Lisboa é uma cidade que sempre tem algo a oferecer a quem gosta de cultura. Entre palácios históricos, galerias de arte e grandes espetáculos musicais, há uma programação que mistura tradição, criatividade e muita brasilidade. E foi um pouco dessa Lisboa cultural que tive a oportunidade de conhecer e mostrar no programa Nomes.
Comecei pelo Palácio Nacional de Queluz, um dos monumentos históricos mais bonitos de Portugal, que recebeu uma festa especial para celebrar os 25 anos de carreira do chef brasileiro Márcio Ricci e o lançamento de seu livro Raízes.
O evento parecia nos transportar para outra época. Personagens com trajes de época dançavam e circulavam entre os convidados, em uma celebração que combinou a atmosfera palaciana com os sabores do Brasil.
Nos jardins, foram montadas 27 mesas, cada uma representando um estado brasileiro. Era uma verdadeira viagem gastronômica pelo país, com pratos típicos, pequenas delícias e bebidas de combinações surpreendentes.
Márcio cuidou de cada detalhe da festa, que reuniu centenas de amigos e admiradores. O livro celebra sua trajetória profissional e a ligação entre as cozinhas brasileira e portuguesa.
Durante nossa conversa, ele contou também sobre o programa Desafio dos Chefs, que apresenta ao lado do chef português Júlio Fernandes, na TV Record Europa. A atração explora receitas, ingredientes e tradições dos dois países, mostrando como a gastronomia também aproxima culturas.
Do universo dos sabores, segui para as artes plásticas.
Visitei a Galeria São Mamede, em Lisboa, onde encontrei a artista luso-brasileira Maísa Champalimaud. Sua obra chama a atenção pela liberdade das formas, pelas cores e pela maneira como transforma experiências pessoais em pintura.

A artista luso-brasileira Maísa Champalimaud explora em suas obras as cores, as emoções e as influências de suas raízes culturais (Foto: Divulgação / Galeria São Mamede)
Maísa me contou que começou a pintar aos 18 anos, estudou com um retratista e depois ingressou na Faculdade de Belas-Artes. Sua trajetória foi construída com estudo, experimentação e uma busca constante por uma linguagem própria.
Uma de suas reflexões me chamou especialmente a atenção. Filha de pai português e mãe brasileira, ela reconhece na própria pintura a convivência entre duas maneiras de sentir o mundo: a saudade, tão associada à cultura portuguesa, e a alegria que identifica com suas raízes brasileiras.
"Eu pinto para resolver os meus assuntos", me disse.
Achei bonita essa maneira de compreender a arte como uma forma de expressão e também de autoconhecimento. Em suas telas, cores, sentimentos e memórias convivem com muita personalidade.
E, para encerrar esse passeio cultural, nada melhor do que música.
Fui assistir a Djavan na MEO Arena, em Lisboa, e encontrei uma plateia que cantava praticamente todas as músicas. Era emocionante ver milhares de pessoas acompanhando cada verso, dançando e celebrando um artista que atravessa gerações.

Djavan levou sua música ao público português em um espetáculo marcado pela participação da plateia (Foto: WikiCommons)
Djavan estava especialmente feliz naquela noite e fez questão de demonstrar seu carinho pelo público português. A resposta veio em forma de um coro afinado, daqueles que transformam um show em uma experiência coletiva.
Existe homenagem maior para um artista do que ouvir uma multidão cantando suas próprias canções?
Saí de lá pensando no quanto a música brasileira ultrapassa fronteiras e continua encontrando espaço no coração de pessoas de diferentes países.
Foram três experiências muito diferentes, mas que mostram a riqueza cultural de Lisboa. Uma festa gastronômica em um palácio histórico, uma artista que expressa suas raízes através da pintura e um cantor brasileiro recebido com entusiasmo por milhares de pessoas.
Lisboa tem essa capacidade de reunir histórias, talentos e culturas em encontros que ficam na memória. E eu adoro descobrir e compartilhar tudo isso.
Lisboa é cultura. E sempre vale a pena voltar.



