antes das dez da manhã.

A vida não para quando estamos cansadas. E nós aprendemos a ir.

O problema é que, de tanto aprender a continuar, a gente para de perceber quando alguma coisa dentro de nós começa a pedir atenção.

O sono muda. A disposição diminui. O corpo já não responde da mesma forma. A cintura aumenta, mesmo sem grandes mudanças na alimentação. A pele fica mais seca, o cabelo diferente, o humor oscila. Às vezes aparece uma ansiedade que não existia, uma irritabilidade difícil de explicar ou aquela sensação estranha de não se reconhecer por completo.

E ainda tem o sexo.

Muitas mulheres olham para tudo isso e pensam: “deve ser a idade”.

Nem sempre.

O corpo não está traindo você

Existe uma tendência forte em nós de transformar sintomas em culpa.

Se engordei, foi porque me descuidei.
Se não tenho energia, estou preguiçosa.
Se perdi a vontade de fazer sexo, o problema está em mim.
Se não dou conta de tudo como antes, estou ficando velha.

Depois de tantos anos acompanhando mulheres, percebi que muitas chegam pedindo uma dieta e acabam descobrindo que precisavam de algo bem maior: entender o que estava acontecendo com elas.

Uma pergunta que costumo fazer e que quase sempre incomoda um pouco:

Há quanto tempo você vem se deixando para depois?

Algumas demoram a responder. Passaram anos sendo mães, esposas, profissionais, filhas, cuidadoras. Tornaram-se indispensáveis para todo mundo e, sem perceber, foram sumindo da própria lista de prioridades.

Só que o corpo tem limites. E chega uma hora em que continuar ignorando os sinais deixa de ser força.

Menopausa: entender muda o caminho

A menopausa é definida quando a mulher completa 12 meses seguidos sem menstruar, por causa do encerramento da função ovariana. Mas as mudanças hormonais não começam naquele dia.

Antes existe a transição menopausal, a perimenopausa, que pode durar anos. É nesse período que estrogênio e progesterona passam por oscilações importantes e, depois, por um declínio. Algumas mulheres atravessam essa fase com poucos sintomas. Outras sentem como se alguém tivesse mudado as regras do próprio corpo sem avisar.

O sono pode piorar. Podem aparecer ondas de calor e suores noturnos. A composição corporal muda, a gordura abdominal tende a aumentar e preservar massa muscular exige mais atenção. Humor, memória, concentração e energia também podem ser afetados. Pele e cabelo sentem essas transformações.

E a sexualidade merece um capítulo à parte.

Nada disso significa que toda mudança depois dos 40 seja causada pelos hormônios. Por isso investigar é tão importante.

Menopausa não é doença. Mas seus sintomas podem e devem ser tratados quando atrapalham a qualidade de vida.

Alimentação adequada, treinamento de força, sono, controle do estresse, saúde metabólica e acompanhamento individualizado fazem parte desse cuidado. Para mulheres com indicação, e depois de avaliar riscos e contraindicações, a terapia hormonal da menopausa também pode ser uma opção importante.

Reposição hormonal bem conduzida não é distribuir hormônio de forma genérica. É avaliar história clínica, sintomas, necessidades, riscos e benefícios e acompanhar essa mulher ao longo do tratamento.

Existe ciência. Existe tratamento. E existe muita vida depois da menopausa.

O que a balança não conta

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Preservar a massa muscular contribui para a força, o equilíbrio e a independência ao longo dos anos (Foto: Adobe Stock)

Depois dos 40, talvez seja hora de fazer as pazes com uma ideia: emagrecer não pode ser o único projeto.

Músculo passa a ser patrimônio.

Preservar massa muscular significa pensar em metabolismo, ossos, equilíbrio, força e independência para o futuro. Significa construir um corpo capaz de acompanhar a vida que você pretende ter.

Eu penso bastante nisso.

Não quero chegar aos próximos anos apenas com um determinado número na balança. Quero viajar e passar o dia conhecendo uma cidade sem precisar voltar para o hotel por falta de energia. Quero carregar minha própria mala, subir escadas, trabalhar, estudar, aproveitar meus filhos, sair para jantar, conhecer lugares novos e continuar fazendo planos.

Essa é a longevidade que me interessa. Não a obsessão por acrescentar anos à vida, mas a possibilidade de acrescentar vida aos anos.

E quando some a vontade de fazer sexo?

A natureza feminina tem um certo senso de humor.

Na adolescência temos hormônios, desejo e pouquíssimo juízo. Depois de maduras, finalmente sabemos quem somos, o que queremos e, principalmente, o que não queremos. Conhecemos melhor nosso corpo e temos bem mais segurança.

