Durante muitos anos, a libido feminina foi tratada de forma superficial. Ou se colocava tudo na conta do psicológico, ou se reduzia o desejo feminino a uma questão de “falta de vontade”. Com o tempo, estudando, acompanhando mulheres e vivendo meu próprio corpo, entendi que libido feminina é, antes de tudo, um fenômeno biológico complexo, profundamente ligado a hormônios, nutrição, circulação e funcionamento neurológico.
Essa compreensão mais ampla também passou a ser refletida na medicina. Nos últimos anos, o FDA atualizou suas diretrizes e retirou advertências excessivas (tarja preta) que por muito tempo geraram medo em torno do uso de hormônios, reconhecendo que, quando bem indicados e acompanhados, eles são seguros e desempenham papel essencial na saúde global e sexual da mulher. Mas libido não é um único hormônio. É um sistema.
Como a libido funciona no corpo da mulher
Do ponto de vista fisiológico, a libido feminina depende de dois pilares principais:
1. Hormônios
Os principais hormônios envolvidos no desejo feminino são:
Estrogênio: influencia lubrificação, sensibilidade genital e vascularização
Progesterona: impacta humor, sono e sensação de segurança corporal
Testosterona (em níveis femininos): relacionada à motivação, iniciativa e desejo
Dopamina: neurotransmissor ligado ao prazer e à excitação
Cortisol: quando em níveis normais, eles aumentam a vontade feminina
Qualquer desequilíbrio, comum após os 40 anos, pode reduzir libido, sensibilidade e resposta sexual.
2. Circulação e sistema nervoso
Excitação feminina depende de um bom fluxo sanguíneo na região genital, integridade dos tecidos periféricos e boa oxigenação dos tecidos.
Inflamação crônica, sedentarismo, resistência à insulina e má alimentação atrapalham diretamente a resposta sexual.
Autoconhecimento corporal também é fisiologia

O desejo feminino envolve estímulos neurológicos e respostas do corpo, não apenas intenção (Foto: Adobe Stock)
Existe um aspecto clínico muitas vezes ignorado: o cérebro aprende prazer.
Quando a mulher conhece o próprio corpo, inclusive por meio da masturbação feminina, ela ativa circuitos neurológicos de prazer, melhora a conexão cérebro-genital e aprende quais estímulos funcionam para ela.
Isso não é vulgaridade. É neurociência.
A masturbação feminina, dentro de um contexto de saúde, ajuda a mulher a reconhecer o próprio corpo e padrões de excitação, entender ritmo e intensidade, o que acaba facilitando a resposta orgástica.
E, clinicamente falando, uma mulher que conhece seu corpo responde melhor aos estímulos externos e consegue orientar o parceiro com mais clareza.
Alimentação e libido feminina
A alimentação influencia diretamente a libido porque impacta a produção hormonal, a inflamação, a circulação e a energia celular.
Alguns alimentos que eu uso e indico por seus efeitos fisiológicos benéficos para aumentar a libido:
Abacate – gorduras boas essenciais para síntese hormonal
Chocolate amargo (cacau) – flavonoides que melhoram circulação
Frutas vermelhas – antioxidantes e proteção vascular
Melancia – rica em citrulina, favorece fluxo sanguíneo
Nozes e castanhas – zinco, selênio e gorduras essenciais
Gengibre e canela – melhoram circulação e reduzem inflamação
Sem base nutricional, não há libido sustentada.
Hormônios ajudam muito quando bem indicados
Com a queda hormonal progressiva após os 40, muitas mulheres sentem redução do desejo, diminuição da lubrificação, queda de energia e dificuldade de excitação.
A reposição hormonal, quando bem indicada, individualizada e acompanhada, melhora significativamente a qualidade de vida e a saúde sexual.
Mas é importante dizer:
Hormônio não age isoladamente. Ele precisa de nutrição adequada, sono de qualidade, redução significativa da inflamação e estímulo neurológico.
O fator emocional vem por último

O desejo feminino floresce quando o ambiente é seguro, respeitoso e favorável (Foto: Adobe Stock)
Depois que hormônios, nutrição e corpo estão alinhados, entra o fator relacional.
Aqui existe uma diferença clara entre homens e mulheres:
O homem, muitas vezes, para sentir desejo, basta um estímulo visual ou uma lembrança.
A mulher, não.
A mulher precisa ser bem tratada ao longo do dia para, no fim do dia, sentir vontade de se entregar e sentir prazer.
Respeito, educação, postura masculina, segurança emocional e presença não são romantização. São fatores que reduzem cortisol e permitem que o corpo feminino responda ao estímulo sexual.
Libido feminina é biológica, sim.
Mas ela só floresce completamente quando o ambiente é favorável.
Hoje eu sei, com base clínica e vivência:
Libido feminina é resultado de múltiplos fatores.
O desejo feminino é sofisticado.
E quando o corpo está alinhado, a mulher responde.


