Ser brasileiro é gostar de pular carnaval! Será? Eu não sei você, mas no alto dos meus 37 anos (e sim, sou carioca) eu já não tenho mais o mesmo pique de ir pra bloquinhos, ficar de pé por muitas horas, fazer xixi em banheiro químico e ficar em locais muito muito cheios debaixo dum sol quente. Já foi o meu prime de disposição pra isso. Hoje sou mais do bloco do Unidos do Netflix e Acadêmicos do HBO. Adoro aproveitar esses dias pra descansar, ver série com meu filho (enquanto ele não começou esse mesmo ciclo carnavalesco por ele mesmo, uma vez que ele ainda é um jovem adolescente), ficar com meu marido e meus dois vira-lata caramelos Bob e Marley, tomar longos banhos e simplesmente pausar. Pra mim são dias meio fora do tempo.
Mas… caso você seja a miga sua loka que ama pular carnaval (e tudo que isso implica), está mais que certa! Cada um na sua, como Deus quis. Ou se você vai trabalhar durante o carnaval… seja como for, o que de fato importa é curtir o processo. E não estou aqui pra dizer que nunca mais serei essa pessoa carnavalesca e nem que não participar desse movimento me faz menos brasileira. A vida é muito rica pra perder tempo e oportunidades com rótulos e definições às quais eu preciso ficar sendo leal e me impedindo de ser feliz não é?

Nem todo carnaval pede rua cheia. Às vezes, pede tempo lento, casa quieta e presença (Foto: Envato)
O que não dá é pra ficar se culpando por não estar nem lá nem cá. Que tal a gente ser adulta e tomar responsabilidade pelas nossas escolhas, sem ficar se julgando por não ter conseguido realizar e viver o carnaval “ideal”? Seja por qual motivo foi. Se foi por falta de planejamento ou dinheiro, o carnaval está só começando. Ainda dá pra ir nem que seja num barzinho e sentar lá pra ouvir um samba… Ou então o carnaval de 2027 te aguarda jovem! Você tem tempo de buscar opções e se programar.
Se foi por falta de companhia, vou ter que dar uma pausa aqui e dizer “Para de ser loka! Vai viver sua vida por VOCÊ. Larga de historinha e só vai ser feliz”.
Se foi por preguiça, bem vinda ao bloco Unidos do Netflix e Acadêmicos da HBO, pegue seu snack favorito e bora de maratona.

Entre bloquinhos e multidões, há quem escolha o silêncio, o afeto e a pausa. E isso também é carnaval (Foto: Envato)
O acessório mais babadeiro que se pode ter, é o não julgamento (de si). Por ter escolhido viver qualquer uma dessas possibilidades. E entender que, por mais que sejamos brasileiras, nossa experiência pessoal pode (e deve) ser a que faz nosso coração cantar mais alto. Mesmo que não seja um samba durante o carnaval.
Um carnaval feliz (de verdade e COM verdade) pra você!