E justo nessa hora algumas mulheres percebem que perderam a vontade de fazer sexo.

Parece uma combinação ruim. Mas não precisa terminar assim.

Na transição menopausal e depois da menopausa, as alterações hormonais podem interferir na lubrificação, nos tecidos vaginais, na resposta sexual e, em algumas mulheres, no desejo. Pode surgir ressecamento, desconforto e até dor durante a relação.

Some isso a uma mulher que dormiu mal, trabalhou o dia inteiro, resolveu a vida de todo mundo e chegou à noite mentalmente exausta.

Onde exatamente deveria caber o desejo?

Por isso a libido precisa ser olhada de forma ampla. Hormônios importam, mas relacionamento, medicamentos, saúde física e emocional, sono, estresse e a própria relação da mulher com seu corpo também importam.

Existem tratamentos para muitos desses problemas — hormonais e não hormonais, conforme cada situação.

A mulher madura não precisa aceitar o desaparecimento da sexualidade como preço obrigatório por envelhecer.

E talvez exista uma pergunta ainda mais interessante do que “quando foi a última vez que você teve vontade de fazer sexo?”:

Quando foi a última vez que você teve vontade de alguma coisa só porque aquilo lhe dava prazer?

Essa pergunta diz muito.

Aos 46, eu entendo essa mulher de outro lugar

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Viajar sozinha também pode ser uma forma de autonomia, prazer e abertura para tudo o que ainda está por vir (Foto: Adobe Stock)

Sou mãe de filhos gêmeos e conheço bem a responsabilidade de cuidar, trabalhar, decidir e seguir em frente mesmo quando a disposição não acompanha.

Há dias em que estamos cansadas. Há dias em que sentimos medo. E existem momentos em que não sabemos exatamente como as coisas vão se resolver.

Mesmo assim, vamos. Não porque sejamos invencíveis, mas porque a vida continua acontecendo.

E eu quero estar inteira para ela.

Ainda tenho muitos sonhos, viagens que quero fazer, projetos que quero realizar e mulheres que quero ajudar. Tenho curiosidade pelo que ainda não vivi.

É por isso que hoje enxergo saúde de uma forma diferente. Cuidar de mim não é tentar recuperar a mulher de 20 ou 30 anos. É cuidar da mulher de 46 para que ela tenha condições de viver plenamente tudo aquilo que ainda está por vir.

Há mais de 25 anos trabalho com saúde e já ajudei centenas de mulheres. Apesar de cada história ser única, algumas frases se repetem no consultório e nas mentorias: “não reconheço mais meu corpo”, “não consigo emagrecer”, “estou sempre cansada”, “meu sono piorou”, “minha libido sumiu”.

Por trás dessas frases existem mulheres que, muitas vezes, passaram tempo demais acreditando que deveriam dar conta sozinhas.

Meu trabalho começa no sentido contrário: olhar o conjunto. Alimentação, metabolismo, sono, composição corporal, exames, hormônios, rotina e a mulher que existe por trás de todos esses resultados.

Porque saúde feminina não deveria ser mais uma cobrança. Deveria ser uma forma de recuperar autonomia.

A força silenciosa também sabe pedir ajuda

Talvez você tenha chegado até aqui reconhecendo pequenas partes de si mesma.

Pode ser o sono. O peso. O sexo. O espelho. O cansaço que ninguém percebe porque você continua fazendo tudo o que precisa ser feito.

Só não transforme automaticamente essas mudanças em destino.

Algumas precisam ser investigadas. Muitas podem ser tratadas. E quase todas merecem, pelo menos, ser compreendidas.

Costumo continuar essas conversas nas redes sociais, onde compartilho um pouco do que aprendi acompanhando mulheres ao longo desses anos. Mas, independentemente de onde você busque ajuda, procure profissionais que escutem sua história antes de tentar encaixá-la em uma fórmula.

Existe uma força enorme em continuar.
Mas existe outra, talvez ainda maior, em perceber quando chegou a hora de cuidar de quem sempre cuidou de todo mundo.

Aos 40, 46, 50 ou 60, não estamos nos preparando para o fim. Estamos construindo o corpo, a saúde e a autonomia da mulher que ainda terá muitos lugares para conhecer, pessoas para amar, projetos para realizar, sexo para fazer, histórias para contar e sonhos que nem começaram.

Longevidade, no final das contas, é isso: estar viva por muitos anos, e continuar se sentindo viva dentro deles.