Comportamento

Bloquinho legal: carnaval e direito

Por
Luciana Lima

2/10/2026

Article banner

O Carnaval de rua reúne expressão cultural, identidade e encontros que fazem parte da experiência coletiva da festa (Foto: Envato)

X logo

Carnaval com alegria e proteção: seus direitos, dados oficiais e dicas jurídicas para curtir a folia com segurança

O Carnaval é sinônimo de alegria, música, fantasia e encontros inesquecíveis. Mas, assim como para qualquer grande evento, informação, consciência, respeito ao próprio corpo e ao de terceiros, além de proteção jurídica, ajudam você a brincar com mais tranquilidade e menos riscos.

Dados oficiais

Conhecer dados oficiais sobre segurança e os seus direitos é uma forma poderosa de autocuidado e respeito. Os órgãos públicos brasileiros divulgam balanços periódicos sobre a festa, que ajudam a entender o contexto de segurança e eventos que envolvem violações de direitos.

Violação de direitos durante o Carnaval 2024/2025

Em 2024, o canal de denúncias Disque 100 registrou mais de 73 mil violações de direitos humanos entre os dias 8 e 14 de fevereiro, com destaque para casos envolvendo crianças e adolescentes — e também pessoas idosas e mulheres. Esse foi um aumento de 38% no número de denúncias em relação ao Carnaval de 2023.

Impacto da segurança pública recente
 

  • No Carnaval de 2025, em Minas Gerais, houve redução de 24,3% nos roubos em geral e de quase 28% nas importunações sexuais registradas em comparação com 2024, além de quedas significativas em registros de estupro e furto de celulares em várias cidades.
  • Na Bahia, o Carnaval de 2025 reuniu cerca de 11 milhões de foliões e não registrou mortes violentas no evento principal, com quedas também nos índices de roubos e furtos.
  • No Rio Grande do Sul, as operações especiais de Carnaval em 2025 registraram redução de 70% em crimes violentos letais intencionais e quedas expressivas nos índices de delitos sexuais em relação ao ano anterior.

Em São Paulo, o Carnaval atraiu 16 milhões de foliões, movimentou R$ 3,4 bilhões e gerou 50 mil empregos diretos e indiretos entre 22 de fevereiro e 9 de março. A redução de roubos de celular foi de 36%, com força-tarefa de policiais fantasiados para inibir a ação de bandidos, reforço do efetivo e uso do Smart Sampa para localização de criminosos.

Esses números mostram que, mesmo em uma festa dessa dimensão, políticas públicas e presença de segurança podem reduzir riscos à integridade das pessoas — mas também revelam que situações de violência e assédio continuam ocorrendo e exigem cuidados e atenção.

Post image

Amizade, cuidado e apoio mútuo ajudam a tornar o Carnaval mais seguro e consciente para todas as pessoas  (Foto: Adobe Stock)

Assédio e violência: o que a lei diz

O Carnaval é festa — mas consentimento não tira folga. A importunação sexual é crime no Brasil desde 2018, com pena prevista de 1 a 5 anos de prisão, além de multa, independentemente da ocorrência de violência física. Isso inclui qualquer ato de natureza sexual sem consentimento em espaços públicos. A lei não considera “brincadeira” ou o ambiente de festa como justificativa.

O que fazer se ocorrer assédio ou violência sexual:
✔️ Procure imediatamente a polícia civil ou militar (pontos de segurança nos circuitos, delegacias ou unidades móveis)
✔️ Registre um Boletim de Ocorrência (BO) — presencial ou online, quando disponível
✔️ Anote características do agressor e peça apoio de testemunhas
✔️ Busque atendimento médico e psicológico, se necessário

Registrar oficialmente aumenta as chances de responsabilização e prevenção de novos casos.

Direito à saúde

Com a alta de doenças sexualmente transmissíveis e poucas campanhas de conscientização e prevenção, esse cuidado precisa começar em casa. Mantenha seus exames em dia. Não tenha relações sexuais se estiver com problemas de saúde (transmitir DST é crime e passível de indenização pelo risco à saúde). Use preservativos sempre, em qualquer condição.

Direitos do consumidor durante o Carnaval

Muita gente compra abadás, ingressos de camarote, pacotes de viagem ou reserva hospedagem para curtir a folia. Nesses casos, a relação segue o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Você tem direito a:

  • Informação clara sobre preços, taxas e políticas de cancelamento
  • Reembolso em caso de cancelamento por falha da empresa
  • Assistência adequada em caso de problemas com serviços contratados

Se sentir que seus direitos foram violados — como em casos de publicidade enganosa ou recusa de reembolso — registre reclamação formal e procure o PROCON ou orientação jurídica.

Post image

Blocos e festas de rua concentram grandes públicos e exigem atenção a direitos, segurança e informação durante a folia (Foto: Envato)

Dicas práticas para curtir sem problemas

  • Pesquise preços e verifique regras de cancelamento.
  • Planeje com antecedência: conheça seus direitos e contratos antes de fechar compras.
  • Cuide da sua saúde e da de terceiros; previna-se.
  • Leve documentos importantes em cópia e use doleiras ou bolsas antifurto.
  • Garanta sua segurança digital: salve contatos de emergência, aplicativos de transporte e serviços de segurança.
  • Combine redes de apoio: estabeleçam pontos de encontro e cuidem umas das outras.
  • Registre boletim de ocorrência sempre que houver crime — isso faz diferença jurídica e ajuda a mapear riscos.