Escolher um peixe apenas pelo sabor pode não ser suficiente para garantir um bom resultado na cozinha. A firmeza da carne, a quantidade de gordura e a capacidade de absorver temperos também influenciam o preparo. Algumas espécies suportam cozimentos longos sem se desfazer. Outras ficam melhores depois de poucos minutos na grelha ou no forno.
Segundo Claudia Mulero, nutricionista da Água Doce Sabores do Brasil, entender essas diferenças ajuda a preservar a textura e a aproveitar melhor as características de cada pescado. “Cada espécie possui uma quantidade diferente de gordura, firmeza e sabor. Essas características influenciam diretamente na forma de preparo e na experiência gastronômica. Escolher o tipo certo e os temperos adequados de acordo com cada finalidade ajuda a preservar a textura, realçar o sabor e aproveitar melhor seus nutrientes”, explica.
Além de versáteis, os peixes são fontes de proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B, vitamina D, selênio e gorduras insaturadas. A composição, porém, varia de uma espécie para outra. Por isso, a escolha pode considerar tanto o prato que será preparado quanto as preferências de quem vai consumi-lo.
Para grelhar ou assar
A tilápia é uma das opções mais fáceis de incluir nas refeições do dia a dia. Tem sabor suave e carne macia, combina com ervas frescas, limão e molhos leves e pode ser grelhada, assada, empanada ou servida em iscas.
O salmão possui textura macia e maior quantidade de gordura, característica que ajuda a manter a suculência em preparos rápidos. Pode ir à grelha ou ao forno com temperos simples, sem a necessidade de molhos pesados.
Para quem prefere um sabor mais intenso, o atum funciona bem selado ou grelhado por pouco tempo. Como sua carne é firme, o cozimento rápido ajuda a evitar que fique seco. Ervas frescas, azeite e molhos cítricos são acompanhamentos possíveis.
Robalo e linguado também podem ser preparados na grelha ou no forno. Como têm carne branca e sabor delicado, pedem temperos mais suaves, que não escondam as características naturais do pescado. Legumes assados ou cozidos no vapor ajudam a completar o prato.
Para moquecas, caldeiradas e ensopados

Peixes de carne firme mantêm melhor a estrutura em moquecas, caldeiradas e outros pratos com molho (Foto: Adobe Stock)
Pratos com caldo exigem peixes que mantenham a estrutura mesmo depois de algum tempo no fogo. O pintado tem carne firme, poucas espinhas e absorve bem os temperos. Por isso, é uma escolha comum para moquecas, caldeiradas e outros preparos com molho.
O cação também costuma ser usado em ensopados por ter carne macia, praticamente sem espinhas, e incorporar com facilidade o sabor dos caldos. Na compra, é recomendável observar a identificação da espécie e a procedência informadas no rótulo.
Para fritar
Tilápia em filés ou iscas é uma escolha conhecida, mas o peixe-porquinho pode trazer uma textura diferente. Sua carne fica crocante por fora e macia por dentro quando preparada corretamente. Pode ser servido com limão, molhos leves, mandioca ou batatas.
Para evitar que o pescado absorva óleo em excesso, o ideal é secar bem os pedaços antes de empanar ou levar à fritura e manter o óleo na temperatura adequada.
Para preparações cruas
Salmão e atum aparecem com frequência em sashimis, carpaccios e outros pratos da culinária oriental. A tilápia também pode ser usada em ceviches. Nesses casos, a procedência do pescado e os cuidados de conservação são fundamentais. O produto precisa ser próprio para consumo cru e permanecer refrigerado até o momento do preparo.
No carpaccio de salmão, as lâminas finas podem ser acompanhadas de azeite extravirgem, raspas e suco de limão-siciliano, flor de sal e cebolinha. Já o ceviche combina o peixe cortado em cubos com ingredientes cítricos, ervas e temperos frescos.
Bacalhau para assados e receitas tradicionais

Depois do dessalgue, o bacalhau pode ser assado com batatas, tomates, cebolas, azeitonas e ervas aromáticas (Foto: Adobe Stock)
Depois do dessalgue, o bacalhau mantém a textura firme e o sabor marcante. Funciona bem em receitas assadas, gratinadas ou preparadas com azeite, batatas, legumes, ovos e ervas aromáticas. Como a salga já interfere no sabor, é importante provar o pescado antes de acrescentar mais sal à receita.
Para Claudia, variar as espécies amplia as possibilidades à mesa. “Os peixes de água doce costumam apresentar sabor mais suave e delicado, harmonizando bem com temperos leves e ervas frescas. Já muitos peixes de água salgada possuem sabor mais marcante e, em alguns casos, maior teor de gordura, o que resulta em carnes mais suculentas e preparações que valorizam ingredientes como azeite, alho, ervas aromáticas e molhos cítricos”, afirma.
Vale observar a textura do peixe e o resultado esperado. Carnes firmes tendem a resistir melhor a cozimentos demorados. As mais delicadas pedem menos tempo no fogo. Com a combinação adequada entre espécie, técnica e tempero, o pescado mantém suas características e ganha espaço em receitas simples ou elaboradas.



