Saúde

A segunda-feira já começa no domingo?

8/28/2026

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A preocupação com a segunda-feira pode comprometer o descanso antes mesmo de o fim de semana terminar (Foto: Adobe Stock)

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Ansiedade, irritabilidade e insônia no fim de semana podem indicar que o trabalho está ocupando o espaço destinado ao descanso

O domingo ainda nem terminou, mas a cabeça já está na reunião da manhã seguinte, nos e-mails acumulados e nas metas da semana. Aos poucos, o descanso dá lugar à preocupação. Em alguns casos, aparecem irritabilidade, angústia e até insônia.

Essa sensação ficou conhecida como “ansiedade de domingo” ou Sunday Scaries. Não é um diagnóstico psiquiátrico, mas uma expressão usada para descrever o mal-estar provocado pela proximidade de uma nova semana de trabalho.

Segundo o psiquiatra Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o problema merece atenção quando deixa de representar apenas a resistência ao fim do descanso e passa a provocar sofrimento frequente.

“Há uma diferença entre pensar ‘eu gostaria que o domingo durasse mais’ e passar todas as semanas com ansiedade, insônia, irritabilidade ou medo diante da perspectiva de voltar ao trabalho”, explica.

Quando o trabalho ocupa o descanso

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Mensagens profissionais durante o fim de semana podem dificultar a desconexão do trabalho (Foto: Adobe Stock)

A pessoa está em casa, mas já voltou mentalmente ao escritório. Surgem preocupações com entregas, cobranças e conversas difíceis que ainda nem aconteceram. Pendências desorganizadas e falta de clareza sobre as prioridades também podem fazer com que o trabalho continue presente durante o fim de semana.

O celular tornou essa separação ainda mais difícil. Uma mensagem no grupo da equipe ou um e-mail visualizado no domingo podem ser suficientes para interromper o descanso, mesmo quando não existe uma ordem explícita para responder.

“O simples fato de saber que uma mensagem pode chegar ou de sentir que precisa verificar o celular já dificulta a desconexão. A pessoa nunca sabe exatamente quando terminou de trabalhar”, afirma Sócrates.

Quais sinais merecem atenção

Sentir tristeza pelo fim do fim de semana não significa automaticamente burnout, depressão ou transtorno de ansiedade. A Organização Mundial da Saúde classifica o burnout como um fenômeno ocupacional ligado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente.

O alerta está na frequência, na intensidade e no impacto dos sintomas. Insônia recorrente aos domingos, crises de choro, palpitações, tensão muscular, alterações gastrointestinais e medo intenso merecem atenção, principalmente quando começam a prejudicar relacionamentos, lazer, alimentação e concentração.

Também é importante perceber se a angústia começa cada vez mais cedo. Primeiro aparece no domingo à noite, depois após o almoço e, mais adiante, já está presente no sábado. Isso pode indicar que o trabalho passou a ocupar também o período destinado à recuperação.

O problema pode estar na empresa e no indivíduo

Excesso de tarefas, metas impossíveis, pouca autonomia, falta de clareza e lideranças que utilizam medo ou humilhação podem favorecer o sofrimento. A Organização Mundial da Saúde inclui a sobrecarga, o baixo controle sobre o trabalho e a insegurança profissional entre os riscos para a saúde mental.

Por isso, meditação, atividade física e técnicas de relaxamento nem sempre são suficientes. “Quando a origem do problema está nas condições de trabalho, a responsabilidade pela solução não pode ser colocada exclusivamente sobre o indivíduo”, afirma o psiquiatra.

A relação pessoal com o desempenho também precisa ser observada. Perfeccionismo, medo de errar, necessidade de aprovação e dificuldade para estabelecer limites podem manter o profissional em estado de cobrança mesmo quando ninguém está exigindo uma resposta imediata.

É possível recuperar o domingo

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Organizar as prioridades e estabelecer limites ajuda a preservar o período de descanso (Foto: Adobe Stock)

Antes de encerrar o expediente na sexta-feira, organizar pendências e definir as prioridades da semana seguinte pode diminuir a necessidade de manter tudo mentalmente ativo. Limitar mensagens profissionais fora do horário e preparar apenas o necessário para a manhã de segunda também ajuda a reduzir a imprevisibilidade.

Essas estratégias, porém, não devem servir apenas para tornar uma situação insustentável mais suportável. Quando o sofrimento é persistente ou compromete o sono, os relacionamentos e a qualidade de vida, a orientação é buscar avaliação profissional.