Beleza & Bem-Estar

Hormônios: a verdade por trás do medo e por que, finalmente, estamos sendo libertas

Por
Lu Sandrini

1/15/2026

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A reconexão com o próprio corpo começa pela informação e pelo direito de se sentir bem (Foto: Adobe Stock)

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Por décadas, o debate sobre hormônios foi atravessado pelo medo. A retirada da tarja preta das terapias hormonais marca uma virada científica, cultural e emocional na forma como as mulheres se relacionam com o próprio corpo

Durante décadas, qualquer conversa sobre hormônios parecia carregar uma nuvem pesada de pânico. As mulheres foram ensinadas a temer a reposição hormonal como se ela fosse uma sentença inevitável de doença. Esse medo se espalhou, tornou-se cultural, silencioso, mas profundamente presente. O resultado foi uma geração inteira, especialmente a partir dos 35 anos, vivendo sintomas intensos acreditando que “era normal”, “era da idade”, “era psicológico”.

Agora, com a decisão histórica de retirar a tarja preta das terapias hormonais, uma porta que permaneceu trancada por vinte anos se abre novamente. E essa abertura não é apenas médica; é simbólica. É reparação.

O que realmente são hormônios e por que essa história foi distorcida

Hormônios são mensageiros internos que regulam praticamente tudo: humor, libido, energia, sono, força, memória, estabilidade emocional, composição corporal, foco e imunidade. Eles não nos transformam; sustentam quem somos.

Por causa de um estudo antigo e mal interpretado, conduzido com mulheres muito mais velhas do que aquelas que geralmente iniciam a menopausa, os hormônios passaram a ser tratados como vilões. Com base na ciência disponível à época, um alerta severo foi instituído e o medo médico e social se espalhou por décadas.

A ciência evoluiu. As formulações mudaram, as doses diminuíram, as vias de administração tornaram-se mais seguras. O reconhecimento dessa evolução marca o fim de um alerta que já não fazia sentido e, com ele, começa a cair um peso cultural que acompanhou boa parte da vida adulta de muitas mulheres.

O que essa mudança significa para mulheres a partir dos 35 anos

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Hormônios atuam como mensageiros internos que regulam emoções, energia, sono e estabilidade ao longo da vida adulta (Foto: Adobe Stock)

A partir dos 35, o corpo feminino inicia quedas hormonais graduais. No começo, são sutis. Depois, aparecem como cansaço sem explicação, irritabilidade, perda de libido, dificuldade de concentração, sono pouco reparador, perda de tônus muscular, ansiedade recorrente e um estado difícil de nomear: a depressão hormonal.

A redução de estrogênio, progesterona e testosterona não afeta apenas o corpo, altera o cérebro. Interfere em neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA, impactando diretamente a regulação emocional. Não é fragilidade, exagero ou drama. É bioquímica.

A reposição adequada não cria uma versão artificial da mulher. Ela devolve a mulher original, aquela que existia antes de o corpo começar a apagar as luzes, lentamente.

Estrogênio, progesterona e a força silenciosa da estabilidade

Quando estrogênio e progesterona caem, o corpo perde equilíbrio. Ondas de calor, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal, dificuldade de raciocínio e irritabilidade surgem como sinais de desorganização interna.

A reposição personalizada e bem acompanhada contribui para reorganizar sistemas essenciais à saúde óssea, cardiovascular, cognitiva e emocional. Há também um impacto relevante na vulnerabilidade à depressão: o cérebro feminino responde ao estrogênio como a um amortecedor emocional. Sem ele, tudo pesa mais.

Testosterona: a chama que quase ninguém contou

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Qualidade de vida não é promessa de juventude eterna, é presença, inteireza e autonomia sobre o próprio corpo (Foto: Adobe Stock)

Tratada por muito tempo como um hormônio exclusivamente masculino, a testosterona é fundamental para a mulher adulta. A partir dos 35 anos, sua queda pode se manifestar em perda de força muscular, redução da libido, dificuldade de atingir orgasmo, cansaço desproporcional, diminuição do foco, da vitalidade e até da ambição pessoal.

Ela é energia interna. É movimento. É a sensação de existir, desejar e criar.

Quando falta, muitas mulheres descrevem um apagamento silencioso: tristeza sem causa aparente, desinteresse progressivo, desconexão da própria vida. A reposição não masculiniza; devolve potência.

Vitamina D3: o hormônio disfarçado de vitamina

A vitamina D3 funciona como um hormônio esteroidal. Atua na imunidade, na saúde óssea, na cognição, na regulação do humor, na síntese hormonal e no equilíbrio metabólico. Sem níveis adequados de D3, praticamente nenhum tratamento hormonal atinge seu potencial máximo.

Ainda assim, muitas mulheres tentam tratar sintomas isolados, depressão, cansaço, dores articulares, baixa libido, ansiedade, sem perceber que uma deficiência simples de D3 agrava todos eles.

Por que a retirada da tarja preta é um marco emocional, não apenas médico

Porque representa o reconhecimento de que o corpo feminino não pode ser tratado com medo, silêncio ou negligência institucional. É a validação de décadas de relatos ignorados. É a chance de olhar para a própria saúde com informação, não com culpa.

A mensagem é clara: é hora de devolver às mulheres o direito de se sentir bem.

Conclusão: hormônios não são milagres, são ferramentas de autonomia

Para mulheres a partir dos 35 anos, essa mudança significa poder escolher qualidade de vida, estabilidade emocional, clareza mental, libido viva, músculos fortes, sono restaurador e uma relação mais justa com o próprio corpo.

Hormônios não prometem juventude eterna.
Prometem presença.
Prometem inteireza.
Prometem sentir a vida com nitidez.

E isso, para qualquer mulher adulta, é liberdade.