Os imóveis compactos já ocupam uma parcela importante do mercado imobiliário de São Paulo. Em fevereiro de 2026, unidades entre 30 e 45 m² representaram 72% dos lançamentos residenciais na capital e 70% das vendas, segundo levantamento do Secovi-SP. Em maio, essa faixa de metragem continuava liderando o mercado, com 52% dos lançamentos e 64% das unidades comercializadas.
A popularização dos espaços menores trouxe também um desafio para quem escolhe um studio: como preservar a privacidade quando sala, cozinha e dormitório dividem praticamente o mesmo ambiente?
A resposta não passa necessariamente por levantar paredes. Um bom estudo de layout e algumas soluções de arquitetura de interiores podem criar áreas mais reservadas sem comprometer a sensação de amplitude.
“A configuração que conhecemos em uma residência ocorre no mesmo ambiente, que assume diferentes funções”, explica a arquiteta Natália de Souza, da ResiliArt Arquitetura. Para ela, o ponto de partida é entender como o morador utiliza a casa e organizar a planta a partir dessa rotina.
A cama não precisa ser a primeira coisa que se vê
Em um studio, o dormitório costuma ser o ponto mais delicado quando o assunto é privacidade, principalmente para quem recebe visitas em casa.
Antes de pensar em divisórias, vale observar a própria disposição dos móveis. Dependendo da planta, mudar a posição da cama pode ser suficiente para retirá-la do campo de visão de quem entra no imóvel.
“Se a planta permitir, podemos tirá-la do campo de visão de quem adentra o imóvel”, afirma Natália.
Quando isso não é possível, elementos leves podem funcionar como barreiras visuais sem transformar o studio em uma sequência de ambientes apertados.
Cortinas podem resolver mais do que parece

Divisórias leves podem resguardar a área de dormir sem isolar completamente o restante do studio | Projeto: ResiliArt Arquitetura (Foto: Kelly Queiroz)
Uma das soluções mais simples é também uma das mais versáteis. Cortinas podem separar a área de dormir apenas quando necessário e permanecer abertas no restante do dia.
Além de criarem uma camada de privacidade, ajudam no controle da luz e ocupam pouco espaço físico, uma vantagem importante em metragens reduzidas.
O tecido, a transparência e a forma de instalação podem ser escolhidos de acordo com o grau de isolamento desejado.
Divisórias que não fecham o espaço
Painéis vazados, ripados e estruturas inspiradas em brises são alternativas para quem deseja uma separação mais permanente.
Como permitem a passagem de luz e preservam parte da conexão visual entre os ambientes, tendem a funcionar melhor em espaços compactos do que uma parede convencional.
Também podem fazer parte da decoração e ajudar a organizar diferentes usos dentro do mesmo ambiente.
Marcenaria pode ter mais de uma função

Painéis e móveis multifuncionais ajudam a delimitar os ambientes sem comprometer a sensação de amplitude | Projeto: ResiliArt Arquitetura (Foto: Kelly Queiroz)
Em espaços pequenos, cada elemento ganha importância. Por isso, móveis que cumprem duas ou mais funções são especialmente úteis.
Um armário pode servir também como divisória. Um painel de televisão pode separar a cama da sala. Uma bancada pode funcionar como home office durante o dia e apoio para refeições em outros horários.
Em um dos projetos da ResiliArt, por exemplo, um painel com suporte giratório permite que a mesma TV seja usada tanto no dormitório quanto na área de estar, enquanto o próprio móvel cria uma barreira entre os dois espaços.
É um princípio simples: em vez de acrescentar elementos apenas para dividir, aproveitar aquilo que já seria necessário no apartamento.
Quando duas pessoas dividem poucos metros quadrados
A privacidade ganha outra dimensão quando o studio é compartilhado por um casal.
Mais do que esconder a cama, é preciso pensar na possibilidade de duas pessoas realizarem atividades diferentes ao mesmo tempo. Isso fica ainda mais evidente quando uma delas — ou ambas — trabalha em casa.
Nesse caso, conhecer a rotina dos moradores faz diferença. Horários de trabalho, hábito de receber amigos, necessidade de fazer reuniões e até a maneira como cada um guarda seus objetos ajudam a definir o layout.
Pequenos espaços de uso individual, mesmo sem isolamento completo, podem reduzir a sensação de que tudo precisa ser compartilhado o tempo inteiro.
Em poucos metros quadrados, a solução mais eficiente nem sempre é acrescentar alguma coisa. Muitas vezes, está em posicionar melhor o que já existe.
Criar diferentes campos de visão, usar móveis para delimitar funções e preservar áreas mais íntimas da exposição direta podem mudar a percepção do espaço sem diminuir sua metragem útil.
O studio continua integrado. Mas não precisa, por isso, deixar toda a vida de quem mora ali à mostra.



