A telemedicina já faz parte da rotina de muitos brasileiros, mas o crescimento das consultas online trouxe uma nova preocupação: como saber se o médico do outro lado da tela é realmente quem diz ser e se a plataforma utilizada é confiável?
Um levantamento do Olá Doutor, feito com 500 adultos de todas as regiões do país, mostra que essa identificação ainda não é simples para parte dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 40,4% disseram ter dificuldade ou não saber reconhecer uma plataforma falsa de telemedicina. Outros 34,2% afirmaram estar pouco preparados para identificar imagens de médicos geradas por inteligência artificial.
O tema ganhou atenção com a circulação de perfis e vídeos que simulam profissionais de saúde. Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou ter participado de uma ação para pedir a remoção de conteúdos com avatares apresentados como médicos ou especialistas. O Conselho Federal de Medicina também já alertou para golpes que utilizam dados de profissionais reais.
Como verificar o médico

Antes da consulta, vale conferir o registro do médico e as informações da plataforma utilizada (Foto: Adobe Stock)
Uma das checagens mais simples pode ser feita no site do Conselho Federal de Medicina. Na ferramenta Busca por Médicos, é possível conferir nome, número do CRM, situação do registro e especialidades cadastradas.
Se o profissional se apresentar como especialista, também vale verificar se possui Registro de Qualificação de Especialista, o RQE, naquela área. “Com a popularização da inteligência artificial e o crescimento de conteúdos de saúde nas redes, é natural que o paciente tenha dúvidas sobre em quem confiar”, afirma Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor. “Verificar se o profissional está devidamente registrado e buscar atendimento em plataformas confiáveis são cuidados simples que fazem diferença.”
Atenção também à plataforma
A empresa responsável pelo atendimento também deve ser pesquisada. Informações como CNPJ, canais de contato, identificação dos profissionais e política de privacidade ajudam a avaliar se o serviço é legítimo.
No levantamento, quem afirmou conseguir reconhecer uma plataforma confiável disse observar principalmente o endereço do site, citado por 57,4% dos entrevistados, a reputação do serviço, por 49,2%, e o CNPJ e as informações da empresa responsável, por 47,8%.
Outro ponto de atenção são os dados pessoais. Segundo a pesquisa, 47% dos participantes disseram não saber como suas informações são armazenadas pelas plataformas, enquanto 47,6% têm dúvidas sobre quem pode acessá-las.
Informações de saúde são consideradas dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados. Por isso, antes de enviar exames, diagnósticos ou outras informações médicas, vale conferir como a plataforma explica o uso e a proteção desses dados.
A consulta online já entrou na rotina

A identificação do profissional e a verificação do CRM são cuidados básicos em atendimentos online (Foto: Adobe Stock)
Entre os participantes da pesquisa, 46% já haviam utilizado algum tipo de atendimento por telemedicina. Os motivos mais citados foram avaliação rápida de sintomas, consultas de rotina, esclarecimento de dúvidas e renovação de medicamentos.
A praticidade ajuda a explicar o crescimento da modalidade, mas não elimina cuidados básicos. Antes de marcar uma consulta online, vale conferir o CRM do profissional, pesquisar a empresa responsável pela plataforma, evitar links suspeitos e desconfiar de perfis que não apresentam credenciais claras ou fazem promessas de cura. Na saúde digital, verificar quem está do outro lado da tela também faz parte do cuidado.



