Viagem

Um verão pela costa oeste de Portugal

14/10/2026

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Vista aérea da Foz do Arelho, onde as águas da Lagoa de Óbidos encontram o Oceano Atlântico (Foto: Adobe Stock)

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Da Foz do Arelho a Nazaré, praias, sabores e histórias em um roteiro pela região Oeste

Em Portugal, a paisagem e o clima parecem mudar a cada curva. Foi assim durante alguns dias de agosto, quando percorremos praias e cidades da região Oeste, entre a Foz do Arelho e Nazaré.

Começamos pela Foz do Arelho, uma praia linda, de areias claras e vastas, calçadas portuguesas desenhadas e ondas que me fizeram lembrar Copacabana. De um lado está o Oceano Atlântico. Do outro, as águas mais tranquilas da Lagoa de Óbidos.

Era hora do pôr do sol quando fomos recebidos por amigos queridos, que tornaram ainda mais inesquecíveis aqueles dias de sol, areia, mar e muita luz. Sem falar na culinária portuguesa, com peixes e mariscos tão frescos que parecem ter pulado do mar diretamente para o prato.

A Foz do Arelho pertence ao município das Caldas da Rainha, uma cidade muito interessante, a começar pelos famosos souvenirs, um tanto exóticos. Eles revelam que o senso de humor português pode guardar um lado bastante picante.

As peças de cerâmica em formato fálico fazem parte da tradição satírica das Caldas, que ganhou força no século XIX. A origem exata não é consensual, embora uma das versões mais conhecidas envolva uma encomenda feita durante o reinado de Dom Luís. Verdade ou lenda, o falo tornou-se um símbolo da irreverência local.

Essa história ganhou uma versão ainda mais divertida com o “chafalo”, combinação de chapéu de chuva, como os portugueses chamam o guarda-chuva, com o tradicional falo de cerâmica. No Camaroeiro Real, Zélia nos apresentou o objeto e explicou que ele é realmente usado. É multifuncional! Acho que não preciso dar mais explicações, não é?

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Arquitetura e natureza se encontram no Parque Dom Carlos I, um dos espaços históricos das Caldas da Rainha (Foto: Adobe Stock)

A história das Caldas da Rainha começou muito antes dessas brincadeiras. A tradição conta que, no século XV, a rainha Dona Leonor conheceu as águas termais da região e percebeu seus benefícios. Em 1485, ela mandou construir ali um hospital termal e uma igreja. A povoação cresceu ao redor desse conjunto e acabou herdando o nome da rainha.

A cidade também conquista pelo paladar. Há cavacas, trouxas de ovos e outras guloseimas capazes de tirar qualquer pessoa da dieta. A Praça da Fruta, mercado ao ar livre que funciona diariamente, é um parque de diversões para quem gosta de pães, frutas, flores e produtos locais. Uma das vendedoras contou que trabalha ali há 40 anos, cercada por bancas coloridas e cestos cheios de frutas.

No dia seguinte, fomos almoçar e passar a tarde em São Martinho do Porto. A cidade fica diante de uma baía em forma de concha, protegida da ondulação pela abertura estreita para o Atlântico. O resultado são águas tranquilas, muito procuradas por famílias durante o verão.

Achei maravilhosas as barraquinhas de praia que podem ser alugadas para passar parte do dia à beira-mar, com alguma proteção contra o sol. A arquitetura das casas também chama a atenção pela variedade de estilos, misturando referências antigas e atuais do design português.

Ali ainda vimos barcos chegando carregados de algas recolhidas no mar. A apanha de algas é uma atividade tradicional de São Martinho do Porto, e o material pode ser aproveitado por setores como as indústrias farmacêutica e cosmética.

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Surfista encara uma onda gigante na Praia do Norte, em Nazaré, um dos destinos mais conhecidos do mundo para a modalidade (Foto: Adobe Stock)

Para encerrar nossos dias pela região Oeste, chegamos a Nazaré, o paraíso dos surfistas. A Praia do Norte tornou-se conhecida no mundo inteiro pelas ondas gigantes e pelos campeonatos internacionais. Foi ali que o alemão Sebastian Steudtner surfou, em 2020, uma onda de 26,21 metros, reconhecida pelo Guinness World Records como a maior já surfada por um homem.

Nazaré passou de vila ligada à pesca a um importante destino turístico e esportivo, mas ainda preserva marcas de sua história. No comércio, encontramos lembranças e os tradicionais peixes e mariscos secos, muito apreciados na região.

Estive lá há mais de dez anos e vi com meus próprios olhos aquelas ondas gigantescas e inacreditáveis. É uma imagem difícil de esquecer.

Durante o passeio, paramos para beber uma ginja servida em um pequeno copo de chocolate, como se faz na vizinha Óbidos. Depois, descemos em direção ao mar e encontramos a escultura do Veado, uma figura com corpo de surfista e cabeça de cervo. A obra une a antiga lenda de Nossa Senhora da Nazaré à coragem dos atletas que enfrentam as ondas da Praia do Norte e se tornou uma parada obrigatória para fotos.

De lá, seguimos adiante, em busca de novas paisagens deste pequenino e imenso Portugal.