Nossa, como demorou! Mas Jau finalmente veio cantar em Portugal. E sabe o que aconteceu? A Bahia, os baianos e a música baiana invadiram Lisboa.
O encontro aconteceu no Monsantos Open Air, um espaço cercado pela natureza, com palco, mesas, cadeiras, bares e restaurantes. Para quem conhece Salvador, a sensação lembrava um grande camarote de Carnaval. E lá estávamos nós, muitos baianos, de pé, dançando e cantando a plenos pulmões músicas que fazem parte da nossa história.

Jau durante apresentação no Monsantos Open Air, em Lisboa, onde reuniu uma plateia de brasileiros e portugueses (Foto: divulgação/reprodução Instagram @jau_oficial)
Jauperi Lázaro dos Santos, o Jau, cresceu artisticamente em meio ao grande movimento da música afro-baiana que ganhou o Brasil e o mundo a partir dos anos 1980. Aos 17 anos, entrou para o Olodum como autor e intérprete. Com o grupo, viajou por diversos países, participou de festivais como Montreux e WOMAD e esteve em palcos ao lado de artistas como Tracy Chapman, Joan Baez e Paul Simon.
Mas falar de Jau apenas como um artista ligado ao axé é pouco.
Sua música mistura ritmos afro-baianos, reggae, MPB e pop, sempre com uma identidade muito própria. Como compositor, também deixou sua marca em canções que ganharam as vozes de outros grandes artistas da música brasileira.
Em Lisboa, ficou muito claro o tamanho da relação afetiva que o público mantém com esse repertório. Músicas como Já É e Café com Pão eram cantadas do início ao fim. Para muita gente que estava ali, não era apenas um show. Era reencontro, memória, Bahia.
E aí vem a pergunta inevitável: como um artista com uma obra tão rica ainda não é mais conhecido fora desse circuito?
Vixe, mainha! O mundo precisa conhecer melhor Jau.
Porque suas canções têm algo que atravessa fronteiras. Talvez seja justamente essa mistura de poesia, ritmo, ancestralidade e uma maneira muito baiana de falar de amor, alegria e pertencimento.

Luzia Santhana com Jau durante a passagem do artista por Lisboa (Foto: arquivo pessoal)
No meio do show, uma soteropolitana ao meu lado resumiu tudo em uma frase:
“Ser baiano é massa!”
E era exatamente aquele o sentimento.
Se você chegou até aqui sem conhecer direito Jau, fica a sugestão. Procure suas músicas. Ouça Já É, Café com Pão, Flores da Favela, Amar É Bom, Canto ao Pescador e tantas outras.
Talvez você também termine pensando a mesma coisa que eu: como é que eu ainda não conhecia melhor esse poeta baiano?



