Beleza & Bem-Estar

Libido feminina

Por
Lu Sandrini

2/18/2026

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A libido feminina envolve corpo, biologia e contexto, não apenas desejo (Foto: Adobe Stock)

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O que a medicina, a fisiologia e a experiência feminina revelam sobre o desejo ao longo da vida

Durante muitos anos, a libido feminina foi tratada de forma superficial. Ou se colocava tudo na conta do psicológico, ou se reduzia o desejo feminino a uma questão de “falta de vontade”. Com o tempo, estudando, acompanhando mulheres e vivendo meu próprio corpo, entendi que libido feminina é, antes de tudo, um fenômeno biológico complexo, profundamente ligado a hormônios, nutrição, circulação e funcionamento neurológico.

Essa compreensão mais ampla também passou a ser refletida na medicina. Nos últimos anos, o FDA atualizou suas diretrizes e retirou advertências excessivas (tarja preta) que por muito tempo geraram medo em torno do uso de hormônios, reconhecendo que, quando bem indicados e acompanhados, eles são seguros e desempenham papel essencial na saúde global e sexual da mulher. Mas libido não é um único hormônio. É um sistema.

Como a libido funciona no corpo da mulher

Do ponto de vista fisiológico, a libido feminina depende de dois pilares principais:

1. Hormônios
Os principais hormônios envolvidos no desejo feminino são:
Estrogênio: influencia lubrificação, sensibilidade genital e vascularização
Progesterona: impacta humor, sono e sensação de segurança corporal
Testosterona (em níveis femininos): relacionada à motivação, iniciativa e desejo
Dopamina: neurotransmissor ligado ao prazer e à excitação
Cortisol: quando em níveis normais, eles aumentam a vontade feminina

Qualquer desequilíbrio, comum após os 40 anos, pode reduzir libido, sensibilidade e resposta sexual.

2. Circulação e sistema nervoso
Excitação feminina depende de um bom fluxo sanguíneo na região genital, integridade dos tecidos periféricos e boa oxigenação dos tecidos.
Inflamação crônica, sedentarismo, resistência à insulina e má alimentação atrapalham diretamente a resposta sexual.

Autoconhecimento corporal também é fisiologia

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O desejo feminino envolve estímulos neurológicos e respostas do corpo, não apenas intenção (Foto: Adobe Stock)

Existe um aspecto clínico muitas vezes ignorado: o cérebro aprende prazer.

Quando a mulher conhece o próprio corpo, inclusive por meio da masturbação feminina, ela ativa circuitos neurológicos de prazer, melhora a conexão cérebro-genital e aprende quais estímulos funcionam para ela.

Isso não é vulgaridade. É neurociência.

A masturbação feminina, dentro de um contexto de saúde, ajuda a mulher a reconhecer o próprio corpo e padrões de excitação, entender ritmo e intensidade, o que acaba facilitando a resposta orgástica.

E, clinicamente falando, uma mulher que conhece seu corpo responde melhor aos estímulos externos e consegue orientar o parceiro com mais clareza.

Alimentação e libido feminina

A alimentação influencia diretamente a libido porque impacta a produção hormonal, a inflamação, a circulação e a energia celular.

Alguns alimentos que eu uso e indico por seus efeitos fisiológicos benéficos para aumentar a libido:

Abacate – gorduras boas essenciais para síntese hormonal
Chocolate amargo (cacau) – flavonoides que melhoram circulação
Frutas vermelhas – antioxidantes e proteção vascular
Melancia – rica em citrulina, favorece fluxo sanguíneo
Nozes e castanhas – zinco, selênio e gorduras essenciais
Gengibre e canela – melhoram circulação e reduzem inflamação

Sem base nutricional, não há libido sustentada.

Hormônios ajudam muito quando bem indicados

Com a queda hormonal progressiva após os 40, muitas mulheres sentem redução do desejo, diminuição da lubrificação, queda de energia e dificuldade de excitação.

A reposição hormonal, quando bem indicada, individualizada e acompanhada, melhora significativamente a qualidade de vida e a saúde sexual.

Mas é importante dizer:
Hormônio não age isoladamente. Ele precisa de nutrição adequada, sono de qualidade, redução significativa da inflamação e estímulo neurológico.

O fator emocional vem por último

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O desejo feminino floresce quando o ambiente é seguro, respeitoso e favorável (Foto: Adobe Stock)

Depois que hormônios, nutrição e corpo estão alinhados, entra o fator relacional.

Aqui existe uma diferença clara entre homens e mulheres:
O homem, muitas vezes, para sentir desejo, basta um estímulo visual ou uma lembrança.
A mulher, não.

A mulher precisa ser bem tratada ao longo do dia para, no fim do dia, sentir vontade de se entregar e sentir prazer.

Respeito, educação, postura masculina, segurança emocional e presença não são romantização. São fatores que reduzem cortisol e permitem que o corpo feminino responda ao estímulo sexual.

Libido feminina é biológica, sim.
Mas ela só floresce completamente quando o ambiente é favorável.

Hoje eu sei, com base clínica e vivência:
Libido feminina é resultado de múltiplos fatores.
O desejo feminino é sofisticado.

E quando o corpo está alinhado, a mulher responde.